sábado, 17 de outubro de 2015

NOTÍCIA DE JORNAL


(CLIQUE NA SETA PARA OUVIR)
("Tortura de amor" - Waldick Soriano)

- PAPÉIS ATESTAM CONTAS DE CUNHA NA SUÍÇA E ISOLAM PEEMEDEBISTA.

     - E isso lá é notícia para ser publicada em letras garrafais na primeira página de um jornal em um dia como o de hoje? Ou ainda, em meio a notícias de tragédias, perseguições, corrupção e prisão, na mesma primeira página:
 
- TUCANOS, COMO NA LENDA, FIRMARAM PACTO COM O DIABO.

     - Pode isso?

     Senhores editores de jornal, tenham paciência! Hoje é sábado. O dia amanheceu ensolarado, o calor é subsaariano, e a nossa carência é de um pouco mais de amor e esperança no coração.

     Esse amontoado de notícia azeda nos tortura por priorizar a miséria humana. Ainda quero ter o prazer de tomar o meu café da manhã lendo notícias simples de vida - pois muitos gestos assim ocorrem a todo instante e já nem nos damos conta disso. 

     Fico imaginando a chegada de um dia em que os jornais passem a noticiar fatos que tenham o poder de pacificar o coração dos leitores; que retratem a harmonia que prevalece em grande parte dos lares espalhados por esse Brasil de todos os santos, que encham de amor os corações dos leitores. Ainda quero receber o jornal e ler em letras garrafais coisas assim: 

- HOMEM SURPREENDE ESPOSA NA COZINHA.

http://www.bokelberg.com/stock-photos/336x224/idoso-abraA%A7o-alegria-velho-mulheres-53678.jpg
(Fonte: http://www.bokelberg.com/stock-photos/336x224/idoso-abraA%A7o-alegria-velho-mulheres-53678.jpg)

     E, abaixo da manchete, a notícia completa... mais ou menos assim: 

"Angelino Marques da Silveira, 63, operador de retroescavadeira, residente em Santo André, no ABC paulista, na Rua do Bonfim, retornou de seu trabalho no final da tarde, algumas horas antes do habitual. Abriu o portão sem fazer barulho, destrancou a porta de sua casa e dirigiu-se até a cozinha onde encontrava-se sua esposa junto da pia. Arlete Gomes da Silveira, 61, do lar, casada com Angelino há 36 anos, lavava algumas verduras para a salada do jantar. Estando ela de costas, ele, a pontas de pé, aproximou-se dela e a abraçou por trás. Ao mesmo tempo em que a abraçava deixou sua cabeça repousar no ombro esquerdo da esposa. Arlete, em uma confusão instantânea entre surpresa e espanto, de imediato soltou um grito - ao que, percebendo que se tratava de Angelino, deixou as verduras sobre a pia e virou-se para retribuir, com todo o seu amor, o abraço recebido. Angelino, ao sentir o carinho da esposa em retribuição ao seu abraço, beijou-a ternamente no rosto, nos olhos e nos lábios. Angelino e Arlete ficaram assim juntinhos por alguns minutos. Na sequência Angelino dirigiu-se até a geladeira, de onde retirou duas latinhas de cerveja e algumas fatias de salaminho para que pudessem brindar à saúde de ambos, àquele momento, e à alegria de estarem juntos. Até o fechamento desta edição não se teve notícia do desenrolar dos acontecimentos".

     Não creio que notícias assim possam ser taxadas de heréticas ou vazias. Elas retratam o ser humano em seu estado mais terno de sentimento. E esse estado de espírito só pode ser desenvolvido com a propagação de notícias semelhantes reportadas pelas pessoas com quem se convive - e, obviamente, pela mídia.

