quarta-feira, 18 de julho de 2018

VOU-ME EMBORA PRA ALBERTA


A imagem pode conter: céu, árvore, nuvem, atividades ao ar livre e natureza
"Banff National Park"- Alberta, Canadá
Foto: Fernando Roselino, postada no Facebook


"Guess I'll go out to Alberta
Weather's good there in the fall"
(Ian Tyson)


     Acordei hoje de manhã e, antes mesmo de tomar meu café, entrei no universo das redes sociais. Uma foto postada pelo meu amigo Roselino, no "facebook", atraiu minha atenção. 

CLIQUE NA SETA PARA OUVIR
Neil Young - "Four Strong Winds" (Ian Tyson)
https://www.youtube.com/watch?v=DP9UjLeLN5A

     Na foto, em primeiro plano, um céu azul, ornado com nuvens brancas, cobria um bosque de árvores altas; ao fundo, montanhas esbranquiçados de neve surgiam, feito um céu derramado no solo: era a imagem típica de alguma, das muitas áreas de preservação ambiental espalhadas pelos países do norte. Fiquei olhando aquela imagem, com a sensação de que já havia estado naquele lugar: as trilhas por entre as árvores, o curso das águas, o ambiente gelado e silencioso...

A imagem pode conter: céu, montanha, atividades ao ar livre, natureza e água
"Banff National Park" - Alberta, Canadá
Foto: Fernando Roselino, postada no facebook

     Que bobagem! Eu nunca me meti a caminhar por nenhum bosque, ainda mais com montanhas cobertas de neve.

     Mas, ao ver que a foto havia sido tirada pelo meu amigo Roselino, no Parque Nacional Banff, na província de Alberta, no Canadá, entendi como fui parar dentro dela - da foto. Alberta é uma das dez províncias do Canadá*. Por muitos anos ouvi o Neil Young** cantar, em "Four Strong Winds"***, que os bons tempos haviam passado, e que, por tal motivo, ele pensava em ir embora para Alberta - onde o clima é bom no outono, e onde ele possui muitos amigos para ajudá-lo.

Um mapa clicável do Canadá exibindo suas dez províncias, três territórios e suas respectivas capitais.
Alberta - localização no mapa do Canadá (10 Províncias, 3 Territórios)
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Subdivisões_do_Canadá


     Como nunca fui amigo de rei algum, não poderia pensar em realizar minhas buscas em Pasárgada - para onde o nosso poeta, Manuel Bandeira, um dia quis ir****. Foi assim que, sempre que eu ouvia o Neil Young, nos meus muitos anos difíceis de buscas profissionais, eu me lembrava de Alberta (onde nunca estive), e pensava em ir para lá: afinal, dizia o Neil Young, lá o clima era bom, no outono, e lá era possível encontrar amigos que poderiam ajudar (e nem precisavam ser reis). Se ele, o Neil Young, em tempos difíceis, poderia encontrar amigos em Alberta para ajudá-lo, eu também poderia: e por que não? Alberta sempre me pareceu, em virtude da música, uma região onde todos estão dispostos a estender braços de ajuda e amizade, uns para os outros.

     Resultado: os anos se passaram, as minhas buscas não terminaram, e eu continuo me vendo em Alberta toda vez que ouço "Four Strong Winds" - ou toda vez que "a barra pesa" por aqui.


Four Strong Winds

Four strong winds that blow lonely, seven seas that run high,
All those things that don't change, come what may.
Now our good times are all gone, and I'm bound for moving on,
I'll look for you if I'm ever back this way.

Guess I'll go out to Alberta, weather's good there in the fall.
Got some friends that I can go to working for.
Still, I wish you'd change your mind, if I asked you one more time.
But we've been through that a hundred times or more.

Four strong winds that blow lonely, seven seas that run high,
all those things that don't change, come what may.
Now our good times are all gone, and I'm bound for moving on,
I'll look for you if I'm ever back this way.

