sábado, 30 de julho de 2011

PASSAGEM PARA O MÉXICO

(El Gato Montez - Orquestra Taurina - "Las Ventas")


Sentado no sofá da "mansinha", antiga sede de fazenda, ouvia meu tio narrar o que se passava em uma “Plaza de toros” em uma tarde na Cidade do México. Havia todo um ritual para isso: o uísque, a escolha do disco, a posição central entre as duas caixas de som. E assim dizia ele: 

“Prontos señores ? ... entonces, a La Plaza de toros!”. 

E colocava para ouvirmos a “Banda Taurina”, com o som tão alto que ia além das janelas, cruzava a varanda e seguia ao longe, pela estrada de terra... E ficávamos ali ouvindo-o descrever uma tourada, as cortesias iniciais, o desfile dos cavalos, a entrada do toureiro, do touro, a pega propriamente dita, cena a cena, embalado pelas 12 músicas gravadas no disco. 

O encanto da descrição acontecia desde o início. Mas pela maravilha do seu aparelho estéreo PHILIPS, a entrada do touro na arena, quando ele enfurecido “passava” de uma caixa acústica à outra, de uma ponta à outra da sala, era um momento especial... especialíssimo. Acompanhávamos isso como se estivéssemos sentados, em uma tarde ensolarada da cidade do México, nas arquibancadas de uma “Plaza de toros”...

Depois visitei a cidade de Tijuana em 1974, a primeira cidade na península da Baja California depois da fronteira com os Estados Unidos; a alegria nas ruas, o movimento nas calçadas, nas lojinhas, o tratamento especial que eu recebia ao tomarem conhecimento de que eu era brasileiro. Os mexicanos escalavam com encanto a seleção brasileira de futebol; queriam saber do Jairzinho, do Rivelino, além do Pelé, é claro, jogadores que haviam conquistado a simpatia de Guadalajara, e passado para a eternidade esportiva pelo desempenho na Copa do Mundo de Futebol de 1970, no México. 


(Mariachi Vargas - "El Jarabe Tapatio")


Anos depois, já casado, retomei esse encanto pela alegria e garra do México quando, em uma loja de discos, encontrei “FIESTA EN MEXICO”: uma coletânea de músicas tradicionais mexicanas com MARIACHI MIGUEL DIAS. Como fazia meu tio, eu também, sem me dar conta disso, seguia o ritual para ouvir o disco, contando da dor sentida pelo pardalzinho que libertou uma calandra (na letra da música “La Calandria”, abaixo transcrita), e descrevendo a quem quisesse ouvir as ruas e o povo mexicanos que eu tinha visto na cidade de Tijuana. 


(Mariachi Nuevo Jalisco - "La Calandria")


Recentemente, com essas imagens na cabeça, resgatei da tela do cinema e dos livros de História duas figuras notáveis: primeiro o BENITO JUAREZ, sério, sereno, de princípios nobres, seguidor dos ideais de Abraham Lincoln, que resistiu e derrubou o governo que a França queria impor ali na pessoa do imperador Maximiliano: com a firmeza de seus propósitos, ele conseguiu que fosse mantido o governo constitucional republicano. Depois, o EMILIANO ZAPATA, líder camponês que dedicou sua vida à reforma agrária e acabou morto em uma cilada. Aprendi a gostar de ambos.

Pois agora, meus amigos, retomo e reorganizo meus fantasmas com o mesmo encantamento das cenas passadas, somadas à beleza dos MARIACHIS, ao espírito dos libertadores Hidalgo e Morelos, e ainda à delícia recente das músicas do MANAH... Com os bilhetes de viagem nas mãos “y alegria en el corazón”, eu lhes digo: “Viva! México!" 


(Plaza de la Constitución com abandeira e a Catedral Metropolitana da Ciudad de Mexico - 
fonte www.bestday.com.mx)


LA CALANDRIA
(Mara Jose Quintanilla)


En una jaula de oro,
Pendiente del balcon,
Se hallaba una calandria,
Cantando su dolor.

