IPÊ-AMARELO
Minha intenção é publicar aqui as reflexões que me ocorrem a respeito dos textos que leio, das músicas que ouço, dos diálogos que tenho com as pessoas, e das respostas que me são dadas pelo silêncio... e que me fazem sentir que, de alguma forma, trouxeram alguma inspiração. Afinal, o universo ao nosso redor só se torna inteiramente bonito quando conseguimos dar a ele algum significado; e, especialmente, quando sentimos necessidade de compartilhá-lo.
segunda-feira, 7 de setembro de 2026
RIBEIRÃO PRETO: 170 ANOS (E MAIS)... DE EMOÇÃO
sexta-feira, 21 de agosto de 2026
PEDRA E CAMINHO
Meu amigo Paulinho me escreveu dizendo que lembrou-se de mim ao ler um trecho de "Tudo sobre Deus" - romance do moçambicano José Eduardo Agualusa. Ele me conta que, no referido trecho, Agualusa cita o artista colombiano Leonel Vásquez - que, dizem, sabe "interpretar" e escutar pedras. E foi justamente pela menção a essa reverência de Vásquez às pedras, que a lembrança lhe ocorreu.
Fiquei contente. O Paulinho sabe que também tenho um certo apego às pedras. Em minha biblioteca, em uma estante bastante desorganizada, cuido e exponho algumas que guardam em si muitas histórias. Duas delas, que me foram presenteadas por ele, são de calcário: uma delas recolhida em Lisboa, nas margens no rio Tejo, e outra nas ruas de Cordisburgo - terra natal de Guimarães Rosa.
Juntamente com essas duas pedras, mantenho e exponho uma ametista - que foi a pedra que despertou a minha atenção e o meu interesse por todas. Essa ametista ficava na sala de jantar da casa de minha avó. De um aparador lateral ela testemunhava encontros de domingo, quando a família se juntava para conversar e celebrar a vida ao redor de uma mesa posta com pratos da culinária sírio-libanesa preparados por ela - a minha avó. Essa pedra concentra a lembrança do menino que fui, e também de todos os meus queridos familiares.
Igualmente em posição de destaque, guardo e exponho uma pedra vulcânica que me foi presenteada pelo Mar do Norte. Recolhida no momento em que eu acariciava as águas geladas da praia de Bamburgh, no norte da Inglaterra, essa pedra cutucou as minhas mãos diversas vezes, parecendo insistir em permanecer comigo: aceitei a proposta, e dei a ela morada em uma das estantes de minha biblioteca.
Gosto de pedras. Cada uma conta uma história - de um tempo, de um lugar, de um fato, de uma pessoa...
Mas há ainda uma outra "pedra" na minha biblioteca. Até me arrepio ao me lembrar dela. Feia e sinistra, pequena e escura, eu a escondo de mim mesmo e de todos os que me visitam. Originária das profundezas do sistema de filtragem do meu organismo, mantenho esse "monstro" embrulhado e sufocado na escuridão de uma gaveta, justamente por vingança... das dores terríveis que ela me causou há alguns anos... até o momento em que foi expelida naturalmente, depois de oceanos de água que fui orientado a consumir...
E assim, como se fossem flores, e feito um peregrino caminhante, sigo colhendo e adorando pedras para poder guardar, ouvir, interpretar e reinterpretar a minha própria história.
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Piedra Y Camino (Atahualpa
Yupanqui)
Del
cerro vengo bajando Camino
y piedra Traigo
enredada en el alma, viday Una
tristeza.
Me
acusas de no quererte No
digas eso Tal
vez no comprendas nunca, viday Porque
me alejo.
Es
mi destino Piedra
y camino De
un sueño lejano y bello, viday Soy
peregrino.
Por
más que la dicha busco, Vivo
penando Y
cuando debo quedarme, viday Me
voy andando.
A
veces soy como el río Llego
cantando Y
sin que nadie lo sepa, viday Me
voy llorando.
Es
mi destino, Piedra
y camino De
un sueño lejano y bello, viday Soy
peregrino. |
Pedra
e Caminho
Eu
venho descendo o morro Caminho
e pedra Traga
preso na alma, meu bem Uma
tristeza.
