terça-feira, 14 de novembro de 2017

ESCUTE, DEUS ESTÁ FALANDO


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"Oblivion" (Piazzolla) - Yamandu Costa/Zé Nogueira
https://www.youtube.com/watch?v=xZbF4a_zris


     Sim, Deus conversa conosco.


Chet Baker
fonte: https://redtreetimes.com/2012/08/25/whatll-i-do-chet-baker/

     E, salvo engano, sua maneira mais comum de se expressar é por intermédio de música - como fez em "Oblivion", do Piazzolla, no violão do Yamandu e no sax soprano do Zé Nogueira.

     Ouça! Escute-o! Ele está falando... Diz algo a você?

terça-feira, 7 de novembro de 2017

PAULINHO NOGUEIRA


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"Simplesmente"- Paulinho Nogueira
(participação de Toquinho, seu ex-aluno)


É muito bom lembrar, ler a respeito, ouvir falar e conversar sobre o Paulinho Nogueira.

Vi-o, pessoalmente, duas vezes. A primeira delas, no final dos anos 70, em apresentação sua no "Uberlândia Clube", em Uberlândia-MG. O Paulinho era de uma simplicidade comovente.

A segunda (e última) vez, pouco tempo antes de seu falecimento em 2003, no "SESC-Ribeirão Preto". Naquela noite pedi a ele que autografasse para mim, ali mesmo no palco, seu CD "Chico Buarque-Primeiras Composições". Depois de fazê-lo, "Simplesmente"* agradeceu-me com um sorriso.

Encarte autografado do CD "Chico Buarque-Primeiras Composições"

Somado a diversos CDs por ele gravados, hoje guardo dele a imagem de um violonista com ares de interiorano**, sentado em um banco do "Parque da Água Branca"* em São Paulo, fazendo interligações entre as questões existenciais de toda a humanidade e o aprendizado advindo da observação do comportamento de três cães de estimação que teve - "Piloto, Birico e Timbó"*.

É muito bom lembrar, ler a respeito, ouvir falar e conversar sobre o Paulinho Nogueira...

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*"Simplesmente"; "Parque da água branca"; "Piloto, Birico e Timbó" - músicas da autoria do Paulinho Nogueira.
**Paulinho Nogueira nasceu em Campinas, SP

sábado, 21 de outubro de 2017

OS BEATLES E O GUARDA-CHUVA


http://foundmagazine.com/find/old-man-with-umbrella/

     Sabe, aquele guarda-chuva que era do avô? Aquele que ficou no canto da sala como lembrança e que evoca a memória de coisas boas? Que, só de sabermos que ele está por ali a sensação é de estarmos protegidos e com o coração aquecido?

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The Beatles - "I'm happy just to dance with her"

     Pois os Beatles e a sua música são isso para mim: o guarda-chuva velho do meu avô que está há anos no canto da sala, pronto para me abrigar, aquecer e encher de vida o meu coração.


The Beatles - Fonte: http://www.billboard.com/articles/news/6851679/beatles-spotify-data-age-groups

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

DI CAVALCANTI



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"Pescadores" (1951)
https://luizmuller.com/2017/08/27/o-estado-a-burocracia-e-as-microempresas/

     Se me dessem lápis e papel para que eu traçasse uma imagem emblemática do Brasil, muito provavelmente eu tentaria fazer um esboço da baía de Guanabara com o bondinho ligando o Morro da Urca ao Pão-de-Açúcar, ou ainda do Cristo Redentor, no Corcovado. Acho que a tendência da maioria de nós, brasileiros, seria a mesma. Em especial se tivéssemos que apresentar essa imagem no exterior - ou a algum estrangeiro.

     Mas Di Cavalcanti não faria assim. Ele não fez assim. No conjunto de sua obra, o que observamos é que ele não procurou traduzir o Brasil em paisagens ou figuras grandiosas. Sua sensibilidade estava voltada para o povo, para a pele morena, para a gente simples, e para o seu aspecto cotidiano. Ele vivia impregnado por uma atmosfera quente, amorosa e sensual. Ele gostava de pintar mulheres; gostava de pintar o trabalho informal e o lazer. Não há em suas telas ou ilustrações sugestões verdadeiras ou falsas de um país grandioso, com aparência imediata indicativa de riqueza material. Não! Mas há, sim, a evidência do desejo de mostrar a realidade contida em nossa riqueza cultural. 

Imagem representativa do artigo
"Cinco moças de Guaratinguetá" (1930)
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra2592/cinco-mocas-de-guaratingueta

     Di Cavalcanti pintou bordeis; encontrou e traduziu, em poesia pintada, a pobreza. Em suas telas mostrou e denunciou o Brasil que conheceu: uma terra vibrante em cor, que, apesar da aparente alegria, estava, em seu tempo, habitada por um povo inocente e triste.

