O relógio da cozinha parou de funcionar: dez e vinte da manhã...
O relógio da cozinha - Foto: acervo pessoal
Baden Powell e Maurício Einhorn - "Chuva" (Pedro Camargo/Durval Ferreira)
https://www.youtube.com/watch?v=3berCPW2big&list=RD3berCPW2big&start_radio=1
Ao longo dos anos ele vem se impondo... apontando a passagem dos minutos, a passagem do tempo... determinando a hora de me levantar, de tomar o meu café, de me preocupar... de me sentar à mesa e almoçar... jantar... E, à noite, indicar a hora que devo apagar as luzes e ir me deitar...
O relógio da cozinha parou de funcionar... Cansado, esgotado, pede que eu substitua a fonte de energia que comanda os seus movimentos... para continuar comandando os meus... para prosseguir com os seus giros... para continuar anunciando a necessidade de sentido para cada momento...
Não quero mais que ele tome conta de mim... Quero que ele fique assim... parado... quieto... esquecido... para que tudo em minha casa permaneça como está...
Chove... chove de mansinho... tudo está muito quieto nesta manhã de domingo... Passarei o dia em casa... eu e minha companheira.... eu, à mesa de estudos, cuidando de uma série de anotações; ela, no sofá da sala de estar, debruçada sobre os seus livros... Quero o tempo assim... sem periodizações, sem delimitações, sem imposições... quero sombras e luzes... sem horas... sem relógio... Quero a chuva lá fora... quero o silêncio dentro de casa. Pouco me importam as horas... pouco me importa o relógio...
Pela vidraça, no meu quintal, um pequeno mamoeiro anuncia a beleza da vida...
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