     E eu, aqui nesse calor, em um dia bonito como o de hoje, deixo de lado esse amontoado de notícias ruins no jornal e faço eu mesmo a minha própria notícia: coloco no aparelho de CD um bolero com letra que conta a história de um baita amor rasgado; na sequência descasco um melão, tiro dele algumas fatias, e, querendo agradar (inclusive com um beijinho), vou levá-lo na varanda para comê-lo com a minha mulher... que pinta de vermelho as unhas de suas mãos para embelezar ainda mais o nosso sábado.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

A CAIXINHA DE SOM


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(Yes - "Soon", 1975)

     Outro dia ganhei uma caixinha de som para ouvir as músicas dos meus pen-drives. Adorei o presente. Gostei tanto que, estando em casa, por uma alça, eu a carrego por todos os cômodos.

     Domingo passado, na sala, com a caixinha de som pendurada em minha mão, ouvindo "Soon" e preso a questões metafísicas, o meu filho ficou olhando para ela e para mim, como que tentando decifrar o que estava se passando - tanto comigo quanto com o que saia de dentro dela - daquela caixinha

     Naquele momento o que me veio à mente foi a capa do disco "Every good boy deserves favour" (1971), do grupo inglês "The Moody Blues". Nela um ancião segura por um cordão, ao que parece, um pirilampo, ao mesmo tempo em que um garoto tenta entender a origem e o sentido da luz que ele emite.

     Foi então que compreendi que a caixinha de som não é somente um aparelho que tem a propriedade de "tocar" pen-drives; mas é, especialmente, um tesouro capaz de executar maravilhas que iluminam o meu espírito e que fazem brilhar os meus olhos.

     Ela é, na verdade, a fonte de energia do meu pirilampo. E, quando olho para ela, estou certo de que o menino sou eu.

Foto alba: Every Good Boy Deserves Favour - Moody Blues, The 
(Capa do disco: FONTE - http://www.musicer.net/karaoke-texty-pisni/moody-blues-the/album-55134-every-good-boy-deserves-favour)

domingo, 20 de setembro de 2015

IN MY LIFE



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(In my life - Lennon/McCartney - arranjos e execução Dietmar Hermkes)


"cenas do meu filme em branco e preto"
(Rita Lee)


     Gosto de ouvir "In my Life", dos Beatles. Já ouvi diversas gravações dessa canção, com diversos artistas. Vejo nela o retrato daqueles que se tornam adultos e que revisitam sua infância, adolescência e juventude. A letra fala dos lugares que são lembrados pela vida toda; da percepção de que esses lugares sofreram mudanças com o passar do tempo; lembra que alguns desapareceram e que outros continuam iguais. Fala também que cada um deles teve seu momento especial com pessoas queridas, amigos que permanecem vivos na lembrança de quem os teve e tem - apesar de alguns já terem partido.

      Nela, além dos amigos, encontro minha janela, meu quintal, minha mangueira, minha esquina predileta, o bar do massa, a descida da escola, o salão e a piscina do clube, a praça, o cinema...

(Capa do CD "Aqui, ali, em qualquer lugar" - 2001)


     A Rita Lee gravou em português uma versão para "In my life" no disco "aqui, ali, em qualquer lugar" (2001). Chamou-a "Minha Vida". A versão ficou lindíssima... e eu não me canso de ouvi-la.  

(CLIQUE NA SETA PARA OUVIR)
(Rita Lee, Roberto de Carvalho e Banda - Minha Vida - versão Rita Lee)



In my Life (Lennon/McCartney)

There are places I remember
All my life though some have changed
Some forever not for better
Some have gone and some remain


All these places had their moments
With lovers and friends I still can recall
Some are dead and some are living
In my life I've loved them all


But of all these friends and lovers
There is no one compares with you
And these memories lose their meaning
When I think of love as something new


Though I know I'll never lose affection
For people and things that went before
I know I'll often stop and think about them
In my life I love you more


Though I know I'll never lose affection
For people and things that went before
I know I'll often stop and think about them
In my life I love you more

In my life I love you more

Minha Vida (versão Rita Lee)

Tem lugares que me lembram
minha vida, por onde andei
as histórias, os caminhos
o destino que eu mudei
 
cenas do meu filme em branco e preto
que o vento levou e o tempo traz
entre todos os amores e amigos
de você me lembro mais

Tem pessoas que a gente
não esquece nem se esquecer
o primeiro namorado
uma estrela da TV
 
Personagens do meu livro de memórias
que um dia rasguei do meu cartaz
entre todas as novelas e romances
de você me lembro mais

Desenhos que a vida vai fazendo
Desbotam alguns, uns ficam iguais
Entre corações que tenho tatuados
De você me lembro mais
De você, não esqueço jamais!


