Minha intenção é publicar aqui as reflexões que me ocorrem a respeito dos textos que leio, das músicas que ouço, dos diálogos que tenho com as pessoas, e das respostas que me são dadas pelo silêncio... e que me fazem sentir que, de alguma forma, trouxeram alguma inspiração. Afinal, o universo ao nosso redor só se torna inteiramente bonito quando conseguimos dar a ele algum significado; e, especialmente, quando sentimos necessidade de compartilhá-lo.
sexta-feira, 22 de março de 2024
CAROLE KING E O "TOCHA"
"It's [never] too late" para falar da Carole King, do James Taylor e da Carly Simon - e do Paul Simon e do Cat Stevens, acrescento. "It's [never] too late" para me reorganizar e poder ouvir minhas playlists, com uma série de gravações marcantes que foram feitas por eles.
Carole King - "So far away" (Carole King) - do LP "Tapestry" (Epic, 1971)
https://www.youtube.com/watch?v=UofYl3dataU
O meu amigo "Big Boy", que, de tão romântico, acho que morreu de amores (por tudo e por todos), era proprietário de um fusca vermelho, ao qual apelidamos "tocha".
Nos finais das tardes de sábado o Big Boy estacionava o "tocha" na calçada do Bar do Vicente, na esquina da rua principal da nossa querida e minúscula cidade, e ali nós nos juntávamos em grupo de amigos, na calçada ao redor de uma mesa posta. E com as portas do "tocha" abertas, o Big Boy colocava para tocar uma fita k7 com as nossas gravações prediletas: "Wild world", "High out of time", "Tapestry", "That's the way I've always heard it should be", "Carolina on my mind", "Nobody does it better", "I haven't got time for the pain", "So far away"... "It's gonna take some time", "Embrace me, you child", "It's too late"... E de lá, da calçada do nosso fim de mundo, debaixo de uma árvore e das estrelas do céu, cantávamos e brindávamos com nossos queridos ídolos sem que eles, de algum lugar no mundo, tivessem conhecimento da maneira carinhosa que estavam sendo celebrados e que tocavam os nossos corações.
E nesse ambiente de música, conversa e bebida, como se já não houvesse comentado anteriormente inúmeras vezes, o Big Boy "filosofava":
- "Só de ouvir a voz da Carole King eu já tenho vontade de ir não sei pra onde.
E completava:
- "Vicente, traga mais cerveja aqui pra mesa... e, pra mim, mais um uísque caubói".
Com o pedido feito ao Vicente ele se levantava e entrava no "tocha", justificando sua movimentação:
- "Vou aumentar o som. Quem sabe, de algum lugar por aí, essa danada me escuta".
E a Carole King cantava:
- "So far away/ doesn't anybody stay in one place anymore/ it would be so fine to see/ your face at my door..."
E eu, perdido em meus pensamentos, ficava imaginando a Carole King sorrindo, atenta a cada comentário que íamos fazendo...
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