terça-feira, 25 de junho de 2013

A PAZ



 ("Give peace a chance" - John Lennon)

                                        "Somente pessoas interiormente pacificadas
                                        podem ser operadoras efetivas da paz"
                                        (Leonardo Boff)


Nas ruas os cartazes, as pessoas, os policiais;
nas conversas os posicionamentos, as certezas, as convicções;
na internet as frases de apoio e as de rejeição... a uns e a outros.

"E aqui, no meu pensamento?" - me pergunto.  

Qual o caminho? 
Como resolver?
A quem lamentar? 
O que será do mundo?
O que será do Brasil?
O que será de nós?
O que será de mim?

"Não tenho certeza de nada...!" - me respondo.

Melhor olhar para dentro,
reavaliar para poder buscar... 

E agradecer.
Agradecer por estar rodeado de pessoas de quem gosto,
e que gostam de mim...
e que me abraçam
com sincero brilho no olhar.


(fonte: http://www.osinvicioneiros.com.br/2010_06_01_archive.html)

sábado, 22 de junho de 2013

O FUTEBOL E SUAS LIÇÕES



(fonte: ferraztaticas.blogspot.com.br)


O futebol inspira uma série de reflexões. Inclusive, promove comparações em relação às formas de condução dos diferentes povos.

Fiquei pensando nisso outro dia enquanto assistia um jogo pela Copa das Confederações. A disposição dos times no gramado e a forma tática de jogar eram totalmente diferentes. Os jogadores de um time jogavam valorizando a troca de passes curtos, evoluindo e envolvendo o adversário sem prender a bola; os jogadores do outro recebiam a bola, conduziam-na, prendiam-na, buscavam o drible ou procuravam um passe longo na esperança de despertar a "fúria" individual de algum jogador talentoso.

No jogo uma seleção, valorizando o toque rápido e o passe de bola, mostrava o valor do conjunto, de cada jogador individualmente como parte importante do todo, construindo uma equipe. Na outra seleção os jogadores correndo com a bola, indo "na raça", esperando a "explosão" de algum talento isolado, evidenciava o culto à individualidade. 

As diferentes formas de jogar refletem a cultura de cada país. E exatamente como mostra o futebol - penso eu -, em países instáveis a política tem se desenvolvido - e as instituições (não) têm funcionado.

Nas instituições, assim como no futebol, é necessário que impere a impessoalidade do coletivo. É claro que, eventualmente, alguém mais habilidoso faz a diferença - como fez Pelé, como tem feito Messi no futebol... Mas isso é raro, circunstancial... Porque precisamos ficar na expectativa do surgimento de um ser único, de um talento individual, que faça as coisas funcionarem bem?

As instituições são a nossa maneira de nos protegermos da personalidade e dos abusos de poder. Mas, internamente, o que temos visto é a prevalência da pessoalidade. Nossa cultura e nossa ordem social está construída em torno do indivíduo, e não em função de um coletivo impessoal.  

Mas, voltando ao futebol: e a seleção brasileira? é pelo coletivo ou pelo individual? Os jogadores formam um conjunto que evolui com a participação de todos, ou o sucesso do grupo está dependendo da "explosão" do talento de um só? 

E ainda, por extensão, o que esperamos de nossas instituições? Que sejam compostas por agentes que trabalham coletivamente sob os critérios de impessoalidade, ou que sejam um aglomerado de indivíduos isolados que podem a qualquer momento, e por algum de seus agentes, na raça, na marra, no grito e no peito, "chutar o pau da barraca" e reinventar o Brasil?   

sexta-feira, 14 de junho de 2013

O SINO DO RONDON


A idéia da existência de um sino é a de ter sido feito para produzir um som anunciando alguma coisa. Muitos acabam incorporados à cultura, à História de um determinado lugar, e acabam até ganhando nome.

O famoso "Liberty Bell" (sino da Liberdade), por exemplo, é o símbolo que marcou o início do nascimento de um país independente. Seu toque mais famoso, em 1776, convocou os cidadãos da Filadélfia para a leitura da Declaração da Independência dos Estados Unidos. Esse sino está exposto publicamente, como marco daquele momento histórico, na cidade da Filadélfia.

( "The Liberty Bell" (o sino da liberdade) - Filadélfia, EUA - fonte: 7usa8.com)


O "Tsar Kolokol" (Sino dos Sinos), exposto no Kremlin em Moscou - sede do governo da Rússia - é considerado o maior sino já fundido em bronze. 


("Tsar Kolokol" - Moscou - fonte: pt.wikipedia.org)


O mais antigo do mundo, datado de 1287, foi encontrado em 2002 em escavações arqueológicas feitas junto à igreja de São Pedro, em Coruche - Portugal. Está hoje no Museu de Coruche.


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("Sino encontrado nas escavações em Coruche, Portugal"- fotos (1) superior, conforme encontrado; (2) inferior, reconstituído - fonte: www. archeofactu.pt)


Há também uma porção de sinos anônimos que desapareceram porque foram fundidos e tornaram-se um canhão de guerra. E esse canhão está aqui no Brasil. Mais especificamente na cidade do Rio de Janeiro, no Museu Histórico Nacional. Ele fica ali "guardado" e exposto como troféu militar, tomado que foi na Guerra do Paraguai (1864/1870). 



