quinta-feira, 27 de setembro de 2018

TITO MADI


CLIQUE NA SETA PARA OUVIR ENQUANTO LÊ
Tito Madi, dele, "Sonho e Saudade"
trecho do filme "Amor para três" (Dir.: Carlos Hugo Christensen, 1959/1960)
https://www.youtube.com/watch?v=IoPBL_AHhfM


     Passei algumas noites da semana assistindo, pelo "youtube", aos depoimentos, histórias e entrevistas que foram feitas com o Tito Madi. Ao mesmo tempo, deixei no meu carro um pequeno pacote contendo suas gravações em CD, para que eu pudesse ouvi-las quando quisesse. Ainda hoje, enquanto eu dirigia para o trabalho, ele "veio" comigo cantando e recontando suas histórias vividas em Pirajuí (SP) - sua terra natal.

     "Chove lá fora"* é sua música mais conhecida. Ela foi gravada, inclusive, pelo famoso grupo vocal norte-americano "The Platters".

     Lembro-me de que, no final da década de 70, um colega que tive na universidade ganhou de presente, de uma colega sua, sobrinha do Tito Madi, um autógrafo dele, especificamente destinado ao meu amigo. Achei o presente genial.


Tito Madi (1929-2018)
http://www.plugadosnanoticia.com/2018/09/compositor-tito-madi-morre-aos-89-anos.html

     Gosto de ouvir suas gravações. Gosto de sua fala, de seu canto. Gosto de saber da existência de um alaúde dependurado em uma das paredes de sua casa...

     Tito Madi faleceu ontem (26/09), no Rio de Janeiro, aos 89 anos de idade. Hoje, "a noite certamente vai estar fria"... e, muito provavelmente, estará "chovendo lá fora".

_____________________________
*"Chove lá fora" (canção gravada em 1957, pela Continental, no álbum com o mesmo título) - foi o maior sucesso na carreira de Tito Madi - Versos introdutórios: "A noite está tão fria, chove lá fora...")

terça-feira, 18 de setembro de 2018

A CASA DA ESQUINA


CLIQUE NA SETA PARA OUVIR DURANTE A LEITURA
Baden Powell - "Por Causa de Você" (Tom/Dolores)
https://www.youtube.com/watch?v=2wLmOZdiSu0


     Sou a memória de um tempo. Já tive flores em meus jardins. Minhas janelas viviam abertas. Por minhas portas entravam amigos...


Palacete Camilo de Mattos - esquina R Duque de Caxias c/ Tibiriçá, em frente à Praça XV
(Ribeirão Preto, SP) - Fonte: arq. pessoal (09/2018)


     Hoje, em minha vizinhança, há somente agências bancárias e lojas de departamentos: todas impessoais. Por suas portas entram apenas clientes. Em lugar de flores, há anúncios luminosos. Em lugar de janelas abertas, há vidros blindados e dispositivos de segurança...

     Guardiã de memórias que teimam em sobreviver, a despeito de sua suposta inutilidade, resisto à frieza funcional. Meu abandono está escancaradamente exposto... minhas janelas estão destruídas... minhas flores estão mortas: sou apenas um imóvel cadastrado em uma repartição pública.

     Acompanhada de antigos fantasmas, na escuridão da esquina movimentada  eu olho para a praça principal da cidade grande... dessa cidade tão cheia de pressa para ir... para ir não se sabe para onde...

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

BRANCA


CLIQUE NA SETA PARA OUVIR
Jacques Klein e Ezequiel Moreira - "Branca" (Zequinha de Abreu)
https://www.youtube.com/watch?v=OpzPmQQlRXU


     Vou contar uma história. Uma história de gente de cidade pequena. De gente que passa muitos anos da vida remoendo, em segredo, um sentimento amoroso que se assemelha a um sofrimento. Trata-se, portanto, de uma história de amor. De um amor que, tendo brotado de um coração sensível, floresceu em valsa, encantou e virou filme.