If I get there before the snow flies, and if things are going good,
you could meet me if I sent you down the fare.
But by then it would be winter, nothing much for you to do,
and the wind sure blows cold way out there.

Four strong winds that blow lonely, seven seas that run high,
all those things that don't change, come what may.
Now our good times are all gone, and I'm bound for moving on,
I'll look for you if I'm ever back this way.
Yes, our good times are all gone, and I'm bound for moving on,
I'll look for you if I'm ever back this way.
Quatro Ventos Fortes

Quatro ventos fortes que sopram solitários, sete mares que correm alto
Todas essas coisas que não mudam, aconteça o que acontecer
Agora nossos bons tempos se foram, e eu estou fadado a seguir em frente
Eu vou procurar por você se eu voltar desse jeito

Acho que vou para Alberta, o tempo é bom lá no outono
Tenho alguns amigos para os quais eu posso trabalhar
Ainda assim, eu gostaria que você mudasse de ideia, se eu lhe perguntasse mais uma vez
Mas nós já passamos por isso cem vezes ou mais

Quatro ventos fortes que sopram solitários, sete mares que correm alto
Todas essas coisas que não mudam, aconteça o que acontecer
Agora nossos bons tempos se foram, e eu estou fadado a seguir em frente
Eu vou procurar por você se eu voltar desse jeito

Se eu chegar lá antes que a neve voe, e se as coisas estiverem indo bem
Você poderia me encontrar se eu te mandasse a passagem
Mas então seria inverno, não há muito para você fazer
E o vento sopra frio lá fora

Quatro ventos fortes que sopram solitários, sete mares que correm alto
Todas essas coisas que não mudam, aconteça o que acontecer
Agora nossos bons tempos se foram, e eu estou fadado a seguir em frente
Eu vou procurar por você se eu voltar desse jeito
Sim, nossos bons momentos se foram, e estou decidido a seguir em frente
Eu vou procurar por você se eu voltar desse jeito


________________________
*As 10 Províncias do Canadá são: Colúmbia Britânica; Alberta; Saskatchevan; Manitoba; Ontário; Quebec; New Brunswick; Nova Escócia; Ilha do Príncipe Eduardo; Terra Nova e Labrador. (Os 3 Territórios são: Yukon, Territórios do Noroeste; Nunavut
**Neil Young (1945) cantor e compositor canadense; fez carreira nos Estados Unidos.
***"Four Strong Winds" (quatro ventos fortes), composta pelo cantor e compositor canadense Ian Tyson. Foi gravada por Neil Young no álbum "Comes a time" (Reprise records, 1978)
****"Vou-me embora pra Pasárgada" - poema de Manuel Bandeira, publicado em 1930 no livro "Libertinagem".

sexta-feira, 13 de julho de 2018

PARALELAS


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Belchior, dele, "Paralelas"
https://www.youtube.com/watch?v=fDHQZ6v3OAA


"como é perversa a juventude do meu coração"
(Belchior)

     Dentre as muitas músicas compostas por Belchior, "Paralelas" é uma das que ouço com frequência. Lembro-me de que, a primeira vez que a ouvi, ainda na década de 70, foi na voz de Vanusa - que não era das minhas artistas preferidas. "Paralelas" tinha qualquer coisa que não se moldava bem ao repertório dela: a música parecia trazer uma outra mensagem, muito além da superfície das palavras. Quando descobri que a composição era de Belchior, aí então, definitivamente, fui conquistado por "Paralelas". Ouvi, inúmeras vezes, e em incontáveis situações, por toda a minha juventude, a gravação feita por ele, o Belchior, no disco "Coração Selvagem" (Warner, 1977). Ainda hoje, quando ouço essa música, me vem o sentimento de uma busca por algo incerto, como as buscas que acontecem em "road movies", como as buscas que fazemos por coisas que não sabemos explicar o que são... 


