quarta-feira, 23 de junho de 2021

O QUE HOUVE, CORAÇÃO?*




(fonte: http://astrologiadadepressao.com/2014/01/08/mapas-maysa-monjardim/)


"Não tire da minha boca esse beijo,
nunca confunda carinho e desejo,
beba comigo a gota de sangue final".
(Ângela Ro Ro)


(CLIQUE PARA OUVIR ENQUANTO LÊ)
(Pink Floyd - "Don't leave me now" - trecho do filme "The Wall")
https://www.youtube.com/watch?v=NDNnvxoPPJg


     O que houve, coração? Cansaste? Estiveste tão distante. Para onde foste? Porque me abandonaste? Fiquei aqui, nessa sala fria, deitada, meu calor minguando... Por algumas frações de segundo estiveste afastado de mim. Ao meu lado, à medida que meu cansaço aumentava, algumas vozes desesperadas iam perdendo a intensidade. Onde estiveste quando te procurei?  Onde estiveste, coração, naquela hora?

     Na sua ausência, uma pressão compassada, forte e desesperada, tomou conta do meu peito, trazendo-me a sensação de que alguém te procurava. Sem sentir o seu ritmo, coração, não tendo o que dizer, permaneci calada. Eu nada sabia informar a seu respeito.

     Porém, aos poucos percebi que voltaste. Teria sido por compaixão? Por indecisão? Atendeste ao chamado daquelas mãos que me pressionavam. Passei a ouvir novamente, ao meu redor, aquelas vozes que sugeriam, naquele momento, alívio com o seu retorno.

     Eu, porém, depois de um breve espasmo, permaneci calada, imóvel. Senti-me fraca e desamparada com a sua ausência. Enfraquecida, nada mais conseguia elaborar, a não ser perguntar calada, a mim mesma, para onde tinhas ido, porque havias desistido de mim.

     Por muitos anos suportaste comigo toda sorte de sentimentos. Seu ritmo, incansável e companheiro, sempre fora determinante em todos os meus passos. Eu, porém, nunca havia me dado conta de que estavas ali, fiel e companheiro, e que também necessitavas de minha atenção...

     Egoísta, creio não ter te tratado com a intensidade de carinho que tu necessitavas. Creio que muitas vezes abusei de ti, exigi em excesso, e te causei desgosto. Fiz com que sofresses por pequenos rancores, por tolas ilusões e questões insignificantes. Porém, nunca poderia imaginar que assim, de repente, sem qualquer advertência prévia, pudesses desistir de mim, me deixar tão fria e só.

     Nunca mais me abandones, coração. Haverá um dia em que seu cansaço vai me fazer compreender que precisas partir. Porém, ainda é muito cedo, ainda há muito o que fazer. Preciso da sua companhia, da sua alegria, do seu ritmo quente, compassado e constante. Não me deixes, não me abandones... Fique comigo até que nos sintamos cansados juntos, até cairmos exaustos de vida, até que nossos anseios sejam todos eles consumados.

_________________________________ 
*Considerações hipotéticas em relação aos pensamentos de uma jovem amiga que, enquanto submetida a um procedimento cirúrgico de baixo risco, sofreu uma parada cardíaca (e hoje, recuperada, do outro lado da tela, com um copo de uísque em uma das mãos e um cigarro na outra, saudou-me com um sorriso no rosto).

quinta-feira, 13 de maio de 2021

JUAN ROCASALBAS TURA

 

Juan Rocasalbas Tura (1913 - 2009)

Foto: acervo pessoal


    Hoje, treze de maio, estaríamos comemorando o 108º aniversário de nascimento do Juan. Ao me lembrar dele reli uma biografia sua que se encontra nos arquivos da Câmara Municipal de Guará, e da qual, a pedido, uma cópia me foi enviada muito gentilmente pelo meu amigo Cesinha. Não consta, na biografia, o nome de seu autor. Esta biografia foi juntada a um projeto de Decreto-Legislativo, o qual resultou na concessão do título de "Cidadão Guaraense" ao Juan, em março de 2008.

