terça-feira, 24 de maio de 2016

MEU TIO FOI À PESCA


(CLIQUE NA SETA PARA OUVIR ENQUANTO LÊ)
("Uirapuru", de Jacobina e Murilo Latini - Pena Branca e Xavantinho)

     Meu tio foi à pesca. Deixou a cidade, os carros, o movimento de pessoas, as notícias dos jornais, e foi.

     No dia anterior separou anzóis, carretilhas, molinetes, linhas de diversos diâmetros e origens, varas e iscas artificiais. Por último preparou a ceva com os grãos de milho que haviam ficado de molho por sete dias e sete noites. Tendo ajeitado tudo foi se deitar contente. Nem dormiu direito. 

     Levantou cedinho, ainda escuro, tomou um café forte, comeu um pedaço de pão com manteiga e foi.

     Foi p'rá poder ficar quieto, p'rá poder ouvir o curso das águas. Foi com ganas de trazer lambaris, piaparas, piaus e pacus. Levou consigo a alegria de pensar que à noitinha, retornando pelo caminho que margeia o rio, vai poder sentir cheiro de mato, ouvir o canto das cigarras, e olhar a lua nascendo no céu. "Se tiver chuviscado de mansinho no final da tarde", diz ele, "melhor ainda: refresca!" 

("Meu tio" - foto postada no facebook por Ricardo Mourani)

     Meu tio foi à pesca. Foi p'rá sentir uma saudade distante de coisas e de pessoas que o tempo levou; foi p'rá poder ouvir os pássaros e voltar p'rá casa com espírito de menino. Foi p'rá reanimar o coração e encher a cabeça de histórias. Foi p'rá sentir o prazer do retorno, sentar-se na cozinha com a companheira da vida toda, contar a ela as aventuras do dia e relembrar histórias antigas. Foi p'rá poder, antes de se deitar, sentar-se na cadeira de descanso da garagem a céu aberto, na escuridão, acender um cigarro e ficar olhando as estrelas... até adormecer... adormecer e sonhar... sonhar com as matas, com os peixes e com os passarinhos...

quinta-feira, 12 de maio de 2016

"IMPEACHMENT"


     É com muito desconforto e tristeza que estou acompanhando o processo de impedimento da presidente da república. Gostaria que nada disso estivesse acontecendo. Queria que o meu país estivesse dando bons exemplos ao mundo, com um rumo certo sendo seguido, com nossos representantes trabalhando pelo bem coletivo, progredindo... 

     Mas, andando pelas ruas, vejo muitos imóveis fechados, desocupados, colocados à venda, em locação; nas esquinas, gente saudável e em idade de trabalho pedindo ajuda; nos faróis, vendedores de balas, canetas, malabaristas, flanelinhas, engolidores de fogo, todos tentando encontrar um jeito de poder sobreviver; empresas encerrando suas atividades, brasileiros sem trabalho, judiados e desesperançosos...

     Nós nos tornamos manchetes vexaminosas nos jornais de todo o mundo. Nosso país não merece isso. 

     O Brasil, em tempos recentes, afundou-se em problemas políticos e ficou de olhos fechados para as questões econômicas. Vimos, estarrecidos, cargos públicos no governo federal, de altíssimo escalão, serem manejados tal como produtos de troca sem nenhuma importância; vimos o país travado em batalhas e manobras jurídicas pelo poder - só pelo "poder": "que pequenez!!" 

     Pelo menos, dá-me um certo alívio ver que nossas Instituições democráticas estão funcionando bem e cumprindo as funções para as quais foram criadas. 

     O processo de impeachment foi deflagrado com fundamento em dispositivo constitucional, seguindo todos os seus trâmites em conformidade com a lei específica, a qual foi debatida e reavaliada pelo STF. Por tal motivo, o argumento de estar ocorrendo um "golpe" me parece uma maneira maldosa de incitar a população ao ódio, ao maniqueísmo, e à violência. 

     Dizer que foram as urnas que escolheram um Presidente não dá a ele o poder absoluto de agir como quiser, o direito de praticar discricionariamente todos os seus atos. O administrador público tem a autorização constitucional de praticar somente os atos que lhe forem permitidos por lei, e dentro de seus limites. O Estado e o agente público são responsáveis pelo que vierem a praticar. E nisso consiste o Estado de Direito. Para isso o Congresso Nacional exerce suas funções - não só de legislar, mas também de fiscalizar os atos do Poder Executivo.  