Rod. Niterói-manilha
http://noticiasdesaopedrodaaldeia.com.br/transito-br-101-tera-operacao-especial-a-partir-de-quarta-feira-por-conta-do-feriado/

     "Paralelas" foi além do nosso continente. Caiu nas graças da Europa - da Itália, mais precisamente. Durante uma viagem (à Europa), Belchior foi convidado a conhecer Gigliola Cinquetti* e trabalhar em uma versão de "Paralelas", para o italiano. Desse encontro, o resultado foi "Parallèle" - gravada por Gigliola em seu disco "Pensieri di donna" (1978)... e que somente ontem, depois de tantos anos, consegui ouvir.  

     Essa música me traz imagens de marcas deixadas pelas linhas paralelas dos pneus de um automóvel, o qual trafega em um estrada molhada - retrato melancólico de uma busca infrutífera e desencontrada. Infrutífera porque as linhas paralelas nunca se encontram: haverá sempre uma distância entre elas. De um lado, em uma delas, está a subjetividade do autor, em sua busca; do outro, o desconhecido objeto da busca. A distância constante, que caracteriza as paralelas, estabelece o desencontro... tal como o desencontro das muitas buscas que realizamos... e que, por ausência de objeto, são angustiantes...


"Parallèle", versão de Belchior e Bardotti - Gigliola Cinquetti
https://www.youtube.com/watch?v=pdgu2JTRIdQ&t=31s

*Gigliola Cinquetti* (1947) cantora, atriz e jornalista italiana.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

CORRA E OLHE O CÉU


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DURANTE A LEITURA
"Corra e olhe o céu" - Cartola


     Não, não me diga adeus. Não maldiga nossa sorte. Não deixe de lado a esperança que nutres por mim. Um tropeço, um a mais... Não faz mal: é a possibilidade de um outro aprendizado. As grandes vitórias acontecem a todo instante. Continuo aqui, fértil, alegre, rico, ensolarado, de imensidões abertas para que você me descubra e me explore. 


Brasil: hidrografia - http://www.sogeografia.com.br/Conteudos/GeografiaFisica/Hidrografia/

     Sou seu. Sirva-se de todas as minhas manhãs, de todos os raios de sol que clareiam os seus dias: sirva-se das minhas potencialidades; explore minhas possibilidades. Retire de mim a água, o alimento... Olhe ao redor, orgulhe-se do que te ofereço... Te espero a cada novo despertar. Sou o que fazes de mim, sou um País que canta, que trabalha, que cai e se levanta... que sofre, mas que não se deixa abater. Vencedor ou vencido, sou o Brasil que existe dentro de você. 

domingo, 1 de julho de 2018

COMEÇO DE JOGO


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Izaías e seus Chorões: "Pedacinho de céu" (Waldir Azevedo)
https://www.youtube.com/watch?v=FJJhm7gNL8c

     Não, não é domingo. Mas... todo o comércio está fechado! Um ou outro veículo, esporadicamente, trafega pela rua que, normalmente, está muito movimentada. Já não vejo mais o pedreiro que, até há pouco, empilhava tijolos no imóvel recém destruído. No posto de combustíveis, bem ao lado de uma bomba de gasolina, três senhores sentados estão olhando em direção a um televisor. Os pedestres, os estudantes, os praticantes de caminhadas, os vendedores ambulantes, todos sumiram... Estou eu, na sacada do apartamento, sétimo andar, vigiando a cidade... Lá em cima, no céu, o sol brilha... Aqui embaixo, três horas de uma tarde de quarta-feira. O País está parado, silente: e eu também! Com uma aflição dentro do peito, volto para a sala de estar, sento-me no sofá, e, atentamente, mantenho os olhos fixos nas imagens transmitidas por um canal de TV. Pelo televisor, instalado sobre um móvel de madeira, vejo a Seleção Brasileira de Futebol, na Rússia, entrar em um estádio de futebol.