Hasta que un gorrioncillo,
A su jaula llego,
"Si usted puede sacarme,
con usted yo me voy."

Y el pobre gorrioncillo,
De ella se enamoro,
Y el pobre como pudo
Los alambres rompi.

Y la ingrata calandria,
Despus que la saco,
Tan luego se vio libre,
Volo, volo y volo.

El pobre gorrioncillo,
Todavia la siguio,
Pa' ver si le cumplia
Lo que le prometio.

La malvada calandria,
Esto le contesto:
"a uste ni lo conozco
ni presa he sido yo."

Y triste el gorrioncillo,
Luego se regreso,
Se paro en un manzano,
Lloro, lloro y lloro

Y ahora en esa jaula,
Pendiente del balcon,
Se encuentra el gorrioncillo,
Cantando su pasión.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

MINHA NAMORADA*

 ("Minha Namorada", do Vinícius e Carlos Lyra - com Maria Creusa, Vinícius e Toquinho)

Tenho observado com freqüência, à tarde, da minha janela, um casalzinho que vem namorar na sombra do ipê plantado em frente ao meu escritório. Ela é uma menina de uns catorze anos, de blue jeans, camiseta apertada no corpo, com os cabelos lisos e soltos que emolduram o seu constante sorriso adolescente; ele, um rapazinho de sorriso tímido, tênis muito encardido, dezesseis anos no máximo, com jeito de quem encontrou o verdadeiro sentido da felicidade. Ficam ali olhando um para o outro, as faces a se tocarem, trocam palavras, carinhos, enlaçam as mãos, sorriem um para o outro numa manifestação simples que traduz o mais puro sentido do amor...
Tento não ser visto por trás da minha janela, pois que as vezes seus olhas olham rapidamente no entorno, para retomarem em seguida o encontro de seus olhares...
Que será desses dois jovens? Será que prosseguirão assim felizes por estarem juntos, ou será que em um outro dia, quando eu olhar pela minha janela, um outro rapaz menos sorridente estará ali, olhando para uma outra menina de cabelos presos ao invés dessa de cabelos soltos?
E se prosseguirem assim, felizes um com o outro, será que viverão juntos? será que terão filhos? E ao se reencontrarem, já no outono de suas vidas, será que se abraçarão com a mesma ternura? Ou será que desviarão o olhar para pensar, cada um consigo mesmo, que ele ou ela não eram exatamente aquela pessoa que desejavam ter ao seu lado por toda a vida?...
Dentre tanta gente nesse mundo, meu Deus, é um verdadeiro milagre o encontro de pessoas que verdadeiramente se gostam, contribuem para o crescimento constante um do outro, e prosseguem se gostando até o fim de tudo...
RP, 21JULHO2011
(*inspirada em “O amor por entre o verde”, do Vinícius de Moraes, em “Para Viver um Grande Amor”.)


sábado, 16 de julho de 2011

SIMPLESMENTE


 (CLIQUE NA SETA PARA OUVIR ENQUANTO LÊ)
("Simplesmente" - Paulinho Nogueira e Toquinho - de Paulinho Nogueira)


     Recentemente li em um jornal, não me lembro quem escreveu:

“Dizem que o tempo passa. 
Não passa. 
O tempo é margem: Ele fica! 
Nós é que passamos...”

Pensando nisso, e considerando que posso

Tocar na mão da minha companheira
Conversar com a minha irmã
Telefonar para os meus sobrinhos
Beijar os meus filhos
Abraçar meus amigos
Ouvir minha mãe
Contar uma história
Olhar para a rua
Caminhar
Andar com os pés descalços
Tocar violão
Fazer planos
Almoçar com quem gosto
Sentir o sabor de uma manga
Fotografar um ipê amarelo
Sentir o vento assoprando 
Ir à praia
Nadar
Pensar
Aprender...


... só tenho motivos para me alegrar e agradecer, viver e ser feliz... simplesmente.