Tônia Carrero e Anselmo Duarte (no filme "Tico-tico no fubá" - Dir, Adlofo Celi, 1952)
Fonte: http://bonavides75.blogspot.com/2013/08/filme-tico-tico-no-fuba-de-1952.html


     Assisti no cinema. Começa o filme com a chegada de um circo a uma cidadezinha do interior do Brasil. Dentre os diversos artistas que com ele chegam, está Branca - uma bela amazona. Por ela, Zequinha, um jovem funcionário público municipal e também pianista amador, apaixonou-se. Por poucos dias viveram um grande amor.

     Mas, encerrada a temporada do circo naquela cidade, encerrou-se, também, o relacionamento amoroso entre Branca e Zequinha. Cada qual seguiu sua vida. 

     Anos mais tarde, em uma cidade grande, Zequinha, agora pianista profissional, reencontrou sua antiga namorada. Logo após revê-la, e, para ela ter executado a valsa "Branca", por ele composta, sentiu-se mal, foi para a rua, e, no chão, terminou sua história.

     Assim é o enredo do filme.

     A história, contada no cinema, foi inspirada na vida e na obra de Zequinha de Abreu*. Das composições de sua autoria, é da valsa "Branca" que mais gosto. Sempre que a ouço, fico pensando se Branca foi uma musa verdadeira, ou se foi simplesmente fruto de sua imaginação.

     Pelo que se conta**, Branca realmente existiu. Conta-se que ela era filha do chefe da estação ferroviária de Santa Rita do Passa Quatro (SP) - um senhor que também era músico da orquestra regida por Zequinha de Abreu. Não se pode afirmar, ao certo, se houve ou não paixão de Zequinha por Branca. O que se conta é que ela casou-se (não com Zequinha), teve uma filha, separou-se, foi professora de violão e piano, e morreu em 1980 aos 74 anos de idade.

     "Branca" (a valsa) foi gravada no ano de 1931, no mesmo disco que lançou "Tico-Tico no Fubá" - choro que deu título ao filme comentado. Em Santa Rita do Passa Quatro, "Branca" é nome de rua... e Zequinha de Abreu, célebre compositor da música popular brasileira, é um cidadão imortal.


CLIQUE NA SETA PARA ASSISTIR
(PEQUENO TRECHO DO FILME)
"Tico-tico no fubá" - (Brasil, 1952. Dir.: Adolfo Celi)
Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=PYyM594V8lA
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*José Gomes de Abreu (Zequinha de Abreu) - (1880-1935) - compositor, natural de Santa Rita do Passa Quatro (SP). Faleceu de ataque cardíaco em um hotel no centro de São Paulo.
**Pesquisa: http://www2.carosouvintes.org.br/o-imortal-zequinha-de-abreu-%E2%80%93-parte-2/ 

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

O PROGRAMA "ENSAIO", E A CAIXA DE PAPELÃO


CLIQUE NA SETA PARA OUVIR DURANTE A LEITURA
Lúcio Cardim, dele, "Matriz ou Filial"
https://www.youtube.com/watch?v=VQE12FfBLio


     Estou aqui, quieto, maravilhado, olhando para uma caixa de papelão que me foi endereçada. Fechada, ela traz, do lado esquerdo, o meu nome escrito em uma fita adesiva; do lado direito, o nome de um ser generoso, que confiou a mim a guarda temporária de um tesouro: Ricardo.


Fonte: arq. pessoal (2018)

     O Ricardo, além de outras virtudes, é membro de uma banda de jazz (e outros gêneros), que se reúne para ensaiar, em uma chácara, todas as segundas-feiras, à noite. Encontrei-o na loja do SESC-Ribeirão Preto, em uma manhã de sábado. Dentre o pouco que conversamos, ele me falou a respeito de uma coleção, da qual é possuidor, composta por oito caixas contendo livros e CDs, chamada "A música brasileira deste século, por seus autores e intérpretes". Durante a conversa, descobri que se tratava da gravação de muitos dos programas "MPB ESPECIAL" e "ENSAIO", produzidos pelo genial Fernando Faro*. Estes programas foram exibidos, inicialmente, nos anos 70, pela TV Tupi, e, a partir do final dos anos 80, pela TV Cultura. Após a morte de Fernando Faro, em 2016, a TV Cultura exibiu, por um tempo, reprises antigas do programa.