Soccer Kickoff
http://www.futebolarte.blog.br/2014/08/regras-do-futebol-no-8-o-inicio-e-o-reinicio-do-jogo/

     Está para ser iniciada mais uma partida válida pela Copa do Mundo. Nesse momento, e nos próximos noventa minutos - com uma pausa de quinze -, quero ouvir somente o locutor narrar e comentar a partida... Sem muita esperança de ser atendido, solicito a todos os que estão na sala que fiquem quietos, que permaneçam em seus lugares, que controlem suas ansiedades... a não ser que, nesse período de tempo, o locutor grite: "Gooool do Brasil". A partir daí, então, todos nós, em frente ao televisor, e os brasileiros espalhados pelo mundo, estaremos liberados para emitir sons desordenados e desencontrados, revelar opiniões absurdas sobre cada jogada, pular, gritar, tocar corneta e fazer soar alguma buzina. No entanto, até que isso aconteça - e se acontecer -, muita calma: o Brasil está em campo! E isso mexe com os meus nervos: "Só com os meus?" 

sexta-feira, 22 de junho de 2018

A RÚSSIA, EM CARTÕES-POSTAIS



RÚSSIA. MOSCOU. PRAÇA VERMELHA. Catedral São Basílio e Monumento a Kizma e Pozharsky
Moscou, Praça Vermelha. Catedral de São Basílio
Cartão que me foi enviado por Dasha , colecionadora residente em Kazan, Rússia


     Com o início dos jogos da Copa do Mundo, a Rússia passou a ser o alvo das atenções do mundo todo; não somente pelas partidas que lá estão sendo realizadas, mas principalmente pela Copa representar a utopia da convivência harmônica entre os povos das diferentes nações. Assim, usos, costumes, história, tudo o que possa trazer a Rússia para perto de nós é veiculado pelos meios de comunicação, como forma de convite para que possamos conhecer o país anfitrião.


CLIQUE NA SETA PARA OUVIR ENQUANTO LÊ 
(ASSISTIR DEPOIS DA LEITURA)

"Moscow nights"
https://www.youtube.com/watch?v=QHGEZXdECvg


     Se me perguntassem o que me vem à mente quando o nome do país, "Rússia", é pronunciado, eu logo responderia, e sem pensar duas vezes: neve, Dr. Jivago, Revolução de 1917, Gulag, Soljenitsin, encouraçado Potemkin, Rasputin, Nicolau II, cossacos, czares, Dostoievsky, Tolstói, vodka, igreja de sangue.

     Nos últimos três anos, e cada vez com maior intensidade, a Rússia, por acaso do destino, passou a aproximar-se de mim. Explico: decidido a diminuir minha ignorância em relação ao nosso planeta, cadastrei-me em um grupo, espalhado pelo mundo, de colecionadores de cartões-postais*. Meu objetivo era de, por intermédio deles, dos cartões-postais, sentir-me estimulado a ler, estudar e conhecer as características de outros países, seus prédios históricos, seus valores, seu povo e tudo o que os identifica. E tem sido muitos os cartões-postais que venho recebendo de diversos países espalhados pelo mundo todo.


Cartões-Postais - foto: arq. pessoal

     Mas, foram os colecionadores da Rússia que passaram a ser os mais frequentes remetentes de cartões-postais para o meu endereço.

    Assim, por intermédio de cartões-postais, sem nunca ter ido à Rússia, tenho percorrido o país – em especial as cidades de Moscou e São Petersburgo.

     Pela cidade de São Petersburgo passei a ter um carinho muito especial. Isso porque são maravilhosos os cartões-postais que tenho recebido de lá. Na cidade, às margens do Rio Neva, está o Palácio de Inverno** - a residência oficial dos antigos czares, onde hoje está instalado o Museu Hermitage. Gosto também de receber cartões-postais dessa cidade porque, nesse mesmo rio (o Neva) está ancorado o Cruzador Aurora: o navio que, com uma salva de tiros em direção ao Palácio de Inverno, deu o sinal para o início da Revolução Bolchevique de 1917, quando, então, a cidade chamava-se Petrogrado. Hoje, esse navio é museu e patrimônio histórico de São Petersburgo.


