Não sei para onde ele foi, mas eu o vi chegar. Fiquei atento... olhando... silenciosamente olhando... Ele veio de uma árvore, e pousou em cima de uma grade de ferro. Olhou ao redor, movimentou o corpo, abriu suas asas, e depois desceu em um voo ágil por sobre a superfície da água da piscina. Molhou o bico, as patas e o peito, fartou-se de água, e voltou a pousar na grade. Creio que tenha percebido que eu o observava. Mas não se intimidou. Olhou novamente ao redor e fez um novo voo rasante sobre a superfície da água... para em seguida pousar em uma mureta de pedras bem perto de mim. Bateu asas... olhou novamente ao redor... ergueu sua cabeça e cantou... cantou o seu canto... Parecia querer se exibir para mim... Fotografei-o. Assumi-o meu. Cantou novamente... Encantou-me. Encantado, fiquei observando sua manifestação de vida... de vida e de alegria: um bem-te-vi... um passarinho que viera me visitar... Imaginei-o prestes a voar, como prestes a voar estão sempre todos os passarinhos... Mas ele não voou... Ficou ali... mais alguns segundos... e outros mais... quando então, surpreendentemente, um outro bem-te-vi, discreto e silencioso, das folhagens de uma árvore, veio pousar na mesma mureta de pedras... ao seu lado... ao lado daquele que havia sido até então, por alguns instantes, o "meu" bem-te-vi... o bem-te-vi que viera me visitar...
Minha intenção é publicar aqui as reflexões que me ocorrem a respeito dos textos que leio, das músicas que ouço, dos diálogos que tenho com as pessoas, e das respostas que me são dadas pelo silêncio... e que me fazem sentir que, de alguma forma, trouxeram alguma inspiração. Afinal, o universo ao nosso redor só se torna inteiramente bonito quando conseguimos dar a ele algum significado; e, especialmente, quando sentimos necessidade de compartilhá-lo.
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