"Samba" (1927)

     Talvez tenha sido por sua obra com temática social e nacional, por sua sensibilidade voltada para os mais humildes, pelas cenas urbanas, musicais e eróticas que pintou, por seu jeito de mostrar a realidade do Brasil, que o governo militar o impediu de assumir função de adido cultural na França, em 1964. Afinal, "o que, do Brasil, um artista-pensador poderia mostrar no exterior?"


"Cinco moças de Guaratinguetá" (1930)

     Além de pintor, Di foi ainda ilustrador de jornais, livros, revistas, e até de capas de disco. Em Di Cavalcanti, pintor, há música e literatura. Vejo nele muito de Jorge Amado, escritor, e muito de Dorival Caymmi, compositor. Há pescadores, prostitutas, bordeis, mulheres "da vida", malandros e seresteiros - sempre em ambientes modestos. A obra de Di Cavalcanti é, enfim, uma perfeita caracterização da vida e da sensualidade do povo brasileiro.

     Di Cavalcanti foi um dos responsáveis pela realização da Semana da Arte Moderna em 1922. Foi, portanto, um dos responsáveis pelo debate a respeito da identidade nacional. Para esse debate ele trouxe a ideia da criação de uma imagem ao mesmo tempo moderna e popular, para um país habitado por um povo moreno, alegre e melancólico, que leva muito a sério o prazer e o descanso.

     Em viagem recente a São Paulo fui visitar a exposição "No Subúrbio da Modernidade - Di Cavalcanti 120 anos", na Pinacoteca do Estado. Deparei-me com um artista verdadeiramente apaixonado pelo Brasil.


Foto: arq. pessoal

     Ao lado de figuras notáveis como os citados Jorge Amado e Dorival Caymmi; de estudiosos do nosso perfil, como Sérgio Buarque, Darcy Ribeiro e Gilberto Freyre, tenho agora uma nova referência para falar do nosso país: Di Cavalcanti - um dos grandes responsáveis pela construção da identidade cultural brasileira.

     E é por isso que, se a ele tivessem pedido o esboço de uma única imagem que pudesse representar o Brasil, muito provavelmente a imagem não teria sido outra senão a figura de uma mulher - uma mulata, mais precisamente. E com traços delicadamente sensuais.

CLIQUE NA SETA PARA VER ALGUMAS OBRAS DO DI CAVALCANTI
Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=2pD_Z8Z8TUw

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

NO SILÊNCIO DA NOITE


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"Milonga del Angel" - Astor Piazzolla

     Quantos homens e mulheres em idade avançada já construíram uma família, já criaram seus filhos, já se aposentaram e vivem sós. Quantos homens e mulheres de bastante idade continuam com boa saúde, podem curtir a vida e desfrutar dos pequenos prazeres que ela oferece - passear de vez em quando, jantar em um restaurante, tomar um café em uma esquina qualquer, caminhar por um shopping center, olhar vitrines... Pessoas cujos filhos já se ajeitaram e que, em busca de seus próprios interesses, vivem distantes. Pessoas que, por determinação do destino, ou se separaram ou ficaram viúvas.

     Fico pensando nas dificuldades que encontram para a realização das coisas práticas e necessárias - a alimentação, o almoço, o jantar, os cuidados com a roupa, o controle financeiro. Imagino que cada amanhecer tenha se tornado uma árdua tarefa consistente na procura de alguma maneira de preencher o tempo de um dia: fazer palavras cruzadas, ler um livro, rememorar coisas que se passaram, remexer em papeis, em gavetas; procurar algum amigo, encontrar algum assunto para conversar, dar um telefonema. Mas, a quem recorrer? Quem estaria disposto a ouvir? Quem estaria disposto a conversar?

     Atravessar o dia, sob a luz do sol, parece não ser tão difícil. O movimento nas ruas, os veículos trafegando, tudo isso distrai e ocupa a imaginação. Mas, e a noite? A hora de ir para a cama, o silêncio, a escuridão? Qual a dimensão da angústia para se poder vencer as madrugadas, as insônias, os pensamentos nas coisas que vão ficando? Como adormecer com o incômodo pensamento naquilo que poderia ter sido feito da própria vida, mas não foi? Na quietude do quarto, estender o braço e ter o outro lado vazio, ninguém com quem conversar; deparar-se com sombras e com todo o vazio que a alma pode suportar. Estar só.