O CRUZADOR AURORA - patrimônio histórico de St. Petersburg. Lançado ao mar em 1900. Deu o sinal para o início da revolução bolchevique/1917 com salva de tiros contra o palácio de inverno em Petrogrado. Atracado no Rio Neva.
"O Cruzador Aurora" - cartão postal que me foi enviado por Natalya, colecionadora residente em São Petersburgo

     Mas há uma cidade, na região dos Montes Urais, chamada EKATERIMBURGO, que estou gostando de estar conhecendo por intermédio de postais. Acho que isso tem acontecido por causa do semblante de Nicolau II, o último czar, que, para mim, em fotos e pinturas, parece um senhor sereno e introspectivo. Claro, essa percepção é muito pessoal... mas fico comparando a maneira como ele foi fotografado e pintado, com o  destino que sua vida teve...


Retrato do último czar da Rússia, Nicolau II, pintado por Ilya Galkin.
Retrato de Nicolau II, pintado por Ilya Galkin
fonte: https://rainhastragicas.com/2015/06/23/bomba-os-romanov-podem-voltar-para-a-russia/

     Por intermédio dos cartões-postais que recebi, fiquei sabendo que Nicolau II, juntamente com sua esposa e seus cinco filhos, foram levados e executados na cidade de Ekaterimburgo. No local onde essa execução aconteceu, uma igreja foi edificada: a chamada “Igreja de Sangue”. Essa igreja, inaugurada no ano 2000, foi erguida em memória de Nicolau II e de sua família: os Romanov***.

     Bom, todo essa minha conversa é para dizer que, com a Copa do Mundo acontecendo, e tendo conhecido a história dos Romanov****, tenho mantido a esperança de receber um cartão-postal, de algum colecionador residente em Ekaterimburgo, ou em qualquer outra cidade da Rússia, que traga uma foto da igreja que foi edificada em memória de Nicolau II e sua família. Quando isso acontecer, prometo mostrar a todos. 

______________________________
*Cadastro no site http://www.postcrossing.com
**Palácio de Inverno" - residência oficial dos czares,em São Petersburgo, onde hoje está o Museu Hermitage.
***Em 1981, tanto Nicolau II quanto sua esposa e filhos, foram canonizados pela igreja ortodoxa russa.
****Para conhecer a história dos Romanov, recomendo o seguinte filme: "Os Romanov: uma família imperial" (Rússia, 2000. Dir.: Gleb Panfilov)

sábado, 16 de junho de 2018

"ZINGARO" (ou "RETRATO EM BRANCO E PRETO")


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"Zingaro"(Tom/Chico) - Chet Baker - do documentário "Let's Get Lost"
https://www.youtube.com/watch?v=1K7Ma6PxVxM

     Há alguns anos assisti a um documentário feito para a televisão francesa*. Nele, o Brasil, ambientado no Rio, é mostrado, desde em estado de extrema virgindade, até o limite da violência desumana. Narrado, traz depoimentos de Chico Buarque de Hollanda sobre as condições sociais e políticas no Brasil, as quais são mostradas pela sua trajetória musical. A abertura do documentário é encantadora: em preto e branco, o Rio é mostrado como uma terra virgem, ainda a ser descoberta... A alegria e a beleza do país estão ilustradas por uma mulher de cabelos longos e soltos, que dança e sorri, com naturalidade, nas areias da praia, e se molha, nas águas do mar, esbanjando liberdade e sensualidade... É a perfeita ilustração de um país nascido sob a marca da delicadeza... mas que se transformou.

     Assisti também, há pouco, a um documentário sobre Chet Baker**. Esse documentário me chamou a atenção***, em especial pela semelhança de uma cena com o documentário sobre o Brasil. Nela, um grupo de jovens  dança e canta nas areias de uma praia da Califórnia (EUA). A ideia que ela nos traz, é, também, de liberdade. No entanto, ao contrário da sensualidade feminina, o embalo desses jovens parece estimulado por substâncias de efeitos alucinógenos. Nesse vídeo, o que se mostra é a trajetória pessoal e artística de Chet Baker: do admirável Chet Baker!