     O formato do ENSAIO é muito legal. Nele, o artista é mostrado em "closes"**, responde as perguntas que lhe são formuladas, canta, fala de sua trajetória artística e relembra casos vividos. Não se ouve a voz do entrevistador. Há intervalos preenchidos com o silêncio. Mas, de alguma forma, o silêncio aliado ao "close" também comunica: os movimentos das mãos do artista, sua expressão facial... tudo isso preenche o silêncio. Como resultado, nasce na gente, enquanto ouvintes ou telespectadores, uma certa cumplicidade com o artista. Lembro-me de ter assistido, nesse programa, o Vinícius de Moraes, o Cartola, o Dick Farney, a Nora Ney, o Lúcio Cardim, a Elis Regina e muitos outros. Foram programas antológicos. Nunca pude me esquecer dos que assisti. 

     Mas, só durante a conversa com o Ricardo fiquei sabendo que o SESC, em parceria com a Fundação Padre Anchieta, havia editado um pacote - aliás, oito pacotes - contendo alguns dos programas gravados até o ano de 2003. Em cada pacote, contou-me o Ricardo, estão cerca de doze artistas - doze CDs. E mais - disse-me ele: além do CD contendo a gravação do programa, cada pacote traz também um livro com a transcrição da entrevista de cada um dos doze entrevistados (de cada pacote).

     Ali na loja do SESC, naquela manhã, não tive dúvida (Você teria?). Ao ouvir o Ricardo comentar sobre os oito pacotes com os programas MPB ESPECIAL e ENSAIO, pedi que ele me emprestasse tudo - todas as oito caixas, todos os CDs e todos os livros. E com urgência!

     Pois é isso que eu queria te contar, meu caro leitor. Ao receber hoje, logo de manhã, uma mensagem do Ricardo, via whatsapp, dizendo que havia deixado na portaria do prédio onde reside, como empréstimo, uma caixa com os pacotes de CDs (e livros) contendo os programas gravados e editados, passei por lá, antes mesmo de qualquer outro compromisso ou atividade programada para o dia, e peguei a tal caixa.

     Posso então dizer que sou um homem feliz. Tenho diante de mim uma caixa de papelão, e, dentro dela, um tesouro. Olho para a caixa e sinto no peito uma grande ansiedade: estou acompanhado de artistas e intérpretes brasileiros que fizeram parte de minha formação, e que agora vão me contar suas histórias... 

     Abro a caixa e começo ouvindo o Lúcio Cardim***...

__________________________
*Fernando Faro - (1927-2016) Fernando Abílio de Faro dos Santos, sergipano, foi um jornalista, produtor musical, e diretor de programas de televisão.
**CLOSE UP (do inglês, "com aproximação"), ou usualmente, somente CLOSE é uma expressão comum em fotografia, e que significa um plano onde a câmera está muito perto da pessoa ou objeto em questão, possibilitando uma visão próxima e detalhada.
**Lúcio Cardim - (1932-1982) cantor, compositor e boêmio, nascido em Santos/SP.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

CORAÇÃO SELVAGEM - AOS 120


CLIQUE NA SETA PARA ASSISTIR ENQUANTO LÊ
Belchior, dele, "Coração Selvagem"
https://www.youtube.com/watch?v=fR1XQgNiT0M


"Vem viver comigo, vem correr perigo"
(Belchior)


     "Coração Selvagem", do Belchior, retrata muito bem o jeito que eu gostaria de ser: eternamente jovem, instintivo, valente, intenso, despreocupado, inconsequente...

     Gostaria que os meus amigos, quando ouvissem "Coração Selvagem", lembrassem de mim. E, com essa lembrança, lhes ocorresse um pensamento:

     - "Puxa, essa música é a cara do Elias!"

     Creio que assim seria se eu fosse menos angustiado, se eu tivesse menos medo de errar nas escolhas, se eu não me sentisse abatido com os desacertos... Assim seria se eu conseguisse me levantar com facilidade, dar um chute na insegurança, e ter ânimo para estar sempre recomeçando!

     Queria saber me desprender das certezas... Queria não ter medo de começar tudo de novo (com paixão), se preciso fosse.