 

terça-feira, 1 de setembro de 2015

A OUTRA MARGEM DO RIO



("Saudade", Mário Palmério)


(Para o meu tio Milim)


"Amo ainda mais uma coisa de nossos grandes rios: a eternidade. 
Sim, rio é uma palavra mágica para conjugar a eternidade."
(Guimarães Rosa)



     A visão compreende muito mais do que os olhos podem ver. Não só com o coração, mas também com a mente o invisível ganha seus próprios contornos. Para isso o tempo revela seu sentido. Ele carrega e se encarrega de abrir rugas em nosso rosto, e de depositar nelas as manifestações de vida, alegria e tristeza pelas quais passamos. E quando essas manifestações são tocadas, aquilo que um dia valeu à pena ficar guardado reaparece.

     Quem trafega de Uberaba/MG a São Paulo, pela Anhanguera, pode observar que há, em ambos os lados da pista, pequenas estradas - verdadeiras trilhas encobertas de mata. Mas além da mata, nos pequenos ranchos e casebres escondidos no campo, muita coisa certamente imaterializou-se e ficou estacionada no tempo daqueles para quem cada um desses caminhos e destinos, um dia, foi significativo. 

     Em um determinado ponto da Anhanguera, ainda no município de Guará/SP, pouco antes da ponte que cruza o rio Sapucaí, do lado direito da pista, há uma porteira de madeira que dá entrada para uma dessas pequenas estradas de terra. Não sabe o viajante que a observa que, no final desse caminho, havia um rancho e uma pequena cachoeira.

(Uma porteira à margem da rodovia - fonte: arq. pessoal)

     Por essa estrada de terra passaram muitos homens que conheci: Tio Milim, Sr. Esmeraldo, Budu, Nicola, Maneco, Zé Berto, Dr. Leão, Teruo, Tita, Welson, Sr. Zezinho... Amigos, em dias de manhãs preguiçosas, eles se espremiam em algum veículo, deixavam a cidade, adiavam seus afazeres, e seguiam para a cachoeira. Parecia que nada lhes era mais importante, agradável ou urgente do que celebrar a vida e a amizade.

     Ainda menino, e levado pelo meu tio, algumas vezes fui à cachoeira com esse grupo. Sob um ranchinho de pobreza franciscana, às margens da cachoeira, eles falavam das coisas da vida, cozinhavam, fritavam peixes que haviam pescado, bebiam, declamavam, cantavam valsas, boleros e guarânias. E até que o sol se cansasse, passavam felizes todas as horas do dia. Depois retornavam à cidade.


(Nada lhes era mais importante - foto postada no facebook por Vanderlei Berto)

     Quando transito pela Anhanguera ainda fico procurando porteiras. Há mais de quarenta anos não entro por aquela que leva à cachoeira. Nem sei se ela e o rancho ainda existem - ou se o progresso os fez desaparecer...

     Hoje aqui, aclimatado artificialmente em uma sala 6x4, empetecado de tecnologia, distante da cachoeira e do rancho, recebo e envio abraços e sorrisos virtuais que se apagam e são esquecidos com um click na tela. Cotejo tais sorrisos e abraços com os que vi serem dados de fato por aqueles amigos, em um tempo em que abraço era coisa real e traduzia convívio solidário na amizade. E, sorrindo para mim mesmo, resgato um pouco da minha alegria infantil ao me lembrar da doçura, pureza e simplicidade na familiaridade que existia naquele pequeno paraíso... quando aqueles homens tomavam banho de cachoeira e se reuniam no rancho "do "Yamaguti", às margens do Sapucaí, no final da pequena estrada encoberta pela mata.