    Juan, casado em segundas núpcias com minha mãe, faleceu em Guará, SP, aos 96 anos de idade, no dia primeiro de maio de 2009.

    A seguir transcrevo, literalmente, a biografia apresentada em 2008.  


CLIQUE NA SETA PARA OUVIR


Arturo Gatica - Silencio (Gardel, Lepera e Pettrorossi

https://www.youtube.com/watch?v=LKCmjP8VLAg


     "O pintor e escultor Juan Rocasalbas Tura, dentro de sua trajetória artística desde a sua infância, a primeira idade de estudos na Espanha, até seu desenvolvimento posterior na Argentina, representa uma expressão peculiar, de amplas experiências plásticas no mural, nos monumentos públicos, na estátua e no quadro.

     "Juan Rocasalbas é herdeiro de uma larga tradição artística europeia.

     "Ele nasceu numa região da Espanha, a Catalunha, no Nordeste da Península Ibérica, na qual as influências dos estilos tradicionais do romântico, do gótico, do barroco, conjuntamente com uma mente muito pesquisadora e atualizada, representada por nomes como Picasso, Nomell, Miró, Tapies e muitos outros que nasceram e cresceram na Catalunha, fazem de um ser com inquietude artística, um predestinado ao ecumenismo mediterrâneo, pleno das aportações gregas, romanas, bizantinas e também propicia sua ligação intelectual com os restantes países da Europa, pela proximidade da Catalunha com a fronteira da França, Suíça e Itália.


     "Com uma vida intensa de obras gigantescas, nestes últimos anos, Juan deseja um repouso e uma reconsideração de suas atividades.


     "Em 1980 muda-se para Guará, uma pequena cidade no norte do Estado de São Paulo, junto com sua senhora, natural da região, e divide seu tempo com longas estadias em seu apartamento em Buenos Aires, junto a famosa Rua Corrientes, e aos poucos recomeça uma nova etapa de forma modesta, e quase incógnita.


     "Retorna à pintura, desta vez com as paisagens da Alta-Mogiana, seus tipos e cores.


     "Faz escultura isolada e, mais que nada, volta a pesquisar uma nova fase, numa homenagem a sua vida atual, resolvendo a verdade de uma obra plástica acumulada em tantos anos. Em obras tranquilas, de autossatisfação inegável, inspirada na madura contemplação, e com a clara imagem de sua atividade não sujeita a pressas, a viagens cansativas, exaustivas.


     "Agora, este espanhol-argentino-brasileiro, convertido por tantos trabalhos e experiências, obtém o melhor ganho, o carinho e a amizade de todos que o cercam, apreciadores de sua arte, recolhendo na magia das cores serenas de seus quadros, a verdade do seu entorno e sua vida.


     "É ainda de se esperar de Juan Rocasalbas Tura surpresas, revelações para a arte brasileira, já que se espera dele que comece seu ciclo de exposições.


     "Já sem pressa, mas também sem pausa, como no famoso lema de Goethe, Juan Rocasalbas Tura vai nos transmitindo suas verdades plásticas, sempre renovadas e eternas.


     "Juan Rocasalbas Tura nasceu no dia 13 de maio de 1913, na pequena cidade de San Feliu de Codinas, perto de Barcelona, na Espanha. Foram seus pais: Francisco Rocasalbas e Natividade Tura.


     "Desde criança desenhava paisagens de sua Catalunha natal, os campos, os pastos, os animais, os caminhos que o levavam à escola, às vezes alertado pelo professor para dar mais atenção às lições, pois o desenho fazia com que se esquecesse até do lugar onde se encontrava, enchendo páginas e mais páginas dos cadernos de deveres com rabiscos ainda incipientes, mas já cheios de verdade, de um traço firme e uma atenção de especial caráter de sua região.


     "Depois de alguns anos chegou a ser autorizado por seus pais a frequentar cursos livres da escola Masana, em Barcelona, de longa tradição nas artes plásticas catalanas.


     "Logo então definiu suas preferências de tons de cores quentes misturadas com sentimentos e que até hoje domina suas paisagens.


