Minha intenção é publicar aqui as coisas que leio, vejo, penso ou observo, e que me fazem sentir que acrescentam. Afinal, as coisas só se tornam inteiramente bonitas quando podem ser compartilhadas e se mostram repletas de significados comuns.
"O filme da minha vida" - (trailer) filme dir. por Selton Mello
Nada pode descrever a emoção que senti...
quando caminhei sozinho pela primeira vez, quando fui à escola para começar a estudar, quando me equilibrei em uma bicicleta, sem a ajuda do meu pai, quando li uma palavra, sem o auxílio de um professor;
quando, acanhado, ganhei o primeiro beijo de amor, quando, desencanado, embebedei-me com champagne, quando, vitorioso, recebi a notícia de que havia passado no vestibular, quando, habilidoso, dirigi um carro pela primeira vez; quando, inseguro, enviei uma carta pedindo um estágio, quando, orgulhoso, ouvi um elogio pelo meu primeiro trabalho, quando, envaidecido, vi um texto meu publicado na Universidade, quando, esperançoso, me inscrevi para estudar na França...
... quando, tremendo de emoção e de frio, fotografei a Torre Eiffel.
"Quando fotografei a Torre Eiffel pela primeira vez" Foto: Gabriel - jan/2015
Não fossem bravura e coragem, não teria sido ampliado o Velho Mundo. A inquietação lusitana, depois de vencer indescritíveis tormentas, desembarcou no paraíso para transformar em civilizado o que era puro.
Mas aqui dentro do peito, meu coração permanece ancorado em portos seguros. Ainda assim, conduzindo a mesma saudade e os mesmos sonhos dos que, um dia, do lado de lá, acenavam seus lenços de despedida para os que partiam para cá, enfrento minhas próprias tormentas e vou além-mar: retomo palavras que ilustram os meus anseios, e solto a voz a entoar meu novo fado...
Há uma música do povo
(Poema de Fernando Pessoa, musicado por Mário Pacheco)
Jerusalém... ...uma inserção na história, nas crenças, nos valores... ...a exposição da luta universal pela sobrevivência traduzida por becos, ruelas, penduricalhos amontoados em lojas, imagens brilhantes em vitrines... Com trêmulas inscrições nas paredes, e pacificada nos stands comerciais, a cidade se compõe e se mostra... Montado nos belos vitrais dos grandes templos, o ideal de bondade e solidariedade propõe um caminho... Os homens ali, pasmos, minúsculos diante do que se lhes apresenta, gigantes dentro de si, por sobre as pedras de Jerusalém testemunham o milagroso desabrochar de uma papoula.
Enquanto debatemos aqui as aventuras do nosso governo, no Reino Unido a discussão é outra: como alinhavar um acordo para que o BREXIT* seja concluído? como deixar a União Europeia (UE) de forma menos traumática?
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"God save the Queen" - o hino do Reino Unido
Por não ter conseguido concluir as negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia, Theresa May renunciou ao cargo de primeira-ministra do Reino Unido. Para ocupar o seu lugar, o ex-prefeito de Londres e ex-ministro de Relações Exteriores do Reino Unido, Boris Johnson, foi escolhido.
Boris Johnson assumiu, de fato, uma tarefa dificílima. E, conforme já pronunciou, caso o Reino Unido não consiga chegar a um consenso com a UE até o prazo limite (31/outubro), a saída do Bloco ocorrerá mesmo sem acordo.
Ainda ontem, no Palácio de Buckingham, em audiência privada e de forma simbólica, a Rainha Elizabeth II entregou a Boris Johnson o cargo para o qual ele foi designado.
Eu aqui, matutando com meus botões, percebo nesse novo premiê um perfil impulsivo: tem pinta de latino! Aquele "cabelão" amarelo, desarranjado sobre sua cabeça, não combina com o cargo que agora ocupa... Acho até que, na intimidade, nas noites de balada, seus cabelos amarelos são tingidos de preto; que, bem ajeitados com um perfumoso e brilhante creme, são penteados geometricamente - à la Gardel**.