(O rancho do Yamaguti - foto postada no facebook grupo fotos antigas de Guará)

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

ENTRE O LABIRINTO E O MAR MORTO


(CLIQUE PARA OUVIR ENQUANTO LÊ)
(Elis Regina - "Cais", de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos)



"Por tanto amor, por tanta emoção, 
a vida me fez assim,
doce ou atroz, manso ou feroz,
eu, caçador de mim"
(Luiz Carlos Sá/Sérgio Magrão - em "Caçador de Mim")


     Na década de 70, pela TV Globo, foi ao ar um programa de entrevistas chamado "Painel"*. Vinícius de Moraes foi um dos entrevistados. Ao ser perguntado quem era o Vinícius que ninguém conhecia, ele assim respondeu:

     - Eu ainda não sei muito bem não. Eu sou um labirinto em busca de uma porta. De saída.

     Essa impressão sobre si mesmo me fez pensar que um ser que se vê dessa forma não se conhece por inteiro, pois está em movimento constante, buscando novas alternativas, novos rumos, novas respostas, novas ideias...

     Pensando bem, convenhamos: "há alguém que se conheça por inteiro?" Se houver, estou certo de que para esse indivíduo a vida perdeu muito de seus encantos - posto que a previsibilidade extingue de imediato o gosto e o prazer na realização das buscas.

     Se a mesma pergunta tivesse sido feita a mim eu teria dito que, daquilo que me conheço, sou tudo o que se espera, exatamente o que me deixo transparecer. E considero esse jeito de ser prá lá de desinteressante.

    Eu, no fundo, admiro seres imprevisíveis, com brilho nos olhos, cheios de posicionamentos, que dizem coisas que despertam ideias e paixões, que surpreendem, superam, descobrem, procuram portas de saída. Que caem e se levantam.

     Pessoas assim, mesmo quando caladas, ensinam que a vida pulsa, que algo está sempre na iminência de acontecer. E a vida, como a vejo, é a expectativa do novo. Esses  seres foram ungidos por algum ente superior. São seres iluminados que a gente gosta de ter por perto.

     Identifico esse jeito inquieto no Vinícius de "Poética I", escrita em 1954:

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
- Meu tempo é quando.

     Da mesma forma, essa ânsia de vida também está nos olhos de Pablo Picasso em seu autorretrato de 1907:

("Autorretrato", 1907 - Pablo Picasso - Fonte: http://www.xoserivera.com/?attachment_id=2635)


     Mas eu sou do jeito que sou: não tenho certezas ou bandeiras; falo devagar; sou calado e inofensivo. Melancólico por natureza (na definição de Cony**), vivo caçando a mim mesmo. Raros os que têm paciência de me ouvir - ou, esporadicamente, de me ler

     Por isso fico assim, nessas oscilações existenciais, meio que flutuando entre o labirinto e o mar morto.

____________________________________
* Programa Painel - foi ao ar de agosto/77 a julho/78. 
 A entrevista está disponível em https://www.youtube.com/watch?v=1TsKPFkuUUk
 
 **Carlos Heitor Cony, em publicação de outubro de 99 na página 2 da Folha de São Paulo ("Nostalgia e Melancolia"), assim escreveu: "Melancolia é a saudade de um tempo que não houve".

quarta-feira, 29 de julho de 2015

JAMES TAYLOR - "BEFORE THIS WORLD"*


(CLIQUE NA SETA PARA OUVIR)
(Montana - James Taylor)


     Vocal doce, anasalado, suave e sereno; jeitão calmo e introspectivo; violão plácido e plangente: foi com esse perfil que conheci e aprendi a gostar do James Taylor. Suas baladas têm o mesmo traço desde que ele surgiu, em 1968, cantando "Carolina in my mind". Com "Fire and Rain", "Country Road" e "Sweet Baby James", gravados em álbum de 1970**, passei a acompanhar todas as suas gravações. E veio a belíssima "You've got a friend" que me fez assumir a condição de fã incondicional.

     Na juventude, por depressão, ele passou por internação hospitalar. Contratado pela "Apple Records", seu primeiro disco ("James Taylor", de 1968) foi produzido pelo Paul McCartney. Mais tarde teve dois casamentos desfeitos (um deles com a Carly Simon), altos e baixos, uma passagem memorável pelo Rock in Rio (1985), compôs a balada "Only a dream in Rio" em homenagem à cidade do Rio de Janeiro, deixou a vida seguir. E manteve-se fiel ao seu estilo.