Coração Selvagem
Belchior

Meu bem, guarde uma frase pra mim dentro da sua canção
Esconda um beijo pra mim
Sob as dobras do blusão
Eu quero um gole de cerveja
No seu copo, no seu colo e nesse bar

Meu bem, o meu lugar é onde você quer que ele seja
Não quero o que a cabeça pensa
Eu quero o que a alma deseja
Arco-íris, anjo rebelde
Eu quero o corpo, tenho pressa de viver

Mas quando você me amar
Me abrace e me beije bem devagar
Que é para eu ter tempo
Tempo de me apaixonar
Tempo para ouvir o rádio no carro
Tempo para a turma do outro bairro ver e saber que eu te amo

Meu bem, o mundo inteiro está naquela estrada ali em frente
Tome um refrigerante, coma um cachorro-quente
Sim, já é outra viagem
E o meu coração selvagem tem essa pressa de viver

Meu bem, mas quando a vida nos violentar
Pediremos ao bom Deus que nos ajude
Falaremos para a vida
Vida, pisa devagar, meu coração, cuidado, é frágil
Meu coração é como vidro, como um beijo de novela

Meu bem, talvez você possa compreender a minha solidão
O meu som, e a minha fúria e essa pressa de viver
E esse jeito de deixar sempre de lado a certeza
E arriscar tudo de novo com paixão
Andar caminho errado pela simples alegria de ser

Meu bem, vem viver comigo, vem correr perigo, vem morrer comigo
Meu bem, meu bem, meu bem

Talvez eu morra jovem, alguma curva no caminho
Algum punhal de amor traído completará o meu destino

Meu bem, vem viver comigo, vem correr perigo, vem morrer comigo
Meu bem, meu bem, meu bem

Meu bem, meu bem, meu bem
Que outros cantores chamam baby
Que outros cantores chamam baby
Que outros cantores chamam baby


     Mas acontece que não sou assim; nunca fui assim. E se nesses meus 60 anos não consegui ser nada do que "Coração Selvagem" propõe, como posso querer me imaginar "descolado", arriscado e inconsequente? Quando vou conseguir seguir adiante, por qualquer caminho que se puser à minha frente, sem sentir preocupação pela consequência das escolhas?

     Bom... para alterar esse meu jeito preocupado de ser, acho que vou precisar de mais uns sessenta anos - pelo menos. Mas não desisto: vou me esforçar pra chegar aos cento e vinte - de preferência com todos os meus amigos e familiares por perto, para que possam ver que consegui me tornar um pouco mais leve.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

VOU-ME EMBORA PRA ALBERTA


A imagem pode conter: céu, árvore, nuvem, atividades ao ar livre e natureza
"Banff National Park"- Alberta, Canadá
Foto: Fernando Roselino, postada no Facebook


"Guess I'll go out to Alberta
Weather's good there in the fall"
(Ian Tyson)


     Acordei hoje de manhã e, antes mesmo de tomar meu café, entrei no universo das redes sociais. Uma foto postada pelo meu amigo Roselino, no "facebook", atraiu minha atenção. 


CLIQUE NA SETA PARA OUVIR
Neil Young - "Four Strong Winds" (Ian Tyson)
https://www.youtube.com/watch?v=DP9UjLeLN5A

     Na foto, em primeiro plano, um céu azul, ornado com nuvens brancas, cobria um bosque de árvores altas; ao fundo, montanhas esbranquiçados pela neve surgiam, feito um céu estendido sobre o solo: era a imagem típica de uma, das muitas áreas de preservação ambiental espalhadas pelos países do norte. Fiquei olhando aquela imagem, com a sensação de que já havia estado naquele lugar: as trilhas por entre as árvores, o curso das águas, o ambiente gelado e silencioso...


A imagem pode conter: céu, montanha, atividades ao ar livre, natureza e água
"Banff National Park" - Alberta, Canadá
Foto: Fernando Roselino, postada no facebook

     Mas... Um momento, meu raro leitor: eu vos peço desculpas pelas bobagens acima descritas! Eu nunca me meti a caminhar por nenhum bosque, muito menos com montanhas cobertas de neve.

