sábado, 21 de fevereiro de 2026

DILERMANDO E O VIOLÃO


Dilermando Reis e Francisco Petrônio - "Se ela perguntar" - (Dilermando Reis/Jair Amorim)
https://www.youtube.com/watch?v=NRYNC9c8_ss&list=RDNRYNC9c8_ss&start_radio=1


    Pois é... o Dilermando Reis inspirou muita gente a querer abraçar o violão - eu, inclusive.

Eu, inclusive - (Foto: acervo pessoal)

    "Se ela perguntar", "Sons de carrilhões", "Uma valsa e dois amores", "Abismo de rosas" e tantas mais, foram, para mim, a trilha sonora diária em uma loja de calçados dentro da qual cantava a minha infância... foram a trilha sonora de uma rua... de uma cidade pequena....

A trilha sonora de uma loja de calçados
Foto: acervo pessoal

    Depois do Dilermando Reis, e estimulado por ele - em especial pelo LP "Uma voz e um violão em serenata" -, o Baden Powell, o Sebastião Tapajós... o Raphael Rabello, os irmãos Assad, o Turíbio Santos, o Fábio Zanon... o meu professor Geraldo... e tantos outros... o Paulinho Nogueira, o Toquinho, o Yamandú... o Theo de Barros... o Diego Figueiredo... fizeram e ainda fazem muita gente querer abraçar o instrumento.
    O violão de Dilermando Reis continua sendo, portanto, para mim, noite de cidadezinha sob o luar, esquecida no interior... esquecida talvez na "serra da boa esperança"... ou às margens do Sapucaí... O violão de Dilermando continua sendo noite de gente na rua... de quermesse na praça, de cadeiras nas calçadas, de alto-falantes em parques de diversões, de conversas com vizinhos, de mesa posta com café e sequilhos... de pães e doces trocados em cestos de vime sobre o muro do quintal...
    Violão é serenata... é noite de lua em varandas cheirando à flores e amizades: violão é isso!... porque foi assim que Dilermando o fez!

O violão continua sendo...
(Foto: acervo pessoal)


domingo, 8 de fevereiro de 2026

O RELÓGIO DA COZINHA PAROU DE FUNCIONAR


O relógio da cozinha parou de funcionar: dez e vinte da manhã...

O relógio da cozinha - Foto: acervo pessoal

Baden Powell e Maurício Einhorn - "Chuva" (Pedro Camargo/Durval Ferreira)
https://www.youtube.com/watch?v=3berCPW2big&list=RD3berCPW2big&start_radio=1

Ao longo dos anos ele vem se impondo... apontando a passagem dos minutos, a passagem do tempo... determinando a hora de me levantar, de tomar o meu café, de me preocupar... de me sentar à mesa para almoçar e jantar... e, à noite, para apagar as luzes e ir me deitar...

O relógio da cozinha parou de funcionar... Cansado, esgotado, pede que eu substitua a fonte de energia que comanda os seus movimentos... para continuar comandando os meus... para prosseguir com os seus giros... para continuar anunciando a necessidade de sentido para cada minuto...

Não quero mais que ele tome conta de mim... Quero que ele fique assim... parado... quieto... para que tudo em minha casa permaneça como está...

Chove... chove de mansinho... tudo está muito quieto nesta manhã de domingo... Passarei o dia em casa... eu e minha companheira.... eu, à mesa de estudos, cuidando de minhas anotações; ela, no sofá da sala de estar, atenta aos seus livros... Quero o tempo  assim... sem periodizações, sem delimitações... quero sombras e luzes... sem relógio, sem a imposição das horas... Quero a chuva lá fora... quero o silêncio dentro de casa. Pouco me importam as horas... pouco me importa o relógio...

Pela vidraça do meu quintal, um pequeno mamoeiro exibe o milagre da vida...

Um pequeno mamoeiro sorrindo para a vida
(foto: acervo pessoal)