     Foi assim que os parlamentares brasileiros, também eleitos e legitimamente representando o povo brasileiro, autorizaram, na Câmara, a instauração do processo de impedimento; e, no Senado, afastaram a Presidente de suas funções para que possa ser julgada com amplo direito de defesa e dentro dos parâmetros do devido processo legal. Caso o Senado, ao final, venha a julgar improcedente o pedido de impeachment, a Presidente reassume suas funções. 

     Tudo com respaldo na Constituição (artigo 85, parágrafo único) e na Lei do Impeachment (Lei 1079/50).

(Constituição Federal/88 - capa de uma edição)

     Assim, prevendo a hipótese de impedimento ou de vacância do cargo de presidente da república, a Constituição determina que assuma o Vice (artigo 79) - também eleito, juntamente e da mesma forma que o Presidente. 

     E que assim seja!

     Não é o caso de questionarmos se o governo do Vice-Presidente, também eleito com 54 milhões de votos para exercer suas funções, será bom ou ruim: ainda é muito cedo para isso - e nem temos elementos para a formação de nossa convicção. Que seja, portanto, respeitada a Constituição: o Vice deve exercer as funções de Presidente, conforme constitucionalmente previsto. 

     Contudo, se houver indícios de que ele - o Vice em exercício - praticou ou veio a praticar atos que o desabonem, que o tornem indigno de governar e representar os brasileiros, então que em relação a ele também sejam tomadas as providências legais cabíveis para destituí-lo das funções que estiver exercendo. Os mecanismos jurídicos para isso existem - e é sabido que há contra ele pedido de impeachment em trâmite na Câmara dos Deputados.

     Enquanto não houver impeachment do Vice, com seu afastamento determinado pelo Senado, dentro dos parâmetros legais, esperamos que pelo menos nossas Instituições continuem funcionando bem - e que seja respeitada a Constituição.

     Não é o momento para uma nova eleição objetivando a escolha de novo Presidente e Vice. Uma nova eleição - assim prevê a Constituição - deve ocorrer somente no caso de vacância dos cargos de Presidente e de Vice-Presidente da República (artigo 81 da CF). Também convém que saibamos: se tal vacância ocorrer nos dois últimos anos do período presidencial (4 anos), a eleição para ambos os cargos será feita pelo Congresso Nacional - e não pelo voto direto do povo.

     Enquanto isso, o meu desejo (utópico, eu sei) é o de que o espírito Olímpico nos una a todos, como irmãos, e como filhos dessa terra que queremos ver progredir; que tal espírito demova nossos representantes e governantes da ideia de quererem cuidar exclusivamente dos interesses deste ou daquele partido político; que consigam enxergar mais longe, e que governem pelo progresso do Brasil e do povo brasileiro.

terça-feira, 3 de maio de 2016

UMA OUTRA PRIMAVERA


(CLIQUE NA SETA PARA OUVIR ENQUANTO LÊ)
(Jamil y su canto árabe - fonte: https://www.youtube.com/watch?v=fN8XQyqyV3k)

     A primavera é um período do ano em que as flores desabrocham e a natureza mostra suas cores e perfumes. De maneira simbólica, nós também, em algum momento, diante de alguma situação que nos incomoda, desabrochamos. E em circunstâncias assim levantamos a voz, mostramos nossa indignação e nosso inconformismo.

     Na história recente, a partir de 2010, uma série de manifestações que ficaram conhecidas como "Primavera Árabe" foram deflagradas no oriente médio e no norte da África. Na Tunísia, Líbia, Egito, Síria, e em outros países, a população tomou as ruas para buscar demover ditadores e reivindicar melhores condições sociais de vida.

     Nem todos os movimentos foram bem sucedidos. Em virtude dessa instabilidade política e consequente violência, muitos, por todos os meios possíveis e imagináveis de fuga, passaram a deixar seus países para procurar refúgio na Europa e em outros cantos do mundo. Na Síria, por exemplo, as manifestações ensejaram conflitos com perfis de guerra civil e resultaram em muitas mortes. 

     Diante dessas crises cíclicas por que passa a humanidade a história ensina que, na condição de refugiados ou simples emigrantes, essas buscas por melhores condições de vida nunca cessam.

     Lasar Segall*, ele próprio um imigrante, em "Navio de Emigrantes" fez uma bela alegoria de homens e mulheres à procura de outra realidade. Nela, o artista retrata famílias inteiras, e mesmo indivíduos isolados, fugindo, num navio, de guerra, de fome e de miséria.