(Rubem Braga - fonte: bienalrubembraga.com.br)

       Mas 
acontece que sou um sujeito pensativo, meio melancólico, de uma cumplicidade íntima com o silêncio. Tendo eu essa natureza, compreendo bem o Rubem Braga quando ele fala de si mesmo em “Terraço” (inédita, em “Cadernos de Literatura Brasileira”):

“Sou um homem quieto. O que eu gosto é de ficar num banco sentado, entre moitas, calado, anoitecendo devagar, meio triste, lembrando umas coisas, umas coisas que nem valia à pena lembrar.”


(RP, 16JUL2011)

sexta-feira, 15 de julho de 2011

AO QUE VAI PARTIR



(Avião decolando. Fonte: http://www.avioesemusicas.com/2010-decolando.html)


     Um dia, depois de algum tempo em uma terra distante, chega o momento de voltar. Nas difíceis horas de despedidas há dificuldades de se dizer coisas simples, em especial quando há a noção de que o “até mais” significa “dificilmente uma outra vez...”.

     Um dia, numa hora dessas, um grupo de amigos adolescentes chega, aperta as mãos do que vai partir, abraça-o, e vai embora. Ninguém diz nada. Todos sabem que uma fase se encerra. Em seguida alguém do grupo dá um telefonema ao que vai partir, pede a ele que às tantas horas sintonize o rádio na estação local, que uma música falará pelo grupo aquilo que o grupo não conseguiu dizer...

     Aquele que vai partir fecha as malas, o táxi o aguarda em frente ao portão. Antes, na hora indicada, liga o rádio. Ouve atento a música que a ele foi dedicada.


(CLIQUE NA SETA PARA OUVIR)
("You've got a friend" - James Taylor/Carole King)

     "You've got a friend", James Taylor...

     Não contém a emoção, engasga, engole, chora, olha pela última vez  a casa onde viveu e vai embora. Nunca mais volta, nunca mais é o mesmo. 

("Antes de partir" - Aeroporto de Los Angeles, 1974 - foto: arq. pessoal)


     No avião, antes de decolar, o passageiro ao lado lhe pergunta: “and now, where are you going boy?*” Muitos anos passados, o que partiu repensa na pergunta que lhe foi feita, e a refaz para si mesmo: “and now, where has that young boy gone?**”... e percebe que não tem resposta...

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* tradução: "e aí, aonde você vai, garoto?"
** tradução: "e aí, para onde aquele garoto foi?" 

segunda-feira, 11 de julho de 2011

SENTIMENTO DO MUNDO

("Lonely green plant growing on a stone wall" - fonte: fotolia.com)

Ao meu vizinho e primeiro professor de português,
Joaquim Aparecido Martins


     Não tenho o direito de reter e aprisionar em egoísmo ignóbil, nem tampouco de fechar no meio de um livro qualquer aquilo que sensibiliza, mexe, humaniza e constrói. Quero compartilhar a mensagem transcrita abaixo, recebida de um amigo, como há anos, muitos anos não recebia, com a gratidão de quem recebe um tesouro. A sua caligrafia permanece desenhada no quadro negro da minha memória e na folha de papel de caderno grafada em tinta azul que ora releio. Sei que os pardais que ouvi anunciar a chegada de muitos novos dias foram os mesmos que ele ouviu, que o barulho de trem que rompeu o silêncio das minhas madrugadas também rompeu o silêncio das dele... Sei também que o coração atento de quem semeou só coisas boas, imantou de sentimento do mundo várias gerações de seguidores seus.

     Eis a mensagem:

Não digas que teu tesouro está esgotado
De falta de assuntos, emudeceu a lira; 
Poderá não haver poetas, mas sempre
Haverá poesia!

Enquanto as ondas de luz durante o beijo
Palpitem incendiadas,
Enquanto o sol, das desgarradas nuvens
De fogo e ouro, se vista;

Enquanto o ar em seu regaço leve
Perfumes e harmonias.
Enquanto haja no mundo primavera,
Haverá poesia!