     Outro dia assisti um filme que aborda esse assunto. Baseado no livro "Nossas Noites"*, do escritor indiano Kent Haruf, o filme conta a história de Addie e Louis, ambos com idade acima de 70 anos. Addie e Louis já foram casados, tiveram suas famílias e seus filhos. Vivem sós. São vizinhos há muitos anos, e se conhecem apenas pelos cumprimentos formais e distantes. No filme Addie, na angústia de suas noites, supondo que Louis sentisse, como ela, a mesma falta de alguém com quem conversar, um dia vai à casa dele e sugere que eles, de vez em quando, poderiam dormir juntos em sua casa para poderem conversar; que, conversando, poderiam vencer a noite, afastar a escuridão e o silêncio.

     Não - ela esclarece - Ela não estava sugerindo ou propondo sexo; ela procurava e oferecia companhia. Ela queria alguém com quem pudesse dialogar, alguém para quem pudesse contar histórias, e de quem pudesse ouvir histórias.

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"Deux arbres" - http://www.transientlight.co.uk/photo/deux-arbres/

     Pensando no filme e lembrando-me das muitas pessoas que conheço e que vivem nas mesmas condições de Addie e Louis, imaginei que seria muito bom se elas conseguissem fazer com que as coisas se tornassem menos complicadas. Que todos nós, enfim, pudéssemos fazer com que as coisas fossem menos complicadas. Passei a me perguntar o porque da natureza humana exigir que escondamos as dores e as carências que nos afligem; o porque de querermos nos mostrar incólumes aos tormentos da vida quando eles são próprios da nossa existência - e, em especial, acredito eu, próprios da vida daqueles que vivem sós, que precisam de alguém para simplesmente conversar, vencer a escuridão, abraçar durante a noite, e seguir em frente...

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*"Nossas Noites" - "Our souls at night" (EUA, 2017). Dir. Ritesh Batra. Drama.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

E O PROGRESSO, PARA ONDE FOI?


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Joana Francesa - Chico Buarque
https://www.youtube.com/watch?v=9cWkoH2eAPw


     Há poucos dias fui rever "Joana Francesa"*. Lembrava-me de algumas cenas do filme e da Jeanne Moreau; trazia também, na cabeça, a belíssima música do Chico - que, com o mesmo nome, estava na trilha sonora do filme.

     "Joana Francesa" mostra a decadência de um engenho de cana-de-açúcar no nordeste do Brasil, nas primeiras décadas do século XX, em virtude da chegada da usina e das transformações nos sistemas de produção. Como consequência, o engenho de açúcar que significava poder e progresso estava sendo engolido pelo próprio progresso; o senhor de engenho, então, seria transformado em fornecedor de cana-de-açúcar. 

     Rever esse filme me fez lembrar uma beneficiadora de algodão que existia em minha terra, e onde eu costumava ir com muita frequência. O que antes, lá, era símbolo de riqueza, não resistiu às transformações econômicas e tecnológicas - e se desfez.

     Em outros tempos a beneficiadora de algodão, ou simplesmente "algodoeira", situava-se perto da casa de minha infância. Seu funcionamento era responsável pela geração de muitos empregos; trazia para a cidade a ideia do dinamismo econômico da época, movimento, filas enormes de caminhões carregados de sacos de algodão colhido no campo para ser pesado, negociado, descarregado, e, depois, beneficiado.


Caminhão com carga de algodão a ser descarregado na antiga algodoeira
Foto postada por João Ambrósio Seleguim no facebook

     Em uma noite de triste memória a algodoeira foi tomada por um incêndio de proporções catastróficas. Mas seus sócios e diretores bravamente resistiram. Heroicamente transferiram-na da área urbana para as margens da rodovia anhanguera, onde ela foi reerguida, onde ela renasceu vigorosa para continuar gerando trabalho, produzindo riqueza e orgulho para a cidade. Houve um tempo em que, em função da algodoeira, chamávamos a pequena Guará de "capital do algodão" - do algodão que mereceu (e tem) seu lugar no "Brasão de Armas" do Município.


Algodoeira - postada por Beto Simões no facebook

     Mas "o progresso é nômade", dizia Monteiro Lobato**, "ele emigra e deixa atrás de si um rastilho de taperas...".

     Pois no ano passado, ao trafegar pela rodovia anhanguera, não consegui fingir que não via o local onde esteve a algodoeira - como havia feito por muitos anos. Vi, em estado de penúria, o imóvel onde ela funcionava. Os antigos galpões de armazenamento, máquinas de beneficiamento, escritórios administrativos, estavam tomados pelo mato. O portão de entrada tornou-se metal corroído; alguns pilares de concreto, juntamente com uma guarita semi destruída, davam os sinais de que antes havia ali uma demarcação de área. O único poste de iluminação, com seu braço de extensão quebrado era o retrato simbólico daquela desolação. No local, nenhum sinal de vida.