     "Juan estudou por pouco tempo e partiu com seus pais para a florescente República Argentina. Era o ano de 1931, e Buenos Aires já, naquela época, era uma referência cultural máxima dentro da América do Sul.


     "Uma imigração intensa, de bom nível social e de uma grande comunidade de trabalho, tinha criado um país praticamente sem analfabetismo, onde as ciências e as artes, junto com uma agricultura, comércio e indústria de grande importância, começavam a espalhar sua influência e presença pelo mundo. O jovem Juan se integrou imediatamente naquele ambiente.


     "Ao mesmo tempo que ajuda seus pais nos negócios da família, que prosperava junto seu país de adoção, no comércio e em atividades imobiliárias, pinta paisagens, doando seus trabalhos à família e amigos.


     "Em 1942 casa-se com Esther Amestov, filha de franceses, que o incentivou a continuar seus estudos artísticos. Muitos anos depois, em 1952, parte com sua esposa e duas filhas - Alícia e Cristina – para o Brasil, chegando ao Rio de Janeiro. Alterna suas atividades comerciais e serviçais introduzindo na cidade os primeiros sistemas modernos de alarmes contra roubo, sempre acompanhando e participando dos movimentos artísticos da época, e vai captando o ambiente plástico brasileiro, introduzindo em suas obras alguns elementos, cores e formas tropicais, uma maior exuberância e uma certa animação colorida, ainda que sempre teve sua preferência cromática que o acompanharia até nas obras atuais.


     "Nessa época, torna-se amigo de um jovem artista espanhol, Julio Espinosa, recém chegado ao Rio de Janeiro, e com quem começa a executar diversos murais, em pintura e escultura, para o Sindicato dos Aeroviários, Vogue, Olga e outras empresas comerciais.


     "Juan Rocasalbas acompanha este trabalho e se contagia do gosto pelos grandes espaços.


     "Executa, já naqueles anos cinquenta, vários trabalhos com Julio Espinosa no Brasil e no exterior. Alguns anos depois Julio volta para a Espanha e Juan fixa-se novamente em Buenos Aires, com atividades artísticas, mas já com a característica dos grandes espaços.


     "Em 1972 Juan faz uma viagem à Europa encontrando-se com Julio Espinosa em Madri, na Espanha, incentivando-o a voltar ao Brasil, sendo que nove meses depois Juan e Julio estariam novamente juntos, agora em uma fase de muito êxito não só no Brasil, como também no exterior.


     "Em 1976 faleceu sua esposa Esther, e Juan continua seus trabalhos por mais quatro anos, para finalmente tomar novos rumos.


     "Em 11 de setembro de 1980 casou-se novamente com Therezinha Deise Prado Antônio, que o incentivou a realizar novos trabalhos.


     "Juan Rocasalbas Tura fez muitos quadros que foram presenteados a todos de sua família e a vários amigos, mas seu sustento estava nos murais e esculturas. Somente no Rio de Janeiro estão mais de 50 grandes obras, como na Caixa Econômica Federal na Av. Barão do Rio Branco, a ECT da Av. Presidente Vargas, com murais de mil metros, as obras do Banco do Brasil, Banerj, o shopping da Gávea, Shopping Vanesa do Leblon, sede da Loteria Federal, Igreja de São Judas Tadeu de Niteroi, e grandes edifícios nas construtoras João Fortes, Moura Matta, Valparaiso, Concal etc.


     "Fora do Rio de Janeiro, obras como ECT de Brasília, Grandes Edifícios de São Paulo, e mais uma grande quantidade de prédios nesta e em outras cidades têm a marca do grande artista.


     "Muitos trabalhos e técnicas foram levados a Nova Iorque, com os murais de Park Avenue do Banco Comind de São Paulo, do Banco Interseco de Panama, com obras inéditas neste país com até 28 murais num só edifício, e um dos maiores monumentos, com 14 metros de altura, do Panamá, num gigantesco relógio-escultura.


     "Depois volta à Europa, passando pela terra natal onde pinta paisagens de San Feliu de Codinas, dedicando e doando seus trabalhos aos seus conterrâneos que havia muito não encontrava.