Enquanto a ciência a descobrir não alcance
As fontes da vida,
E no mar ou no céu haja um abismo
Que ao cálculo resista;

Enquanto a humanidade sempre avançando
Não saiba por onde caminha;
Enquanto haja um mistério para o homem,
Haverá poesia!

Enquanto sintamos que a alma se alegra,
Sem que os olhos riam;
Enquanto se chora sem que o pranto acuda
Ao nublar a pupila;

Enquanto o coração e a cabeça
Prossigam batalhando.
Enquanto haja esperanças e lembranças,
Haverá poesia!

Enquanto haja olhos que reflitam
Os olhos que nos miram;
Enquanto responda o lábio suspirando
O lábio que o suspira;

Enquanto sentir possam em um beijo
Duas almas gêmeas;
Enquanto exista uma mulher formosa,
Haverá poesia! 

(Gustavo Adolfo Bécquer, poeta espanhol – *1836 /+ 1870)

quinta-feira, 7 de julho de 2011

FUTUROS AMANTES


(CLIQUE NA SETA PARA OUVIR ENQUANTO LÊ)
("Futuros Amantes" - Chico Buarque - Álbum PARATODOS, 1993)


                                                                Ao Júnior, 
meu amigo 


     Terminado o ano de 1982 e concluído o curso de graduação uma nova fase iniciou-se para mim: trabalho! E quanta dificuldade naquela época para começar a trabalhar! As empresas demitindo, o país afundando, e eu, sem saber fazer nada...

    Absorvido por tamanha preocupação, a música, que havia sido uma constante para mim, foi se dissolvendo, perdendo seu encanto. Foram anos de mudanças e de diminuição da poesia. Cada um dos amigos da universidade havia tomado seu próprio rumo, e a música já não tinha mais o mesmo sabor: apaguei.

     Nesse período de indefinições fui passar uns dias em minha terra natal, onde reencontrei meu amigo Júnior ainda em ritmo de universidade. Ele, na época, tão desencontrado quanto eu, chamou-me no portão da casa de seus pais para me mostrar e discutir uma música do Chico Buarque. Sem motivação nenhuma para ouvi-la, entrei para dar companhia às minhas angústias e sentei-me com ele na varanda. Contudo, a cada verso, no entusiasmo do meu amigo, meu lirismo adormecido foi reacendendo a ponto de eu retomar involuntariamente e de imediato o encantamento pela genialidade criativa do Chico - e da música, por conseguinte, como um todo.

     Tomamos muita cerveja enquanto ouvíamos sem parar “Futuros Amantes”. Embriagados de poesia, já em altas horas da madrugada, saímos feito escafandristas, caminhando, mergulhando no vazio da nossa cidade submersa no sono, vasculhando suas calçadas, suas janelas, suas paredes de tijolos... com destino a lugar nenhum.

     A música e o entusiasmo daquele encontro de amigos inspiraram-me a buscar o que eu havia perdido no mundo musical desde o final de 1982: em especial o álbum “Paratodos”, de 1993, do Chico Buarque.


(Capa do álbum "Paratodos", do Chico Buarque - 1993)

     Em “Futuros Amantes” - uma das faixas desse disco - o Chico considera a reciclagem do amor, do amor que não se perdeu, que ficou guardado, estocado, para poder ser consumido, reaproveitado, amado, usado por outras pessoas. 

     Na música ele imagina a cidade do Rio de Janeiro, inundada pelas águas do mar, sendo descoberta e explorada por mergulhadores de civilizações do futuro. Esses escafandristas mergulham, entram na cidade vazia e submersa, vasculham os prédios, as casas, os armários e os recantos das almas que ali habitaram. Nessa busca, encontram trechos de cartas, poemas, retratos, mentiras, amores guardados, reservados, escondidos, não vividos, interrompidos ou nem iniciados, e que davam indícios da existência de uma civilização antiga que ali existira.