Entrada principal - foto: arq. pessoal

     A algodoeira que conheci, que estava instalada na cidade onde vivi, em um tempo que já vai bem distante, era a própria Fazenda Santa Rita das Alagoas mostrada no filme do Cacá Diégues. 

     É triste pensar que é essa a transformação pela qual o nosso país atualmente vem passando. São incontáveis nas cidades brasileiras - em todas por onde tenho passado - os imóveis que se encontram fechados, descuidados, entregues às intempéries, tomados por mato e colocados à venda para compradores que nunca aparecem. Triste o momento de nosso país... triste o momento de nossas cidades... tristes nós mesmos, que passamos a nos perguntar: "e o progresso, para onde foi?"

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*"Joana Francesa" - Brasil, 1973. Dir. Cacá Diégues
**Lobato, Monteiro. Cidades Mortas. Coleção Obras Completas. Ed. Brasiliense: São Paulo, 1951 

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

"SEULE"


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Céu - "Seule" (Pixinguinha/Vinicius de Moraes)


"Cante uma canção para me iludir"
(da letra de "Seule")


     "Seule" é uma valsa que está na trilha sonora de um filme nacional muito pouco conhecido: "Sol sobre a lama". Produzido na Bahia em 1963, o filme mostra uma tentativa de preservação de um canal que dá acesso a uma feira na cidade de Salvador - a Feira de Água de Meninos*. Ao mesmo tempo retrata a sociedade baiana e seus interesses no final dos anos 50 e início dos anos 60.

     Para fazer a trilha sonora, o seu diretor Alex Viany** convidou Pixinguinha e Vinícius de Moraes. Pixinguinha, sozinho, compôs diversas músicas para o filme, fez os arranjos, e dirigiu a gravação. Vinícius de Moraes, por sua vez, colocou letra em cinco delas: "Iemanjá", "Samba fúnebre", "Mundo melhor", "Lamento", e "Seule" - uma valsa, com letra em francês.

     Em carta*** a Vinícius, Alex Viany conta que um dia, passeando pela Feira de Água de Meninos, ouviu, vindo de um barraco miserável, uma sensível e sofisticada cancão francesa. Muito provavelmente - conjecturo eu - por parecer tão improvável o estado de miserabilidade encontrar expressão na delicadeza de uma canção, o Alex Viany relatou ao Vinícius e ao Pixinguinha aquele momento que havia vivenciado. E da sensibilidade apurada dos autores nasceu "Seule" - uma dulcíssima e ao mesmo tempo triste valsa.


"Depressão" - autor: HRubiales - pintura acrílica sobre tela
fonte: http://hroficinadeartes.blogspot.com.br/ 

     Sempre que a ouço sinto uma melancolia danada. Sua letra me faz pensar nas mulheres humilhadas, usadas, oprimidas, de que temos notícia todos os dias e que se espalham por esse mundão de meu Deus; sua letra me leva a pensar nas mulheres maltratadas pela vida, sem pais, sem filhos, sem ninguém, mas que, pelo simples fato de serem mulheres e, nessa condição, depositárias de todo amor da humanidade, ainda nutrem a ilusão de encontrar alguém que as faça sorrir e se sentirem amadas. 

Seule

Seule, seule
Seule même dans tes bras
Seule la nuit
Seule le jour
Rêvant un grand amour
Qui ne vient pas

Chante une chanson pour me bercer
Fais-mois, je t'en prie, tout oublier
Embrasse-moi, enlace-moi
Meurt en mon corps ton désarroi

Ah, si tu savais me faire sourire!
Je pourrais t'aimer jusqu'au délire
Mais mon amour
Mon pauvre amour
Je ne rêve pas de toi
Sozinha

Sozinha, sozinha
Sozinha mesmo em teus braços
Sozinha à noite
Sozinha no dia
Sonhando com um grande amor
Que não vem

Cante uma canção para me iludir
Faça-me, eu lhe imploro, esquecer tudo
Beije-me, me abraça
Que morre em meu corpo sua confusão

Ah, se você soubesse me fazer sorrir!
Eu poderia te adorar até a loucura
Mas, meu amor
Meu pobre amor
Eu já não sonho mais com você


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*"Feira de Água de Meninos" - já desaparecida em virtude de um incêndio. Nela, muitos dos feirantes construíam desordenadamente seus barracos e ali moravam. 
**Alex Viany - cineasta, roteirista, produtor, jornalista e ator. Como crítico cinematográfico brasileiro, morava nos EUA na época em que Vinícius de Moraes estava no posto de vice-consul em Los Angeles (1947). 
***lida por Betina Viany, filha de Alex Viany, no curta "Nós somos um poema" - em https://www.youtube.com/watch?v=qLYZi1Giw5Y