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(Capa do disco "Before this World" - fonte: http://www.jamestaylor.com/discography/before-this-world/)

     Na semana passada eu o vi ressurgir na Folha de São Paulo***.  A reportagem trazia a notícia de "Before this World" - seu novo disco. Encontrei meus meios de ouvi-lo inteiro, várias vezes. Belíssimo! Assim como na letra de "Sweet Baby James" em que um cowboy passa um período isolado em seu rancho somente na companhia de seus animais, coloco agora para tocar o seu novo álbum e me sinto na mesma condição do cowboy, no alto de uma montanha qualquer no estado de Montana (EUA), sentado diante de uma fogueira, conversando comigo mesmo, esperando o tempo passar... 

(fonte: http://www.richardbealblog.com/cowboy-cauldron-company/)

     E enquanto espero vou ouvindo "Before this world"... "Montana", "You and I", "Snowtime", "Wild mountain Thyme"... Busco alguns de seus discos antigos que estão guardados em meu armário; fico olhando detidamente os detalhes das capas, vou ouvindo... "up on the roof", "walking man", "you can close your eyes"... 

     Mas um trechinho de "Montana", do disco novo, vai e vem no pensamento...  

"I'm not smart enough for this life I've been living
a little bit slow for the pace of the dream
It's not I'm ungrateful for all I've been given
But nevertheless, just the same..."

(Eu não sou suficientemente esperto para a vida que vou vivendo
um pouco lento para o ritmo do sonho
não que eu seja mal agradecido por tudo que me tem sido oferecido
mas, de qualquer forma, continuo simplesmente o mesmo...)

     E, sentado, com meus discos, permaneço quieto, esperando, sem vontade de sair, querendo que esse momento dure para sempre...


______________________________________
*"Before this world" - antes deste mundo
**"Sweet Baby James", 1970
***Aos 67 anos, James Taylor chega ao topo com disco único e confessional - Folha Ilustrada, 14/07/15.
      

sábado, 25 de julho de 2015

AO MEU AMIGO "TIGRÃO"



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("Amigo é pra essas coisas", MPB-4 - de Sílvio da Silva Jr e Aldir Blanc)
https://www.youtube.com/watch?v=lhi7YIfuwmQ&list=RDlhi7YIfuwmQ&start_radio=1

    Peguei o telefone e liguei para o meu amigo. Não nos vemos há muitos anos. Hoje é o dia de seu aniversário e essa lembrança o trouxe de volta para o meu pensamento. Me deu saudade. Saudade de ficarmos conversando na esquina do Itaú, falando de música, falando dos locutores de rádio, dos sambistas antigos, do tempo dos festivais, do Chico, do MPB-4, dos amigos... e esperando o tempo passar. 
    O telefone chamou mas não foi ele quem atendeu. Foi alguém que me disse que não o conhecia e que tinha aquele número de telefone há mais de quatro anos. 

- "Como não conhece?!? A cidade inteira conhece e admira o Gualter - o "Tigrão"! Ele é amigo de todo mundo! É certo que ele algumas vezes falhou "feio" como goleiro, mas ele sempre soube tudo de samba, sempre foi um grande percussionista, tocava como ninguém caixa de repique, tanto na fanfarra do 'Rondon' quanto na banda do seu Artur Bini" -  pensei.

    Fiquei então parado por alguns minutos, simplesmente olhando para a porta de entrada de casa. Desejei que ela se abrisse de repente pelo lado de fora, que o meu amigo me surpreendesse, entrasse com a mesma simplicidade e o mesmo sorriso verdadeiro que sempre dedicou à nossa amizade. 
    Hoje, especialmente, no dia de seu aniversário, quero dizer que me lembrei dele com saudade, desejando que ele esteja bem, rodeado de amigos, esbanjando saúde e alegria de viver.
    Em homenagem ao Gualter Aleixo- o meu amigo "Tigrão" - e às muitas vezes que juntos cantamos à capela "Amigo é pra essas coisas", eu abro uma cerveja, coloco pra ouvir o MPB-4 aqui no computador e envio a ele, com um graaaaande abraço, meus votos de FELIZ ANIVERSÁRIO!