Let's Get Lost [VHS]
https://www.amazon.com/Lets-Get-Lost-Chet-Baker/dp/630165076X


   Ao pensar a respeito dos dois documentários, percebi que a delicadeza da bossa nova, do início dos anos 60, ficou equiparada ao cool jazz desenvolvido pelo Chet Baker, nos Estados Unidos; e que a violência do Brasil de hoje, tem o seu paralelo, em imagens, nas consequências do vício estampado na face e no final da vida de Chet Baker****. 

     Em ambos os documentários, a música que ilustra as cenas iniciais, feitas na praia, é a mesma: "Zingaro".

     "Zingaro", que em português significa "cigano", foi composta por Tom Jobim em 1965*****. Recebeu esse nome porque o Tom Jobim, então vivendo nos Estados Unidos, e conforme contado no livro "Histórias de Canções"******, sentia-se como um cigano. "Zingaro" nasceu como música instrumental. Chico Buarque deu a ela uma letra e a gravou, em 1968, em seu álbum "Chico Buarque de Hollanda (vol.3)", com o título "Retrato em Branco e Preto": ..."Retrato em Branco e Preto"... a lindíssima "Retrato em Branco e Preto", que foi a primeira música resultante da parceria de Tom Jobim com Chico Buarque de Hollanda... e que desdobrou-se em tantas outras...

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Chico ou o País da Delicadeza Perdida - introdução
Video Filmes, 1989 - Dir. Walter Salles
https://www.youtube.com/watch?v=vWw-Pkm1ltg

_______________________________ 
*"Chico ou o País da Delicadeza Perdida" (Brasil/França. Videofilmes, 1989. Dir. Walter Salles e Nelson Motta) 
**Chet Baker (1929-1988) foi um trompetista e cantor de jazz norte-americano.
***"Let's get lost" é um documentário sobre a vida do trompetista Chet Baker (EUA, 1988. Dir. Bruce Weber) 
****Chet Baker foi encontrado morto, em uma calçada da cidade de Amsterdã, na Holanda.
*****Zingaro (cigano) foi lançada por Tom Jobim, em 1967, em seu álbum "A Certain Mr. Jobim".
******HOMEM, Wagner. "Chico Buarque - Histórias de canções" - São Paulo, Leya: 2009

segunda-feira, 28 de maio de 2018

A NOITE DE ENCERRAMENTO DA 18ª FEIRA DO LIVRO DE RIBEIRÃO PRETO-SP


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Verônica Ferriani - "Rosa"(Pixinguinha)

     Nenhum outro artista que tivesse vindo encerrar a 18ª Feira do Livro, de Ribeirão Preto, teria levado tanto charme, encanto e talento, ao palco do Teatro Pedro II, como fez a Verônica Ferriani. A Verônica esteve, simplesmente, impecável.


Verônica Ferriani, no encerramento da 18ª Feira do Livro
27/05/18, Teatro Pedro II, Ribeirão Preto, SP (foto: Carlinhos)

     Acompanhada de uma banda maravilhosa, ela passeou com beleza e muita delicadeza por "What will be, will be", "'S wonderful", "Chega de saudade"... Certamente agradou a todos os que têm bom gosto. Fez um maravilhoso "pout-pourri" de boleros, outro de sambas... Levou a plateia à Espanha, com nada mais, nada menos do que "Granada"... Meus parabéns a ela. Adorei. Se por acaso a virem, digam a ela que "La vie en Rose" foi ótima; que "Fly me to the moon" foi perfeita... que o repertório foi fantástico, de altíssimo nível e bom gosto. Showzaço! Elegante, bonita, charmosa, simpática... ela encantou! Parabéns à organização da Feira do Livro por ter trazido a Verônica para nos proporcionar uma noite musical memorável. Gostei muito!