Deixando o Boris de lado, percebi que a Rainha, ao "entregar" o cargo ao novo premiê, trazia uma bolsa dependurada em seu braço. E, agora, essa questão da bolsa passou a me incomodar: o que será que estava guardado nela? uma lixa de unhas? um estojo de maquiagem? um lencinho bordado? alguns bombons? ou o esboço de um plano estratégico, definitivo e inarredável, para o BREXIT? Sei lá. O conteúdo da bolsa da Rainha é questão de Estado! Mas que fiquei curioso, não tenho como negar.
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*BREXIT - abreviação de "British Exit", uma expressão inglesa que significa “Saída Britânica”, referindo-se à decisão sobre a saída do Reino Unido do bloco econômico europeu.
** Carlos Gardel - o mais famoso cantor de tango da história.
Apago a luz do dia, embarco em uma caravela de amores, e navego por um mar de poesia ...
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Roberta Sá, António Zambujo, Yamandú Costa
"Eu já não sei"
https://www.youtube.com/watch?v=kTSrLrw6gWQ
EU JÁ NÃO SEI
(Domingos Gonçalves Costa e Carlos Rocha)
Eu já não sei Se fiz bem ou se fiz mal Em pôr um ponto final Na minha paixão ardente
Eu já não sei Porque quem sofre de amor A cantar sofre melhor As mágoas que o peito sente
Quando te vejo e em sonhos sigo os teus passos Sinto o desejo de me lançar nos teus braços Tenho vontade de te dizer frente a frente Quanta saudade há do teu amor ausente
Num louco anseio, lembrando o que já chorei
Se te amo ou se te odeio Eu já não sei
Eu já não sei Sorrir como então sorria Quando em lindos sonhos via A tua adorada imagem
Eu já não sei
Se deva ou não deva querer-te Pois quero às vezes esquecer-te Quero, mas não tenho coragem
Quando te vejo e em sonhos sigo os teus passos Sinto o desejo de me lançar nos teus braços Tenho vontade de te dizer frente a frente Quanta saudade há do teu amor ausente Num louco anseio, lembrando o que já chorei Se te amo ou se te odeio Eu já não sei
Num louco anseio, lembrando o que já chorei Se te amo ou se te odeio Eu já não sei
Independente de ser de alegria ou de dor o sentimento que esse antigo fado me traz, fico comovido com a capacidade humana de expressar o belo...
"Eu já não sei", de tão bonita, confirma o adágio: "Não se tem um coração impunemente!" Entonces, meu raro leitor, humildemente vos peço: - bring me my guitar, apague le soleil... dame una botella de vino: hoy me emborracho... de música e poesia..."