("Canhão El Cristiano" - fonte: www.forte.jor.br)


Mas, veja só que coisa! Silenciaram uma cidade e as mensagens vindas de seus sinos para transformar seus sons em uma nota única, grave, mortífera, sem melodia - e que ninguém quer ouvir: o som de tiro de canhão. 

Esse canhão ficou conhecido como "El Cristiano" (o Cristão), por ter sido construído do metal fundido dos sinos das igrejas de Assunção. Ainda hoje esse canhão é motivo de discussões diplomáticas entre os governos brasileiro e paraguaio - que está reivindicando o seu retorno àquele país. 

De qualquer forma, enquanto há sinos famosos, grandes, antigos e fundidos, considero também um outro, para mim muito emblemático, cujo paradeiro ignoro: o sino do colégio Marechal Rondon, onde estudei. Era um sino de bronze, pesado, com um longo cabo de madeira e badalo, para ser tocado manualmente.

Um dia, por obra do meu amigo endiabrado M.A., o badalo desapareceu. Somente poucos alunos ficaram sabendo disso. Para alegria ingênua do nosso grupinho que aguardava o seu toque para entrar em sala de aula, a saudosa inspetora (Dona E.) desesperou-se: balançava e balançava, chacoalhava e chacoalhava aquele sino pesado, de um lado para o outro, uma vez, outra, e outra, mas ele não produzia som algum... E foi por não poder anunciar o início das aulas por intermédio do seu toque que ele, sem badalo, tornou-se "símbolo da glória juvenil dos alunos sobre o sistema". Ficou, por isso, famoso, ganhou notoriedade, e até um apelido carinhoso: "o sino do Rondon".





quarta-feira, 5 de junho de 2013

A MENSAGEM DOS SINOS




Os sinos falam; transmitem mensagens. Os sinos tocam para anunciar cinzas, para chorar pelos mortos em finados, para celebrar a ressurreição, para anunciar festas e funerais, para convidar os fiéis para as missas, para embalar o Natal, para trazer esperança por um Ano-Novo... Triste pensar que torres de concreto das grandes cidades verticais podem abafar seus sons; ou que, pior, instrumentos eletrônicos podem, um dia, vir a substituí-los. 

Com linguagem que segue um conjunto de regras litúrgicas e uma certa liberdade para intervenção do sineiro, o toque dos sinos em Minas Gerais foi tombado como patrimônio nacional em 2009. As igrejas de São João del Rei, Ouro Preto, Mariana, Congonhas e Tiradentes, dentre outras, foram referência.

Lembro-me da alegria triste de ouvir, em um final de tarde, o som dos sinos da igreja de São Francisco de Assis, em São João del Rei. Foi pouco tempo depois da morte do presidente da república eleito, Tancredo Neves (21/04/1985). Da janela de um hotel eu contemplava a cidade, quando ouvi aquele diálogo com Deus...

 ("O som dos sinos da igreja de São Francisco de Assis, em São João del Rei")

Lembro-me também da emoção indescritível ao ouvir os sinos da catedral de York. Eu caminhava distraído pelas ruazinhas daquela cidade inglesa medieval quando ouvi o som dos sinos, vindo do ar, preenchendo todos os espaços no seu entorno, as pessoas olhando... Apoiei-me na parede mais próxima para olhar para o céu, para ouvir a mensagem enviada dali para a eternidade... 

("Ruas da cidade medieval de York, ao som dos sinos da catedral")



 ("Eu caminhava distraído pelas ruazinhas daquela cidade inglesa medieval" - foto: arq. pessoal - set2011)

 ("A catedral de York" - foto: arq. pessoal - set2011)

Muito me sensibiliza, por motivos óbvios, a lembrança do badalar dos sinos da igreja da minha cidade natal... Outro dia seus sons, depois de muitos anos, me vieram pelos fios de telefone. De muito distante eu conversava com um amigo que lá estava. Paramos os dois, quietos, e ficamos ouvindo aquela mensagem que estava sendo enviada... 

("A lembrança do badalar dos sinos da igreja da minha cidade natal" - foto colhida no facebook - Pref. Municipal)

Quando penso naquela igreja - a "minha" igreja -, mesmo estando silentes os sinos, a mensagem que ouço é sempre a mesma: "badaladas para a Ave Maria"... talvez por ter ouvido por ali, algum dia, um trecho da música "Ave-Maria", de Erotides de Campos (1896/1945) que dizia:

"(...) Nesta hora de lenta agonia
quando o sino saudoso murmura
badaladas da Ave Maria.

Sino que tange
com mágoa dorida
recordando os sonhos da aurora da vida
Dai-me ao coração paz e harmonia
Da prece da Ave-Maria"


Mas nem sempre os sinos puderam dialogar com Deus. Algumas vezes eles foram calados - como foram calados por um tempo em Assunção, no Paraguai, quando foram arrancados de seus campanários. Mas isso é assunto para uma outra conversa...