     Genial! Nessa letra o Chico conseguiu visualizar os seres de civilizações futuras reaproveitando os amores que não foram utilizados pelos homens e mulheres daquela civilização extinta. Por fim, ele diz manter o sonho de que algum amante do futuro, um dia, ame alguém com o amor que ele havia guardado para ser consumido... mas que não deu certo, não deu tempo... e ficou submerso nas águas do mar.


Futuros Amantes
(Chico Buarque)

Não se afobe, não, que nada é prá já
O amor não tem pressa, ele pode esperar 
Em silêncio, num fundo de armário, na posta-restante,
Milênios, milênios no ar.

E quem sabe, então, o Rio será 
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão explorar suas coisas
Sua alma, desvãos.

Sábios em vão tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas, mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização.

Não se afobe, não, que nada é prá já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá, se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia deixei prá você. 


RP, 07JUL2011   

segunda-feira, 4 de julho de 2011

JIM CROCE - "OPERATOR"

            (Capa do disco "Operator")
"Ao Nanão"

     Dentre os meus artistas favoritos, Jim Croce é um dos que ouço com freqüência há muitos anos. Ouvi-o sendo cantado pela primeira vez em 1974 em uma cantina de escola, num subúrbio de San Diego, EUA. Estávamos tocando violão em uma roda de estudantes e uma colega de sala, das mais contidas, encantou a todos, profundamente, quando, contando a história do Jim Croce, apresentou-me “Operator” - lançamento então recente.

     Foi, portanto, por intermédio dessa colega que conheci o Jim Croce, e que pude conhecer um pouco de sua história: que havia sido motorista de caminhão antes de vir a ser um artista de sucesso, e que havia desaparecido no ano anterior, aos 30 anos de idade, em um acidente de avião.

     A letra de OPERATOR, do próprio Jim Croce, é um tanto adolescente - porém universal -, pois trata de coisas atinentes a impulsos e gestos comuns a todos nós - em qualquer época da vida. Quem nunca ficou na dúvida entre resolver ou não um relacionamento, esbravejar, desabafar, falar “poucas e boas” para alguém via telefone? Pois a letra fala justamente de alguém que quer fazer uma ligação para uma ex-namorada por intermédio da telefonista. Ele conta sua história e justifica seu pedido para que ela o auxilie; diz que o número na lista telefônica está apagado; informa que ela – sua ex-namorada -  está morando em Los Angeles com seu ex melhor amigo, Ray – um sujeito que ela havia lhe dito que conhecia, mas de quem não gostava muito. Ele esclarece à telefonista que quer fazer o telefonema simplesmente para dizer que já superou o “baque”. E, por fim, para não dizer que havia lágrimas em seus olhos, diz que algo os embaçava e o impedia de ler o número de telefone que ela acabara de lhe informar. Termina desistindo de fazer o telefonema... e da moedinha de dez centavos de dólar (dime) usada para a ligação mal sucedida.

     Assisto agora o vídeo, pela enésima vez, com a mesma emoção de sempre. Interessante poder perceber que todas as nossas experiências de vida permanecem acesas em nosso coração, de tal forma que, quando a gente menos espera, reaparecem...

     Aliás, preciso parar por aqui: "há algo que embaça os meus olhos e me impede de continuar lendo e escrevendo...”. Paro... e simplesmente ouço.
(CLIQUE NA SETA PARA OUVIR)
("Operator" - Jim Croce - com seu amigo Maury Muehleisen)
Operator (Jim Croce)

Operator, well could you help me place this call?
See, the number on the matchbook is old and faded
She's living in L. A. with my best old ex-friend Ray
A guy she said she knew well and sometimes hated

Isn't that the way they say it goes?
Well, let's forget all that
And give me the number if you can find it
So I can call just to tell 'em I'm fine and to show
I've overcome the blow, I've learned to take it well
I only wish my words could just convince myself
That it just wasn't real
But that's not the way it feels