(Eu e o "Tigrão" - foto: arq. pessoal - 2006)

sábado, 11 de julho de 2015

"CLOSE TO YOU"



(CLIQUE NA SETA PARA OUVIR)
(Close to you - Carpenters)



     No balcão da loja de conveniência, em um posto de gasolina, pedi um café. Sentei-me. Na mesinha, ao meu lado direito, sem olharem um para o outro, dois senhores, formalmente trajados, comentavam o valor da venda de uma usina de álcool. Ao meu lado esquerdo, em outra mesinha, um senhor enorme, acompanhado de um outro senhor encharcado de suor, literalmente "estraçalhava" um sanduíche de pão com mortadela; o outro falava sem parar ao telefone celular. 

     Sem muita demora, a balconista veio à minha mesa e trouxe o meu pedido: uma xícara de café, bem forte, acompanhada de uma bolacha e um copo com água gaseificada. Enquanto bebia o café, eu olhava em direção à janela e observava um jovem casal em uma das mesas do lado de fora da loja: com gestos de carinho, de um para com o outro, riam muito depois de cada golada que davam em uma única garrafa "long neck" de cerveja. Ao mesmo tempo que faziam isso, olhavam um para o outro e enfiavam a mão em um pacotinho que estava sobre a mesa, contendo, ao que me parecia, algum tipo de bolachinha. Parecia que estavam banqueteando em um restaurante localizado no alto da torre Eiffel, ao mesmo tempo em que se deslumbravam com a cidade luz, vista do alto. 


"Lady and the Tramp" (A Dama e o Vagabundo) - Estúdios Disney, 1955


     Depois de terminar o meu café, fiquei ali por mais algum tempo, observando o jovem casal e pensando:

     - "A felicidade está na capacidade de nos maravilharmos com pequenas coisas; resume-se em podermos apreciar e desfrutar, com alegria, da companhia de quem está ao nosso lado". 

     Em seguida, contagiado por aquele momento de beleza que o jovem casal havia me proporcionado, levantei-me rejuvenescido e fui embora assobiando "Close to you"... 



Close To You  (Bacharach/David)

Why do birds suddenly appear
Everytime you are near?
Just like me, they long to be
Close to you

Why do stars fall down from the sky
Everytime you walk by?
Just like me, they long to be,
Close to you

On the day that you were born
The angels got together
And decided to create a dream come true
So they sprinkled moondust in your hair
And golden starlight in your eyes of blue

That is why all the girls in town
Follow you, all around
Just like me, they long to be
Close to you

On the day that you were born
The angels got together
They decided to create a dream come true
So they sprinkled moondust in your hair
Of gold and starlight in your eyes of blue

That is why all the girls in town
Follow you, all around
Just like me, they long to be
Close to you

Just like me, they long to be
Close to you

Woo... close to you..

Perto de Você

Por que os pássaros aparecem de repente
Toda vez que você está perto?
Assim como eu, eles querem estar
Perto de você...

Por que as estrelas desabam do céu
Toda vez que você passa?
Assim como eu, elas querem estar
Perto de você

No dia em que você nasceu
Os anjos se reuniram
E decidiram tornar um sonho realidade
Então eles espalharam poeira da lua em seus cabelos
E luz dourada das estrelas em seus olhos azuis

É por isso que todas as garotas da cidade
Seguem você, por toda parte
Assim como eu, elas querem estar
Perto de você

No dia em que você nasceu
Os anjos se reuniram
E decidiram tornar um sonho realidade
Então eles espalharam poeira da lua em seus cabelos dourados
E luz das estrelas em seus olhos azuis

É por isso que todas as garotas da cidade
Seguem você, por toda parte
Assim como eu, elas querem estar
Perto de você

Assim como eu, elas querem estar
Perto de você

Aah... Perto de você...