     "Hoje Juan passa horas pintando e dedicando-se a suas novas amizades e a seu novo lar – Guará. Contudo, tem plena consciência de que jamais teria chegado ao que é se não tivesse tido contato, com auxílio de amigos, como o grande pintor e escultor Julio Espinosa, não só melhorando seus conhecimentos, como também tendo recebido dele as maiores atenções e os melhores conselhos, e também do pintor surrealista José Américo Nogueira, fica rendido o reconhecimento de Juan Rocasalbas Tura."

segunda-feira, 19 de abril de 2021

O DIA DO ÍNDIO

 


Fonte: https://www.cbc.ca/news/indigenous/status-indian-act-perry-bellegarde-afn-campaign-1.4701123


     O Decreto-lei 5540, de 1943 oficializou o dia 19 de abril como sendo o "Dia do Índio" no Brasil. O objetivo desse Decreto foi, simplesmente, fazer com que nos lembrássemos, anualmente, do quanto os indígenas contribuíram para a formação do povo brasileiro.

     Internacionalmente, a ONU também criou uma data visando a conscientização mundial sobre a preservação e a importância dos direitos e da cultura indígenas. Assim, 09 de agosto é considerado o Dia Internacional dos Povos Indígenas.

     Nós sabemos que, antes mesmo da chegada de Colombo, no final do século XV, os países do continente americano eram habitados por grandes nações indígenas. E, a partir daí, os incas, os astecas e os maias foram estraçalhados pelos europeus; muitas tribos indígenas foram totalmente dizimadas, e grande parte de sua cultura foi suprimida, também pelos europeus. 

     Como se tudo isso não bastasse, ouro, prata, minérios, pau-brasil etc, as riquezas do continente americano, a partir de então, passaram a ser levadas para a Europa sem que houvesse compensação alguma por tal dilapidação de patrimônio. Sob o prisma eurocêntrico, qual o nome que poderíamos dar a essa maneira de proceder: furto? roubo? exploração? saque? empréstimo? Um quilo de ouro por um facão ou um espelho: escambo? Houve autorização dos povos indígenas para que tal transferência de patrimônio pudesse ser feita?

     Assim, levando em consideração os mais de 500 anos que se passaram desde a chegada do europeu ao continente americano e, consequentemente, da exploração não compensada das riquezas aqui existentes, o que nos parece é que qualquer cobrança de um país europeu, de dívida contraída por algum país situado no continente americano, precisa ser reavaliada para se poder apurar quem é o credor e quem é o devedor.

     À luz de tal raciocínio, atribuiu-se a um representante de nações indígenas mexicanas uma manifestação diante de representantes das nações europeias, argumentando serem eles, os habitantes do continente americano, em especial da américa latina, credores, e não devedores aos europeus.

     Eis a manifestação*:


CLIQUE NA SETA


https://www.youtube.com/watch?v=-4Wx6HIfBzo

________________

"Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a "descobriram" só há 500 anos. O irmão europeu da aduana me pediu um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram. O irmão financista europeu me pede o pagamento - ao meu país- , com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse. Outro irmão europeu me explica que toda dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros sem pedir-lhes consentimento. Eu também posso reclamar pagamento e juros.

Consta no "Arquivo da Cia. das Índias Ocidentais" que, somente entre os anos 1503 e 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América.

Teria sido isso um saque? Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento! Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão.

Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo e a atual civilização europeia se devem à inundação de metais preciosos tirados das Américas.

Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas indenização por perdas e danos.

Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva.

Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano "MARSHALL MONTEZUMA", para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra, da poligamia, e de outras conquistas da civilização.

Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses fundos?

Não. No aspecto estratégico, dilapidaram nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros reichs e várias formas de extermínio mútuo. No aspecto financeiro, foram incapazes, depois de uma moratória de 500 anos, tanto de amortizar o capital e seus juros quanto independerem das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo.

Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar e nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos em cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo.

