quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

THEREZINHA DEISE PRADO ANTÔNIO: RETRATOS DA VIDA


(CLIQUE NA SETA PARA OUVIR ENQUANTO LÊ)
("Bolero" - Maurice Ravel, 1928)


     Nascida em Jardinópolis, SP, no dia 24 de junho de 1931, Therezinha era filha de um funcionário público e de uma dona de casa. Em 1948 seus pais e seu único irmão mudaram-se para Guará-SP em virtude de nomeação de seu pai para o cargo de carcereiro na cidade. Nessa época Therezinha estava concluindo o Curso Normal no Colégio Sagrado Coração de Jesus de Jardinópolis, que a habilitaria para o magistério de 1º grau. Assim, não podendo acompanhar a família, ela continuou residindo em Jardinópolis em casa de uma família de amigos de seus pais.
     Concluído o curso Normal, em 1949, mudou-se para Guará. Nesse mesmo ano conheceu Nehif, filho de imigrantes libaneses, e com ele se casou em 1953.
     Começou sua vida de professora alfabetizando e ensinando crianças em uma fazenda situada no município de Guará. De bicicleta ou carroça, fazia todos os dias um percurso de vinte minutos até chegar à escola.
     Em seguida lecionou em Pioneiros, Distrito de Guará, de onde saiu para exercer o magistério na Fazenda Ouro Verde, na cidade de Junqueirópolis, SP. Ali ficou de maio de 1952 a maio de 1953, lecionando de manhã e à tarde, e morando com colegas de profissão em uma casa de fazenda ao lado da escola.
     Depois disso voltou a Guará para lecionar na fazenda "Faxina" (seu proprietário era o Sr. Américo Migliori – o Sr. Teté – já falecido).
     Em Guará Therezinha sempre esteve ligada ao “Grupo Escolar de Guará” – que hoje tem o nome de uma comadre sua: “Escola Municipal de Ensino Fundamental Professora Helena Telles Furtado”. Ali, em 1954, passou a lecionar para alunos do primeiro ano. Pelos seus ensinamentos passaram muitas gerações de guaraenses que levaram com carinho a lembrança de sua primeira professora – eu, inclusive.


(Profª Therezinha com seus alunos
Grupo Escolar de Guará - turma 1961 - arq. pessoal)

     No então “Grupo Escolar de Guará” fez grandes amizades que se estenderam ao longo do tempo. Dentre elas a Profa. Nadir Junqueira, a Profa. Mercedes de Paula, a Professora Eneida, os Professores Djalma Guelli e Maneco Chaud, a Dra. Dória, os Diretores Hélio Albertin, Arnaldo Nicolella, Ari Lima Santos, e muitos outros. E, vivendo sempre na mesma casa da Rua Carlos de Campos desde que se casou, teve na vizinhança os amigos de todo esse tempo e de todas as horas: Dona Irene e Sr. Mário; Dona Anita, Lazinha, Tiana, o professor Sother, o Sr. Carlos, os professores Joaquim e Gleide, a Dona Jupira, a professora Sônia, a professora e cunhada Anna Elias, a professora Maria Machado, e muitos outros.
     No ano de 1963 concluiu, na primeira turma de formandos, o curso Técnico em Contabilidade do “Colégio Comercial Municipal de Guará” - hoje “Escola Municipal Dr. Náufal Antônio Mourani”.


(Therezinha, a 1ª da dir para esq. - Conclusão curso Técnico em Contabilidade - 1ª Turma -
"Colégio Comercial Municipal de Guará" - arq. pessoal)