Operator, could you help me place this call?
Well, I can't read the number that you just gave me
There's something in my eyes, you know it happens every time
I think about a love that I thought would save me

Isn't that the way they say it goes?
Well, let's forget all that
And give me the number if you can find it
So I can call just to tell 'em I'm fine and to show
I've overcome the blow, I've learned to take it well
I only wish my words could just convince myself
That it just wasn't real
But that's not the way it feels

Operator, let's forget about this call
You see there's no one there I really wanted to talk to
Thank you for your time, ah, you've been so much more than kind
And you can keep the dime

Isn't that the way they say it goes?
Well, let's forget all that
And give me the number if you can find it
So I can call just to tell 'em I'm fine and to show
I've overcome the blow, I've learned to take it well
I only wish my words could just convince myself
That it just wasn't real
But that's not the way it feel
Telefonista

Telefonista, bem, você poderia me ajudar com essa ligação?
Sabe, o número na lista está apagado
Ela está morando em L.A. com meu ex melhor amigo Ray
Um cara que ela disse que conhecia bem e até odiava

Não é assim que todos dizem que a história acaba?
Bem, vamos deixar isso para lá
Me dê o número, se conseguir encontrá-lo
Assim eu ligarei apenas para dizer que está tudo bem e para provar
Que eu já me recuperei, aprendi a encarar na boa
Queria que as minhas palavras me convencessem
Que nada foi de verdade
Mas não é assim que me sinto

Telefonista, bem, você poderia me ajudar com essa ligação?
Bem, eu não consigo ler o número que você acabou de me dar
Há algo nos meus olhos, sabe, isso acontece de vez em quando
Eu penso nesse amor que poderia ter salvado minha vida

Não é assim que todos dizem que a história acaba?
Bem, vamos deixar isso para lá
Me dê o número, se conseguir encontrá-lo
Assim eu ligarei apenas para dizer que está tudo bem e para provar
Que eu já me recuperei, aprendi a encarar na boa
Queria que as minhas palavras me convencesse
Que nada foi de verdade
Mas não é assim que me sinto

Telefonista, deixe essa ligação para lá
Sabe, não há ninguém com quem eu realmente queira falar
Obrigada pela atenção, ah, você foi muito mais do que prestativa
Pode ficar com a ficha telefônica

Não é assim que todos dizem que a história acaba?
Bem, vamos deixar isso para lá
Me dê o número, se conseguir encontrá-lo
Assim eu ligarei apenas para dizer que está tudo bem e para provar
Que eu já me recuperei, aprendi a encarar na boa
Queria que as minhas palavras me convencesse
Que nada foi de verdade
Mas não é assim que me sinto

sexta-feira, 1 de julho de 2011

ANA MOURA

Descobri a Ana Moura há pouco tempo. Inspirado pela beleza dos fados cantados pela moçambicana Mariza, "fui atrás" do tempo perdido por desconhecer a densidade de um fado. Nessa busca, fiquei encantado com a timidez, a simpatia e a beleza jovial da Ana Moura, a começar por "Rumo ao Sul". 

("Rumo ao Sul" - Ana Moura) 

Em "Os búzios" (de Jorge Fernando), ela canta o desejo de se projetar um destino...

"Pois eu vou mexer o destino, vou mudar-te a sorte"... 

("Os búzios" - Ana Moura) 

Penso que, de verdade, em torno do sentimento e da beleza, também de um fado (aliado à meiguice da Ana Moura), mexemos no destino, programamos um novo tempo construído só de coisas boas...

"Não há religião nem ciência acima da Beleza. Eu construiria uma cidade à beira do mar, e numa ilha do porto erigiria uma estátua não à Liberdade, mas à Beleza. Pois foi ao redor da Liberdade que os homens travaram suas batalhas. Por oposição, ante a face da Beleza, todos os homens estendem as mãos uns aos outros como irmãos."
(Gibran Khalil Gibran)

Na Beleza, as pessoas e o mundo se transformam... para melhor.

RP, 01JUL2011