Nos limitaremos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, com 200 anos de graça. Sobre esta base e aplicando a fórmula europeia de juros compostos, informamos aos descobridores que eles nos devem 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, ambas as cifras elevadas à potência de 300, isso quer dizer um número para cuja expressão total será necessário expandir o planeta Terra.

Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados em sangue?

Admitir que a Europa, em meio milênio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para esses módicos juros, seria como admitir seu absoluto fracasso financeiro e a demência e irracionalidade dos conceitos capitalistas.

Tais questões metafísicas, desde já, não inquietam a nós, índios da América. Porém, exigimos assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente e que os obriguem a cumpri-la, sob pena de uma privatização ou conversão da Europa, de forma que lhes permitam entregar suas terras, como primeira prestação de dívida histórica..."

____________________

     Pode ser que essa manifestação nunca tenha ocorrido, que o representante das comunidades indígenas mexicanas - e americanas, por extensão - nunca tenha existido. No entanto, faz todo sentido o conteúdo do suposto discurso proferido, e vale como reflexão em relação a dívidas cobradas por países espoliadores das riquezas dos países do continente americano.

     Por fim, em uma avaliação geral, creio que a Europa, em relação ao continente americano, e em especial em relação aos países latino-americanos, segue devedora de uma fortuna impagável - e crescente, pelo acréscimo de juros.


_____________________ 

*Fonte: https://revistaforum.com.br/blogs/mariafro/bmariafro-discurso-do-embaixador-guaicaipuro-cuatemoc-uma-licao-de-historia-quica-de-direito-internacional/

sábado, 3 de abril de 2021

"EL IMAGINERO"

 


Gabriela Mistral (1889-1957)

https://recantodopoeta.com/gabriela-mistral/


GABRIELA MISTRAL é o pseudônimo da poetisa e diplomata chilena, Lucila de Maria del Perpetuo Socorro Godoy Alcayaga (1889-1957) - prêmio Nobel de Literatura de 1945. Questionando imagens religiosas, ela assim se expressou:


CLIQUE NA SETA


"El imaginero" - (Gabriela Mistral)

https://www.youtube.com/watch?v=GJ8q0tweuAw


EL IMAGINERO

(Gabriela Mistral)

 

De qué quiere Usted la imagen?

Preguntó el imaginero,

tenemos santos de pino,

hay imágenes de yeso,

mire este Cristo yacente,

madera de puro cedro,

depende de quien la encarga,

una familia o un templo,

o si el único objetivo

es ponerla en un museo.

 

Déjeme pues que le explique,

lo que de verdad deseo.

 

Yo necesito una imagen

de Jesús El Galileo,

que refleje su fracaso

intentando un mundo nuevo,

que conmueva las conciencias

y cambie los pensamientos,

yo no la quiero encerrada

en iglesias y conventos.

 

Ni en casa de una familia

para presidir sus rezos,

no es para llevarla en andas

cargada por costaleros,

yo quiero una imagen viva

de un Jesús Hombre sufriendo,

que ilumine a quien la mire

el corazón y el cerebro.

 

Que den ganas de bajarlo

de su cruz y del tormento,

y quien contemple esa imagen

no quede mirando un muerto,

ni que con ojos de artista

sólo contemple un objeto,

ante el que exclame admirado

¡qué torturado más bello!

 

Perdóneme si le digo,

responde el imaginero

que aquí no hallara seguro

la imagen del Nazareno.

 

Vaya a buscarla en las calles

entre las gentes sin techo

en hospicios y hospitales

donde haya gente muriendo

en los centros de acogida

en que abandonan a viejos,

en el pueblo marginado

entre los niños hambrientos,

en mujeres maltratadas

en personas sin empleo.

 

Pero la imagen de Cristo

no la busque en los museos,

no la busque en las estatuas,

en los altares y templos.

 

Ni siga en las procesiones

los pasos del Nazareno,

no la busque de madera,

de bronce de piedra o yeso,

¡mejor busque entre los pobres

su imagen de carne y hueso!

O SANTEIRO

 

 

De que quer você a imagem?

