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("Triste berrante" - Solange Maria e Adauto Santos)
No último domingo trafeguei pela "estrada do matadouro". Fui de Guará a Franca. Era esse o caminho que fazia para chegar a uma represa - que nem sei se ainda existe. Minha grande aventura consistia em pedalar por aquela estrada enfeitada de árvores, cercas de arame, sol quente... e muita poeira.
A três ou quatro quilômetros da cidade estava o Matadouro Municipal. Ali eu sempre parava. Mas não me aproximava dos currais onde estavam os animais condenados ao abate. Mas eu não queria vê-los... Era doída a compaixão que sentia pelo que lhes haviam preparado. Então eu simplesmente me refrescava com água retirada de uma cisterna, apanhava goiaba no pé, e seguia em frente... ou então mudava de ideia e de rumo - e voltava para a cidade. Naquele tempo nada era definitivo; todos os destinos podiam ser alterados, pelo simples prazer de aproveitar o dia... e essa aventura durava todas as minhas horas.
("Minha maior aventura era caminhar ou pedalar por aquela estrada" - foto: http://farm4.staticflickr.com/3040/3033967645_5ec4922fca_z.jpg)
Por aquela estrada passavam cavaleiros conduzindo pequenas boiadas. Vi muitas. Ficava assustado... Por ali passavam também carroças puxadas por cavalo. Eu parava quieto... e ficava olhando... olhando.
Comandar um animal, de cima de uma carroça, era uma experiência que eu gostaria de ter tido. Nunca tive. Eu simplesmente olhava, com admiração, aqueles homens de chapéu e botinas de couro comandando seus animais com palavras de ordem...
Hoje, aquela estrada de pó, animais e goiabeiras já não existe mais. A carroça de então deu lugar ao automóvel, e o chão de terra virou asfalto.
Gostei do que vi. Gostei muito. Gostei de tudo o que a lembrança resgatou, e que a realidade me apresentou: a estrada sinuosa passando por Ribeirão Corrente, até chegar a Franca, com placas indicativas de caminhos nas curvas do seu relevo marcado pelos seus belos cafezais... e o céu lá longe, distante... azulzinho...
Hoje, aquela estrada de pó, animais e goiabeiras já não existe mais. A carroça de então deu lugar ao automóvel, e o chão de terra virou asfalto.
Gostei do que vi. Gostei muito. Gostei de tudo o que a lembrança resgatou, e que a realidade me apresentou: a estrada sinuosa passando por Ribeirão Corrente, até chegar a Franca, com placas indicativas de caminhos nas curvas do seu relevo marcado pelos seus belos cafezais... e o céu lá longe, distante... azulzinho...
(Cafezal na rodovia entre Franca e Ribeirão Corrente - foto: http://www.trekearth.com/gallery/South_America/Brazil/Southeast/Sao_Paulo/Ribeirao_Corrente/photo1099681.htm)
Quando era criança não fui de caçar passarinho. Mas, sem saber, fui menino de me encantar com o que descobria... para poder revisitar o que foi apagado... para poder rever, de repente e involuntariamente, quando a saudade bate à minha porte e pede para ficar...
*Rodovia Vicinal José Landim
("Comandar um animal de cima de uma carroça era um grande desafio que eu desejava ter" - fonte: arq. pessoal)
*Rodovia Vicinal José Landim






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