     Desse período, manteve acesa a amizade de seus colegas de turma - o Dr. Paulo Villela, o Professor Diocésar, o Massahiro Sakurai, Leikô, o Toninho e muitos outros. Nessa escola, anos mais tarde, depois de ter concluído o curso de Estudos Sociais na UNAERP em Ribeirão Preto, foi professora de História e Geografia. Também foi professora de Estudos Sociais e Educação Moral e Cívica nas Escolas Estaduais de 1º e 2º graus de Buritizal e Aramina, e na “Escola Estadual de 1º grau Professora Maria Peralta Cunha”, em Miguelópolis.
     Com habilitações em Trabalhos Manuais, Economia Doméstica e Desenho, obtidas respectivamente em 1954 e 1957, foi também professora de Desenho e Educação Artística nas Escolas Estaduais de 1º grau “Dr. Nehif Antônio”, em Guará, “Capitão Emídio” de Miguelópolis, “Professora Maria Peralta Cunha”, de Miguelópolis, “Escola de 1º e 2º graus Antônio Francisco D’Ávila” de Ipuã, e “Ginásio Estadual Humberto França”, em Ituverava.
     Além das aulas que dava nos períodos da manhã e tarde, cursava também Pedagogia na “Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Mogi das Cruzes”. Para lá viajavam com ela os Professores Manoel Chaud, Djalma Guelli e Mercedes de Paula. Concluiu o curso em 1970 e, em seguida, na mesma universidade, especializou-se em Orientação Educacional. Depois disso, em Ribeirão Preto, concluiu o curso de Supervisão Escolar na “Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Instituição Universitária Moura Lacerda”.
     Ficou viúva no ano de 1972, então com 40 anos de idade e dois filhos menores. Mas isso não a fez esmorecer. Therezinha abraçou com maior intensidade o seu trabalho, assumindo as cadeiras de Medidas Educacionais e Estudos de Problemas Brasileiros na “Instituição Universitária Moura Lacerda”, em Ribeirão Preto. Assim, lecionando no então curso ginasial no período da manhã nas cidades da região e no Grupo Escolar de Guará no período da tarde, passou a ocupar também suas noites ministrando aulas nos cursos de Graduação do Moura Lacerda em Ribeirão Preto - de 1971 a 1980.
     Para tanto, juntamente com os estudantes universitários, viajava todas as noites, de ônibus, em um percurso de uma hora até Ribeirão Preto, de onde retornava já de madrugada, para recomeçar sua jornada na manhã seguinte.
     Levou a vida assim, trabalhando na educação ininterruptamente, de manhã, à tarde e à noite, de 1971 a 1980. Além dos já citados, foram dezenas de cursos que concluiu - todos eles ligados à educação.
     Em uma viagem ao Rio de Janeiro, na casa de seus tios, conheceu Juan - um pintor e escultor espanhol viúvo, residente na Argentina, que se tornou seu segundo marido.
     Com ele casou-se no ano de 1980 em cerimônia religiosa na Igreja São José Operário na cidade de Araguari, MG - onde residia sua filha.
     A partir de 1981, já aposentada, passou a dividir os anos de tal forma que, com Juan, passavam seis meses em Guará e os outros seis em Buenos Aires. Juntos viajaram muito, conheceram muitos países, e em todos eles fizeram muitas amizades.
     Nos meses em que estavam em Buenos Aires, abriam as portas de seu apartamento e hospedavam com frequência muitos de seus amigos guaraenses. Ficou viúva pela segunda vez em 2009.
     Foi também uma associada muito atuante no Rotary Club de Guará – no qual ingressou em 1994.
     Por todo o seu envolvimento com as coisas de Guará, sua participação durante anos no Conselho Municipal de Assistência Social, nos programas sociais desenvolvidos pelos clubes de serviço e pela igreja católica, a cidade outorgou a ela, em 30/abril/2014, o título distintivo de “Cidadã Guaraense”.
     Descansou em 17 de fevereiro último, aos 85 anos, em virtude de doença pulmonar obstrutiva crônica. Deixou cinco netos e dois filhos - eu, um deles. 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

SE VOCÊ POR ACASO VISITAR AQUELE PAÍS...


(CLIQUE NA SETA PARA OUVIR ENQUANTO LÊ)
(Bob Dylan - "Girl from the North Country")
(https://www.youtube.com/watch?v=L-nYXv3tes0)


Se você por acaso visitar aquele país,
onde antigos navios de batalha ficavam ancorados em uma ilha,
onde a bandeira nacional era o consolo que tinham as casas suburbanas,
procure encontrar alguém que por ali viveu,
e que trazia o coração encantado pelas belezas do mundo.

Se estando lá, por acaso, trafegar pela Main Avenue,
que cortava a cidade em toda sua extensão,
tente encontrar uma casa colorida de flores na janela central,
bem na esquina com a Roselle Ave.,
de onde um par de olhos adolescentes se iluminou para a doçura da vida. 

flowered
(Fonte: https://br.pinterest.com/pin/10414642863702724/)

Se você por acaso bater à porta da casa da esquina,
onde a única conexão com o sul era uma caixa de correio
que geralmente encontrava-se vazia,
pergunte por um rapaz muito calado que ali viveu,
e que se deitava no tapete da sala para ouvir o Bob Dylan cantar.

Se você realmente visitar aquele país,
trafegar pela Main Avenue,
encontrar a casa da esquina e for recebido por alguém,
peça de volta o brilho do olhar daquele jovem,
que ficou congelado na janela central enfeitada de flores. 


Girl From The North Country

If you're traveling to the north country fair
Where the winds hit heavy on the borderline
Remember me to one who lives there
For she once was a true love of mine.

If you go when the snowflakes fall
When the rivers freeze and summer ends
Please see for me if she's wearing a coat so warm
To keep her from the howlin' winds.

Please, see for me if her hair hangs long
Rolls and flows all down her breast
Please see for me if her hair's hanging long
That's the way I remember her best

I'm wonderin' if she remembers me at all
Many times I have often prayed
In the darkness of my night
In the brightness of my day

So if you're travelin' in the north country fair
Where the winds hit heavy on the borderline
Remember me to one who lives there
For she once was the true love of mine
Garota do Norte do País

Se você estiver viajando para a feira no norte do país
Onde os ventos sopram forte na fronteira
Fale de mim para alguém que mora lá
Ela foi, outrora, meu verdadeiro amor

Se você estiver indo quando a nevasca cai
Quando os rios estão congelados e o verão acaba
Por favor, veja se ela tem um casaco bem quente
Para protegê-la dos ventos uivantes

Por favor, veja pra mim se o cabelo dela está comprido
Se balança e escorre pelo seu peito
Por favor, veja pra mim se o cabelo dela está comprido
Pois é assim que eu me lembro dela

Eu fico imaginando se ela ainda se lembra de mim
Muitas vezes, eu tenho rezado
Na escuridão da minha noite
Na claridade do meu dia

Então, se você está viajando para o norte do país
Onde os ventos sopram forte na fronteira
Fale de mim para um alguém que mora lá
Ela foi, outrora, meu verdadeiro amor