Perguntou-lhe o santeiro:

Temos santos de pinho,

Há imagens só de gesso

Olhe este Cristo jacente,

Madeira de puro cedro,

Quem encomenda decide,

Uma família, uma igreja,

Ou se o único objetivo

É expô-la em um museu.

 

Deixe-me, pois, que lhe explique,

O que desejo de verdade.

 

Eu necessito uma imagem

De Jesus, o Galileu,

Que reflita o seu fracasso

Em busca de um mundo novo,

Que comova as consciências,

E que mude os pensamentos.    

       Eu não a quero guardada

Em igrejas e conventos.

 

Nem em casas de família

A presidir orações,

Não é para ser levada em andores

Carregada por voluntários.

Eu quero uma imagem viva

De um Jesus homem sofrendo

Que ilumine a quem o mire

O coração e o cérebro.

      

Que inspire vontade de retirá-lo     

De sua cruz e tormento,

E quem contemple a imagem

Não fique olhando um morto,

Nem com os olhos de artista

Só contemple um objeto

Diante do qual exclame admirado

“Que belo esse torturado!”

 

Perdoe-me se inda lhe digo,

responde ainda o santeiro,

Aqui não encontrará certamente

A imagem do Nazareno.

 

Vá procurá-la nas ruas

Entre o povo sem abrigo,

Nos hospícios e hospitais

Onde houver gente morrendo,

Nos centros de acolhimento

Onde abandonam os velhos,

No povo marginalizado,

Entre as crianças famintas,

Nas mulheres maltratadas,

E nas pessoas sem emprego.

 

Mas a imagem de Cristo

Não a procures nos museus,

Não a busque nas estátuas

Nos altares e templos.

 

Nem sigas nas procissões

Os passos do Nazareno,

Nem a busques de madeira,

De bronze, de pedra ou gesso,

É melhor procura entre os pobres

Sua imagem em carne e osso!

quinta-feira, 18 de março de 2021

ÁFRICA: DADOS GERAIS

 

África: divisão política (fonte: https://www.todamateria.com.br/paises-da-africa/)


PAÍS

População (milhões)- -densidade pop

REGIÃO 

IDH

0-188

INDEP

COLÔNIA

CAPITAL

REGIME POLÍTICO

ECONOMIA

LÍNGUA

MARROCOS

35,040

N

126

1956

02/03 - FR

07/04 - ESP

França / Espanha

Rabat

Monarquia Constitucional/ Parlamento

eleito

Agricultura, ind. Beneficiamento, mineração, turismo

Árabe, Berbere

TUNÍSIA

10,200

N

96

20/03/1956

França

Túnis

República

Semi

presidencialista Unitária

Agricultura, mineração, manufatura, turismo

Árabe

ARGÉLIA

42,230

N

83

05/07/1962

França

Argel

República

Semi

presidencialista

Hidrocarbonetos (gás natural), petróleo

Árabe, Berbere

LÍBIA

6,680

N

94

10/02/1947

Itália

Trípoli

Governo provisório

Petróleo, gás natural, gesso

Árabe

EGITO

92,790

N

108

28/02/1922 UK

18/06/1956 República

UK

Cairo

República

Semi

presidencialista

Agricultura, petróleo, gás natural, turismo

Árabe

MAURITÂNIA

4,400

Oc

156

28/11/1960

França

Nuaquexote

Rep.

Islâmica

da Mauritânia

Agricultura, pecuária

Árabe (de fato); Francês (de direito)

SENEGAL

15,850

Oc

170

04/04/1960

França

Dacar

Rep.

Semi

presidencialista unitária

Pesca

Francês

GÂMBIA

2,280

Oc

175

18/02/1965

UK

Banjul

Rep. presidencialista

Cultivo da terra, criação de animais

Inglês

MALI

19,080

Oc

179

22/09/60

França

Bamaco

Rep.

