"O quarteirão paulista" - Ribeirão Preto, SP
(Foto: acervo pessoal)
De longe, de muito longe, deslizo meus dedos pelo mapa-múndi aberto sobre a mesa. Sigo em linha incerta, traçada com uma certa apatia, de uma cidade à outra, pelos quatro cantos do mundo. Nesse passeio, o coração mantém o seu ritmo compassado e constante... porém frio, como que eletronicamente programado. Instintivamente, e como se estivesse em busca de um lar, com a ponta do dedo vagueio pelo nordeste do Estado de São Paulo... e me detenho na marcação que indica a localização de Ribeirão Preto. Enquanto mantenho o dedo levemente pressionado sobre a cidade, no mapa, sinto no coração uma vibração inesperada... O coração se aquece, acelera... Por razões inexplicáveis, ainda com o dedo sobre a cidade indicada no papel, recebo tardes de sol, árvores frondosas, praças acolhedoras e pássaros em deslocamento... Há, nesse processo, uma certa pulsação involuntária que insiste em desarranjar o traçado linear, monótono e artificial, sugeridos por outras cidades do mapa. Ribeirão Preto, a ideia da cidade, a sua lembrança, a sua presença, tudo isso me transmite emoção... A cidade, as casas, os prédios, as ruas, os monumentos... o espaço personalizado... os espaços públicos com os quais mantive e mantenho uma grande cumplicidade... por onde caminhei e caminho... por onde transitam muitos Silvas, Marias e Josés com suas histórias, vitórias e tragédias pessoais, com seus sonhos e esperanças. Ribeirão é emoção... Ribeirão é inspiração... é história que o tempo não apaga das minhas lembranças... pelo que aqui construí e vivi, pelo que uma população inteira construiu e viveu, e que tem sua nascente em outros tempos... no tempo dos coronéis e dos cafezais... no tempo das carroças, no tempo dos caminhos... das ruas de chão batido... no tempo dos entregadores de pão e de leite, no tempo dos encontros pelas calçadas... no tempo dos antigos sonhadores... dos antigos sonhadores vivos e vibrantes no coração dos novos...