     Contudo, ao ver que a foto havia sido tirada pelo meu amigo Roselino, no Parque Nacional Banff, na província de Alberta, no Canadá, entendi como fui parar dentro dela (da foto). Alberta é uma das dez províncias do Canadá*. Por muitos anos ouvi o Neil Young** cantar, em "Four Strong Winds"***, que os bons tempos haviam passado, e que, por tal motivo, ele pensava em ir embora para Alberta - onde o clima é bom no outono, e onde ele possui muitos amigos para ajudá-lo.


Um mapa clicável do Canadá exibindo suas dez províncias, três territórios e suas respectivas capitais.
Alberta - localização no mapa do Canadá (10 Províncias, 3 Territórios)
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Subdivisões_do_Canadá


     Como nunca fui amigo de rei algum, não poderia pensar em realizar minhas buscas em Pasárgada - para onde o nosso poeta, Manuel Bandeira, um dia quis ir****. Foi assim que, sempre que eu ouvia o Neil Young, nos meus muitos anos de desencontros profissionais, eu me lembrava de Alberta (onde nunca estive ou havia estado), e pensava em dar uma escapada até lá: afinal, dizia o Neil Young, lá o clima era bom, no outono, e lá era possível encontrar amigos que poderiam ajudar (e nem precisavam ser reis). Se ele, o Neil Young, em tempos difíceis, poderia encontrar amigos em Alberta para ajudá-lo, eu também poderia: e por que não? Alberta sempre me pareceu, em virtude da música, uma região onde todos estão dispostos a estender braços de ajuda e amizade, para quem quer que seja.

     Resultado: os anos se passaram, as minhas buscas não terminaram, e eu continuo me vendo em Alberta toda vez que ouço "Four Strong Winds" - ou toda vez que "a barra pesa" por aqui.


Four Strong Winds

Four strong winds that blow lonely, seven seas that run high,
All those things that don't change, come what may.
Now our good times are all gone, and I'm bound for moving on,
I'll look for you if I'm ever back this way.

Guess I'll go out to Alberta, weather's good there in the fall.
Got some friends that I can go to working for.
Still, I wish you'd change your mind, if I asked you one more time.
But we've been through that a hundred times or more.

Four strong winds that blow lonely, seven seas that run high,
all those things that don't change, come what may.
Now our good times are all gone, and I'm bound for moving on,
I'll look for you if I'm ever back this way.

If I get there before the snow flies, and if things are going good,
you could meet me if I sent you down the fare.
But by then it would be winter, nothing much for you to do,
and the wind sure blows cold way out there.

Four strong winds that blow lonely, seven seas that run high,
all those things that don't change, come what may.
Now our good times are all gone, and I'm bound for moving on,
I'll look for you if I'm ever back this way.
Yes, our good times are all gone, and I'm bound for moving on,
I'll look for you if I'm ever back this way.
Quatro Ventos Fortes

Quatro ventos fortes que sopram solitários, sete mares que correm alto
Todas essas coisas que não mudam, aconteça o que acontecer
Agora nossos bons tempos se foram, e eu estou fadado a seguir em frente
Eu vou procurar por você se eu voltar desse jeito

Acho que vou para Alberta, o tempo é bom lá no outono
Tenho alguns amigos para os quais eu posso trabalhar
Ainda assim, eu gostaria que você mudasse de ideia, se eu lhe perguntasse mais uma vez
Mas nós já passamos por isso cem vezes ou mais

Quatro ventos fortes que sopram solitários, sete mares que correm alto
Todas essas coisas que não mudam, aconteça o que acontecer
Agora nossos bons tempos se foram, e eu estou fadado a seguir em frente
Eu vou procurar por você se eu voltar desse jeito

Se eu chegar lá antes que a neve voe, e se as coisas estiverem indo bem
Você poderia me encontrar se eu te mandasse a passagem
Mas então seria inverno, não há muito para você fazer
E o vento sopra frio lá fora

Quatro ventos fortes que sopram solitários, sete mares que correm alto
Todas essas coisas que não mudam, aconteça o que acontecer
Agora nossos bons tempos se foram, e eu estou fadado a seguir em frente
Eu vou procurar por você se eu voltar desse jeito
Sim, nossos bons momentos se foram, e estou decidido a seguir em frente
Eu vou procurar por você se eu voltar desse jeito