Você
me acusa de não te amar Não
diga isso Talvez
nunca entendas, meu bem Porque
me afasto.
É
o meu destino Pedra
e caminho De
um sonho distante e belo, meu bem Sou
um peregrino.
Por
mais que eu procure a felicidade, Eu
vivo sofrendo E
quando devo ficar, meu bem Eu
vou andando.
Às
vezes eu sou como o rio Chego
cantando E
sem ninguém saber, meu bem Me
vou chorando.
É
meu destino Pedra
e caminho De
um sonho distante e belo, meu bem Sou
um peregrino. |
quinta-feira, 6 de agosto de 2026
O BADEN E EU, COM O VINÍCIUS DE MORAES, NESSE SEIS DE AGOSTO
Ó minha amada
Que olhos os teus
São cais noturnos
Cheios de adeus
São docas mansas
Trilhando luzes
Que brilham longe
Longe nos breus...
Ó minha amada
Que olhos os teus
Quanto mistério
Nos olhos teus
Quantos saveiros
Quantos navios
Quantos naufrágios
Nos olhos teus...
Ó minha amada
Que olhos os teus
Se Deus houvera
Fizera-os Deus
Pois não os fizera
Quem não soubera
Que há muitas eras
Nos olhos teus.
Ah, minha amada
De olhos ateus
Cria a esperança
Nos olhos meus
De verem um dia
O olhar mendigo
Da poesia
Nos olhos teus.
sexta-feira, 31 de julho de 2026
DARK HORSE
quinta-feira, 28 de maio de 2026
O MEU BEM-TE-VI
Não sei para onde ele foi, mas eu o vi chegar. Fiquei atento... olhando... silenciosamente olhando... Ele veio de uma árvore, e pousou em cima de uma grade de ferro. Olhou ao redor, movimentou o corpo, abriu suas asas, e depois desceu em um voo ágil por sobre a superfície da água da piscina. Molhou o bico, as patas e o peito, fartou-se de água, e voltou a pousar na grade. Creio que tenha percebido que eu o observava. Mas não se intimidou. Olhou novamente ao redor e fez um novo voo rasante sobre a superfície da água... para em seguida pousar em uma mureta de pedras bem perto de mim. Bateu asas... olhou novamente ao redor... ergueu sua cabeça e cantou... cantou o seu canto... Parecia querer se exibir para mim... Fotografei-o. Assumi-o meu. Cantou novamente... Encantou-me. Encantado, fiquei observando sua manifestação de vida... de vida e de alegria: um bem-te-vi... um passarinho que viera me visitar... Imaginei-o prestes a voar, como prestes a voar estão sempre todos os passarinhos... Mas ele não voou... Ficou ali... mais alguns segundos... e outros mais... Para minha surpresa, um outro bem-te-vi, discreto e silencioso, das folhagens de uma árvore, veio pousar na mesma mureta de pedras, ao seu lado... ao lado daquele que havia sido, por alguns instantes, o "meu" bem-te-vi... o bem-te-vi que viera me visitar... para em seguida prosseguir no seu voo... acompanhado... embelezando outros espaços e jardins...
quinta-feira, 21 de maio de 2026
VILAREJO (O MEU)
segunda-feira, 30 de março de 2026
O SINO DA IGREJA
Há muito tempo não visitava Guará, minha terra natal. Hoje estive lá. Ao passar pela pela Praça 9 de Julho, o sino da igreja começou a badalar. Fiquei com a impressão de que ele queria conversar, inclusive comigo. Ouça a sua voz, a sua mensagem... E se puder entender, depois me conte:
- O que ele estava tentando nos dizer?
(02/09/2021)
quinta-feira, 5 de março de 2026
NEHIF ANTÔNIO - (97 anos)
sábado, 21 de fevereiro de 2026
DILERMANDO E O VIOLÃO
domingo, 8 de fevereiro de 2026
O RELÓGIO DA COZINHA PAROU DE FUNCIONAR
O relógio da cozinha parou de funcionar: dez e vinte da manhã...