Semi

presidencialista

Agricultura (algodão)

Francês, Bambara e outras

GUINÉ

12,40

Oc

02/10/1958

França

Conacri

Rep. Presidencialista

Extração de minerais (bauxita, minério de ferro)

Francês

GUINÉ-BISSAU

1,870

Oc

178

24/09/73 declarada

10/09/74 reconhecida

Portugal

Bissau

República

semi

presidencialista

Agricultura, pesca, castanha de caju

Prtuguês (of); Crioulo da Gu Bissau (não of)

SERRA LEOA

5,870

Oc

181

27/04/1961

UK

Freetown

República

semi

presidencialista unitária

Rica em minerais; agricultura de subsistência

Inglês

LIBÉRIA

4,820

Oc

177

26/07/1847

EUA

Monróvia

República presidencialista

Agricultura (arroz, mandioca, café)

Inglês

COSTA DO MARFIM

25,070

Oc

172

07/08/1960

França

Abidjã

República presidencialista

cacau

Francês

BURQUINA FASSO

15,70

O

182

05/08/1960

França

Uagadugu

República

semi

presidencialista

Agricultura (sorgo, milho, amendoim), pecuária

Francês

GANA

28,30

Oc

140

06/03/1957

UK

Acra

República

semi

presidencialista

Agricultura (cacau, abacaxi)

Inglês

TOGO

7,970

Oc

27/04/1960

França

Lomé

República parlamentarista

Agricultura (mandioca, milho, algodão)

Francês

BENIN

10,880

Oc

166

01/08/1960

França

Porto Novo (constituc) e Cotonu (sede gov)

República presidencialista

Agricultura subsistência (algodão)