________________________
*As 10 Províncias do Canadá são: Colúmbia Britânica; Alberta; Saskatchevan; Manitoba; Ontário; Quebec; New Brunswick; Nova Escócia; Ilha do Príncipe Eduardo; Terra Nova e Labrador. (Os 3 Territórios são: Yukon, Territórios do Noroeste; Nunavut
**Neil Young (1945) cantor e compositor canadense; fez carreira nos Estados Unidos.
***"Four Strong Winds" (quatro ventos fortes), composta pelo cantor e compositor canadense Ian Tyson. Foi gravada por Neil Young no álbum "Comes a time" (Reprise records, 1978)
****"Vou-me embora pra Pasárgada" - poema de Manuel Bandeira, publicado em 1930 no livro "Libertinagem".

sexta-feira, 13 de julho de 2018

PARALELAS


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Belchior, dele, "Paralelas"
https://www.youtube.com/watch?v=fDHQZ6v3OAA


"como é perversa a juventude do meu coração"
(Belchior)

     Dentre as muitas músicas compostas por Belchior, "Paralelas" é uma das que ouço com frequência. Lembro-me de que, a primeira vez que a ouvi, ainda na década de 70, foi na voz de Vanusa - que não era das minhas artistas preferidas. "Paralelas" tinha qualquer coisa que não se moldava bem ao repertório dela: a música parecia trazer uma outra mensagem, muito além da superfície das palavras. Quando descobri que a composição era de Belchior, aí então, definitivamente, fui conquistado por "Paralelas". Ouvi, inúmeras vezes, e em incontáveis situações, por toda a minha juventude, a gravação feita por ele, o Belchior, no disco "Coração Selvagem" (Warner, 1977). Ainda hoje, quando ouço essa música, me vem o sentimento de uma busca por algo incerto, como as buscas que acontecem em "road movies", como as buscas que fazemos por coisas que não sabemos explicar o que são... 


Rod. Niterói-manilha
http://noticiasdesaopedrodaaldeia.com.br/transito-br-101-tera-operacao-especial-a-partir-de-quarta-feira-por-conta-do-feriado/

     "Paralelas" foi além do nosso continente. Caiu nas graças da Europa - da Itália, mais precisamente. Durante uma viagem (à Europa), Belchior foi convidado a conhecer Gigliola Cinquetti* e trabalhar em uma versão de "Paralelas", para o italiano. Desse encontro, o resultado foi "Parallèle" - gravada por Gigliola em seu disco "Pensieri di donna" (1978)... e que somente ontem, depois de tantos anos, consegui ouvir.  

     Essa música me traz imagens de marcas deixadas pelas linhas paralelas dos pneus de um automóvel, o qual trafega em um estrada molhada - retrato melancólico de uma busca infrutífera e desencontrada. Infrutífera porque as linhas paralelas nunca se encontram: haverá sempre uma distância entre elas. De um lado, em uma delas, está a subjetividade do autor, em sua busca; do outro, o desconhecido objeto da busca. A distância constante, que caracteriza as paralelas, estabelece o desencontro... tal como o desencontro das muitas buscas que realizamos... e que, por ausência de objeto, são angustiantes...


"Parallèle", versão de Belchior e Bardotti - Gigliola Cinquetti
https://www.youtube.com/watch?v=pdgu2JTRIdQ&t=31s

*Gigliola Cinquetti* (1947) cantora, atriz e jornalista italiana.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

CORRA E OLHE O CÉU


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DURANTE A LEITURA
"Corra e olhe o céu" - Cartola


     Não, não me diga adeus. Não maldiga a nossa sorte. Não deixe de lado a esperança que nutres por mim. Um tropeço, um a mais... Não faz mal: é a possibilidade de um outro aprendizado. As grandes vitórias acontecem a todo instante. Continuo aqui, fértil, alegre, rico, ensolarado, de imensidões abertas para que você me descubra e me explore. 