Em uma madrugada não muito distante, acordei com a sensação de que aquele astronauta norte-americano desaparecido no espaço (Major Tom) estava de volta à Terra. Lembrei-me de que sua missão havia falhado, de que os jornais, após a tragédia, criticaram muito os países do primeiro mundo pelo desperdício do dinheiro empregado em projetos absurdos. Depois de ter entrado no espaço sideral, depois de ter saído da cápsula de sua nave, depois de ter informado que havia visto as estrelas sob um outro ângulo, depois de ter confirmado a constatação de Gagarin de que a terra é azul, suas conexões com a torre de comando foram perdidas - e o astronauta solitário ficou flutuando no espaço... flutuando... flutuando... e não retornou à Terra. Muitas décadas se passaram. Aquela missão malsucedida tornou-se apenas um número frio anotado em um quadro de estatísticas. Naquela madrugada, pelas ondas de rádio, as transmissões foram subitamente interrompidas. A voz distante de alguém que se identificava por Major Tom, tomando todas as estações em ondas curtas, médias e FM, dizia que tinha muita vontade de contar ao mundo o que havia descoberto. Ele dizia que estava feliz, que a esperança no bem da humanidade ainda não havia deixado de existir. Dizia que continuava tentando estabelecer contato com a Terra, que pensava em relatar sua experiência cósmica, mas que temia ser ridicularizado pela propagação da simplicidade das descobertas que havia feito. Por alguns instantes eu ouvi aquela voz dizer, em um Inglês bastante compassado e compreensível, que o homem nasceu para ser livre e fazer suas próprias descobertas; que as escolhas feitas, se advindas de interferências externas, não fazem do homem um ser amadurecido e realizado; que as verdades não são únicas; que o planeta Terra sempre esteve destinado a ser habitado por seres de bom coração que desconhecem palavras de ódio e que se harmonizam uns com os outros, assim como o planeta Terra se harmoniza com todo o universo. Logo após ter ouvido aquela mensagem revestida de pureza e simplicidade, percebi que as estações de rádio deixaram de transmitir seus programas habituais. Ainda sem entender o significado do que ocorrera, levantei-me da cama e fui até a janela. Lá fora, na escuridão, a cidade dormia seu sono reparador. Nenhuma luz iluminava as ruas ou as calçadas; nos imóveis, nenhum despertar; nenhum movimento, nenhum veículo; nenhum barulho... Lá longe, a lua... No céu, bem pertinho do horizonte, dentre muitas, uma estrela em movimento fez uma alegoria para, em seguida, desaparecer...
Depois, pensando na harmonia do universo, voltei a me deitar e adormecer... até que a claridade de um novo dia me despertou. E eu me levantei cheio de fé e esperança, querendo crer que, na cidade, entre as pessoas, uma grande transformação havia se processado...
Starman (David Bowie)
Didn't know what time it
was,
The lights were low
I leaned back on my
radio
Some cat was layin' down
Some rock 'n' roll
'lotta soul, he said
Then the loud sound did
seem to fade
Came back like a slow
voice on a wave of phase
That weren't no D.J.
that was hazy cosmic jive
There's a starman
waiting in the sky
He'd like to come and
meet us
But he thinks he'd blow
our minds
There's a starman
waiting in the sky
He's told us not to blow
it
Cause he knows it's all
worthwhile
He told me:
Let the children lose it
Let the children use it
Let all the children
boogie
I had to phone someone
so I picked on you
Hey, that's far out so
you heard him too!
Switch on the Tv we may
pick him up on channel two
Look out your window I
can see his light
If we can sparkle he may
land tonight
Don't tell your poppa or
he'll get us locked up
In fright
There's a starman
waiting in the sky
He'd like to come and
meet us
But he thinks he'd blow
our minds
There's a starman
waiting in the sky
He's told us not to blow
it
Cause he knows it's all
worthwhile
He told me:
Let the children lose it
Let the children use it
Let all the children
boogie
Homem das
estrelas
Não
sei que horas eram
As
luzes estavam baixas
Me
voltei para o rádio
Um
gato estava deitado
Um
rock n'roll com muito soul, dizia a música
Então
o som alto parecia ir reduzindo
Voltou
como uma voz baixa numa maré alta
Não
era nenhum DJ, eram notícias cósmicas nebulosas
Há
um homem estelar esperando no céu
Ele
gostaria de vir e nos encontrar
Mas
ele acha que iria confundir nossas idéias
Há
um homem estelar esperando no céu
Ele
nos disse para não confundir
Porque
ele sabe que isso é valioso
Ele
me disse
Deixe
as crianças sossegadas
Deixe
as crianças usarem a cabeça
Deixe
as crianças se divertirem
Eu
tinha que ligar para alguém então eu te liguei
Ei,
isso foi para longe então você também o ouviu!
Ligue
a TV nós podemos sintonizá-lo no canal dois
Olhe
pela janela eu posso ver a luz dele
Se
pudermos sinalizar talvez ele possa pousar hoje à noite
Não
diga ao seu pai ou ele irá nos deixar de castigo