Francês

NIGÉRIA

174,000 – 188,9

Oc

158

01/10/1960

UK

Abuja

Rep

presidencialista federal

petróleo

Inglês

NÍGER

19,900

Oc

189

03/08/1960

França

Niamei

Rep

semi

presidencialista

Agricultura subsistência

Francês

CAMARÕES

23,740 – 49,90

CO

153

01/60 FR

10/61 UK

FR e UK

Yaoundê

Rep

presidencialista

Agricultura, petróleo

Francês e Inglês

GUINÉ EQUATORIAL

1,220 - 43,57

CO

182

12/10/1968

ESP

Malabo

República

semi

presidencialista

Cacau, café, madeira, petróleo

Espanhol

GABÃO

2,120 – 6,30

CO

110

17/08/1960

França

Libreville

República presidencialista

Subsolo rico: manganês, petróleo, gás

Francês

REP. DO CONGO

5,130 – 8,0

CO

15/08/60

França

Brazavile

República presidencialista

Atividade primária; petróleo

Francês

REP. DEMOCR. CONGO

86,890 – 37,05

CO

30/06/1960

Bélgica

Kinshasa

República

semi

presidencialista

mineração

Francês

ANGOLA

29,310 – 20,6

CO

149

11/11/1975

Portugal

Luanda

República presidencialista partido

unitário

Agricultura (café), rica em minerais, diamante, petróleo

Português

CHADE

14,152 – 11,02

C

187

11/08/1960

França

Jamena

República presidencialista

Agricultura subsistência

Francês, Árabe

REP CENTRO-AFRICANA

5,277 – 6,0

C

188

13/08/1960

França

Bangui

República semipresidencialista

Agricultura subsistência, gado

Francês, Sangho

ZÂMBIA

16,212 – 17,2

C

143

24/10/1964

UK

Lusaka

República

semi

presidencialista

cobre

Inglês

SUDÃO

39,578 – 17,0

Or

167

01/01/1956

Egito, UK

Cartum

Rep

Fed

Parlament

Solo rico, petróleo, minerais

Árabe, Inglês

ETIÓPIA

102,403-75,0

Or

173

Séc. I a.C. estabelecida

Invasão italiana 1935-1936

Adis Abeba

República

Federal

Parlament

agricultura

Amárico

ERITRÉIA

4,954 – 37,0

Or

182

24/05/1993

Etiópia

Asmara

Rep

presidencialista

Agricultura subsistência

Árabe, inglês

DJIBUTI

0,810 – 20,0

Or

171

27/06/1977

França

Djibouti

Rep semi

presidencialista

Criação de animais

Árabe, Francês, Somali

SOMÁLIA

10,817 – 16,12

Or

188

1960

26/06 UK

01/07 Itália

UK, Itália

Mogadíscio

Rep

parlamentarista

Agrícola

Somali, Árabe

QUÊNIA

49,300 – 58,0

Or

147

12/12/1963

UK

Nairobi

Rep

presidencialista

Agricultura, pecuária

Inglês, Suali

UGANDA

34,634 – 144,0

Or

159

09/10/1962

UK

Kampala

República

Chá, café, pescado

Inglês, Suali

RUANDA

11,262 - 320

Or

157

01/07/1962

Bélgica

Kigali

Rep

semi

presidencialista

Agricultura subsistência

Quiniaruanda, Francês, Inglês, Suali

BURÚNDI

12,006 - 429

Or

185

01/07/1962

Bélgica

Guitega

Rep pres

Muitos recursos naturais, mas muito pobre

Francês, inglês, Rundi

TANZÂNIA

52,482 – 38,0

Or

159

26/04/1964 unificação

UK Tangânica 12/61 e Zanzibar 12/1963

 

Dodoma

Rep

Fed

pres

agricultura

Suali

MALÁUI

18,091 - 130

Or

172

06/07/1964

UK

Lilongue

Rep pres

Agricultura, turismo

Inglês, Chewa

MOÇAMBIQUE

27,000 – 34,8

Or

180

25/06/1975

Portugal

Maputo

Rep semi

 

Português

ZIMBABUÉ

16,150 – 32,0

M

150

11/11/1965 declarada Rodésia;

18/04/1980 reconhecida Zimbabue

UK

Harare

Rep pres

 

Inglês e outras 15

NAMÍBIA

2,489 – 2,2

M

130

21/03/1990

África do Sul

Vinduque

Rep pres

Extração e processamento minerais

Inglês, várias línguas regionais

BOTSUANA

2,250 – 3,7

M

94

30/09/1966

UK

Gaborone

Rep

constituc

parlament

Mineração (diamante)

Inglês e Tsuana

ÁFRICA DO SUL

57,700 – 42,4

M

113

União Sul Africana-1910; Estatuto Westminister-1931; República-1961

UK

Pretória (execut), Cidade do Cabo (legisl), Bloemfontein (judic)

Rep

parlament

unitária

 

inglês, africâner e outras 9

LESOTO

2,170 – 68,1

M

164

04/10/1966;

Unific 1822;

Protetorado 1868

UK

Maseru

Monarquia constitucional

Agricultura subsistência

Soto, inglês

ESSUATINI (antes, SUAZILÂNDIA)

1,343 – 67,0

M

138

06/09/1968

UK

Mbabane

Diarquia

absoluta

Agric. Subsist (milho)

Inglês, suazi

CABO VERDE

0,560 - 118

IOc

126

05/07/1975

Portugal

Praia

Rep unit

semipres

Agricultura, riqueza marinha

Português

S TOMÉ E PRÍNCIPE

0,204 – 156,84

ICO

137

12/07/1975

Portugal

São Tomé

Rep semi

Turismo, petróleo

Português

MADAGÁSCAR

22,434 - 30

IOr

162

26/06/1960

França

Antananarivo

Rep semi

Agric., gado, pesca

Malgaxe, Francês

CAMORES

0,806 - 309

IOr

156

06/07/1975

França

Moroni

Rep

presid

federal

Agric., pesca, caça, silvicultura

Árabe, francês, comoriano

MAURÍCIA

1,356 – 606,28

IOr

66

12/03/1968 declarada;

12/03/1992 República

UK

Port Louis

Rep

parlament

Açúcar, chá, tabaco

Criouolo mauriciano, francês, ingles

SEICHELES

0,09 - 190

IOr

62

29/06/1976

UK

Victoria

Rep

presidenc

Turismo, agricult

Inglês, francês, crioulo de seicheles


LEGENDA REGIÃO:
N = Norte
Oc = Ocidental
COc = Centro-Ocidental
C = Central
Or = Oriental
M = Meridional
ICO = Ilha centro-ocidental
IOr = Ilha oriental
IOc = Ilha ocidental