Brasil: hidrografia - http://www.sogeografia.com.br/Conteudos/GeografiaFisica/Hidrografia/

     Sou seu. Sirva-se de todas as minhas manhãs, de todos os raios de sol que clareiam os seus dias: sirva-se das minhas potencialidades; explore minhas possibilidades. Retire de mim a água, o alimento... Olhe ao redor, orgulhe-se do que te ofereço... Te espero a cada novo despertar. Sou o que fazes de mim, sou um País que canta, que trabalha, que cai e se levanta... que sofre, mas que não se deixa abater. Vencedor ou vencido, sou o Brasil que existe dentro de você. 

domingo, 1 de julho de 2018

COMEÇO DE JOGO


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Izaías e seus Chorões: "Pedacinho de céu" (Waldir Azevedo)
https://www.youtube.com/watch?v=FJJhm7gNL8c

     Não, não é domingo. Mas... todo o comércio está fechado! Um ou outro veículo, esporadicamente, trafega pela rua que, normalmente, está muito movimentada. Já não vejo mais o pedreiro que, até há pouco, empilhava tijolos no imóvel recém destruído. No posto de combustíveis, bem ao lado de uma bomba de gasolina, três senhores sentados estão olhando em direção a um televisor. Os pedestres, os estudantes, os praticantes de caminhadas, os vendedores ambulantes, todos sumiram... Estou eu, na sacada do apartamento, sétimo andar, vigiando a cidade... Lá em cima, no céu, o sol brilha... Aqui embaixo, três horas de uma tarde de quarta-feira. O País está parado, silente: e eu também! Com uma aflição dentro do peito, volto para a sala de estar, sento-me no sofá, e, atentamente, mantenho os olhos fixos nas imagens transmitidas por um canal de TV. Pelo televisor, instalado sobre um móvel de madeira, vejo a Seleção Brasileira de Futebol, na Rússia, entrar em um estádio de futebol.

Soccer Kickoff
http://www.futebolarte.blog.br/2014/08/regras-do-futebol-no-8-o-inicio-e-o-reinicio-do-jogo/

     Está para ser iniciada mais uma partida válida pela Copa do Mundo. Nesse momento, e nos próximos noventa minutos - com uma pausa de quinze -, quero ouvir somente o locutor narrar e comentar a partida... Sem muita esperança de ser atendido, solicito a todos os que estão na sala que fiquem quietos, que permaneçam em seus lugares, que controlem suas ansiedades... a não ser que, nesse período de tempo, o locutor grite: "Gooool do Brasil". A partir daí, então, todos nós, em frente ao televisor, e os brasileiros espalhados pelo mundo, estaremos liberados para emitir sons desordenados e desencontrados, revelar opiniões absurdas sobre cada jogada, pular, gritar, tocar corneta e fazer soar alguma buzina. No entanto, até que isso aconteça - e se acontecer -, muita calma: o Brasil está em campo! E isso mexe com os meus nervos: "Só com os meus?" 

sexta-feira, 22 de junho de 2018

A RÚSSIA, EM CARTÕES-POSTAIS



RÚSSIA. MOSCOU. PRAÇA VERMELHA. Catedral São Basílio e Monumento a Kizma e Pozharsky
Moscou, Praça Vermelha. Catedral de São Basílio
Cartão que me foi enviado por Dasha , colecionadora residente em Kazan, Rússia


     Com o início dos jogos da Copa do Mundo, a Rússia passou a ser o alvo das atenções do mundo todo; não somente pelas partidas que lá estão sendo realizadas, mas principalmente pela Copa representar a utopia da convivência harmônica entre os povos das diferentes nações. Assim, usos, costumes, história, tudo o que possa trazer a Rússia para perto de nós é veiculado pelos meios de comunicação, como forma de convite para que possamos conhecer o país anfitrião.


CLIQUE NA SETA PARA OUVIR ENQUANTO LÊ 
(ASSISTIR DEPOIS DA LEITURA)

"Moscow nights"
https://www.youtube.com/watch?v=QHGEZXdECvg


     Se me perguntassem o que me vem à mente quando o nome do país, "Rússia", é pronunciado, eu logo responderia, e sem pensar duas vezes: neve, Dr. Jivago, Revolução de 1917, Gulag, Soljenitsin, encouraçado Potemkin, Rasputin, Nicolau II, cossacos, czares, Dostoievsky, Tolstói, vodka, igreja de sangue.

     Nos últimos três anos, e cada vez com maior intensidade, a Rússia, por acaso do destino, passou a aproximar-se de mim. Explico: decidido a diminuir minha ignorância em relação ao nosso planeta, cadastrei-me em um grupo, espalhado pelo mundo, de colecionadores de cartões-postais*. Meu objetivo era de, por intermédio deles, dos cartões-postais, sentir-me estimulado a ler, estudar e conhecer as características de outros países, seus prédios históricos, seus valores, seu povo e tudo o que os identifica. E tem sido muitos os cartões-postais que venho recebendo de diversos países espalhados pelo mundo todo.


Cartões-Postais - foto: arq. pessoal

     Mas, foram os colecionadores da Rússia que passaram a ser os mais frequentes remetentes de cartões-postais para o meu endereço.

    Assim, por intermédio de cartões-postais, sem nunca ter ido à Rússia, tenho percorrido o país – em especial as cidades de Moscou e São Petersburgo.

     Pela cidade de São Petersburgo passei a ter um carinho muito especial. Isso porque são maravilhosos os cartões-postais que tenho recebido de lá. Na cidade, às margens do Rio Neva, está o Palácio de Inverno** - a residência oficial dos antigos czares, onde hoje está instalado o Museu Hermitage. Gosto também de receber cartões-postais dessa cidade porque, nesse mesmo rio (o Neva) está ancorado o Cruzador Aurora: o navio que, com uma salva de tiros em direção ao Palácio de Inverno, deu o sinal para o início da Revolução Bolchevique de 1917, quando, então, a cidade chamava-se Petrogrado. Hoje, esse navio é museu e patrimônio histórico de São Petersburgo.


O CRUZADOR AURORA - patrimônio histórico de St. Petersburg. Lançado ao mar em 1900. Deu o sinal para o início da revolução bolchevique/1917 com salva de tiros contra o palácio de inverno em Petrogrado. Atracado no Rio Neva.
"O Cruzador Aurora" - cartão postal que me foi enviado por Natalya, colecionadora residente em São Petersburgo

     Mas há uma cidade, na região dos Montes Urais, chamada EKATERIMBURGO, que estou gostando de estar conhecendo por intermédio de postais. Acho que isso tem acontecido por causa do semblante de Nicolau II, o último czar, que, para mim, em fotos e pinturas, parece um senhor sereno e introspectivo. Claro, essa percepção é muito pessoal... mas fico comparando a maneira como ele foi fotografado e pintado, com o  destino que sua vida teve...


Retrato do último czar da Rússia, Nicolau II, pintado por Ilya Galkin.
Retrato de Nicolau II, pintado por Ilya Galkin
fonte: https://rainhastragicas.com/2015/06/23/bomba-os-romanov-podem-voltar-para-a-russia/

     Por intermédio dos cartões-postais que recebi, fiquei sabendo que Nicolau II, juntamente com sua esposa e seus cinco filhos, foram levados e executados na cidade de Ekaterimburgo. No local onde essa execução aconteceu, uma igreja foi edificada: a chamada “Igreja de Sangue”. Essa igreja, inaugurada no ano 2000, foi erguida em memória de Nicolau II e de sua família: os Romanov***.

     Bom, todo essa minha conversa é para dizer que, com a Copa do Mundo acontecendo, e tendo conhecido a história dos Romanov****, tenho mantido a esperança de receber um cartão-postal, de algum colecionador residente em Ekaterimburgo, ou em qualquer outra cidade da Rússia, que traga uma foto da igreja que foi edificada em memória de Nicolau II e sua família. Quando isso acontecer, prometo mostrar a todos. 

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**Palácio de Inverno" - residência oficial dos czares,em São Petersburgo, onde hoje está o Museu Hermitage.
***Em 1981, tanto Nicolau II quanto sua esposa e filhos, foram canonizados pela igreja ortodoxa russa.
****Para conhecer a história dos Romanov, recomendo o seguinte filme: "Os Romanov: uma família imperial" (Rússia, 2000. Dir.: Gleb Panfilov)