Navio de Emigrantes
(Navio de Emigrantes - Lasar Segall, 1939 - fonte:  http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra2190/navio-de-emigrantes)

     Em outros tempos, na minha terra, indo em direção à minha casa, eu costumava passar pela "rua da cadeia". E ali, em um alpendre que tinha a esquina como o oceano da casa, eu cumprimentava um grupo de irmãos sentados lado a lado, conversando, em cadeiras de descanso. Eram imigrantes sírio-libaneses; criaram suas famílias, construíram suas vidas no Brasil e, com seu trabalho, ajudaram a edificar uma cidade - a minha cidade.

(Srs. Zahki, Jorge e Antoun, no alpendre - foto cedida por Rimon Tannous)

     Hoje, quando passo por aquela rua, não vejo mais os três irmãos que se sentavam nas cadeiras do alpendre da casa. Contudo, continua naquela esquina a memória dos exemplos daqueles que as ocupavam, bem como os de muitos outros imigrantes sírios-libaneses que, na primeira metade do século passado, vieram para o Brasil e aqui construíram a imagem positiva de um povo honesto e trabalhador.

     Se às vezes vejo na TV ou nos jornais a notícia e as imagens de refugiados sírios buscando uma nova vida em algum outro país, lembro-me dos imigrantes sírios e libaneses que conheci... e lamento, lamento e me envergonho, profundamente, que diante deles, atualmente, muros e fronteiras cerceiem seu direito natural de reflorescer e criar em liberdade, com dignidade, os seus filhos.

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* LASAR SEGALL (pintor, escultor e gravurista) Nasceu em Vilna, atual capital da Lituânia. Esteve no Brasil em 1913. Em 1923 mudou-se para São Paulo e quatro anos depois naturalizou-se brasileiro.

sábado, 23 de abril de 2016

O CÓDIGO DE HAMURABI E A LEGISLAÇÃO BRASILEIRA



(O "Código de Hamurabi" - detalhe superior - foto: arq. pessoal)


     A História nos conta que o Império da Babilônia, fundado por Hamurabi, surgiu do amontoamento de vários povos. Pressupõe-se que, em se tratando de povos diferentes, suas culturas fossem diferentes, suas crenças e valores fossem diferentes. Plenamente compreensível portanto que Hamurabi, querendo pacificar o convívio entre os diversos povos de seu reino, viesse a criar um conjunto de regras que hoje conhecemos como Código de Hamurabi - sistematizando assim a administração da justiça e estimação de condutas. Afinal, o Direito é um processo de adaptação social consistente no estabelecimento de regras de conduta para o convívio pacífico em sociedade, e cuja incidência independe da adesão daqueles a quem as regras são direcionadas.

     Em assim sendo, e em se tomando por base o processo civilizatório do homem e sua evolução ao longo do tempo, pensar que o Código de Hamurabi data de cerca de dois mil anos antes de Cristo é plenamente compreensível a consagração do princípio de talião nos seus preceitos. Compreensível, da mesma forma, que o Código compreenda um emaranhado de regras abrangendo uma diversidade de assuntos, carente dos rigores da técnica: crimes, patrimônio, família, sucessões, obrigações, salários, direitos e deveres, escravos... tudo, em um único texto esculpido em pedra.

(A estela com o "Código de Hamurabi" - Museu do Louvre - foto: arq. pessoal)

     As regras contidas no Código de Hamurabi seriam inaplicáveis nos dias de hoje. Inaplicáveis porque não traduziriam o estágio evolucional em que nos encontramos. Abolimos penas cruéis tais como o lançamento de um ofensor em um rio, morte no fogo, espancamento e tantas mais previstas no Código de Hamurabi.

     A começar dos poderes outorgados ao criador do Código (Hamurabi – conforme texto em seu preâmbulo) – o representante dos deuses na Terra – todo o Código é elaborado sem a participação direta ou indireta daqueles a quem os dispositivos são direcionados - ao contrário dos Códigos modernos, democráticos. No Brasil e nas democracias de hoje seria inadmissível, senão sob o símbolo da ilegitimidade, a elaboração de um Código de Leis por um corpo de legisladores que não fosse, pelo menos, escolhido por aqueles a quem os dispositivos seriam endereçados.

     O homem se transforma, a sociedade se modifica, as leis, por conseguinte, precisam ser revistas. Sinônimo de evolução é a Lei trazer em seu próprio texto os procedimentos a serem obedecidos para que sejam modificadas. No Código de Hamurabi não havia esse cuidado, portanto, ficando as regras de direito colocadas de forma definitiva, como se a sociedade fosse estática.

(O "Código de Hamurabi" - detalhe explicativo no pedestal - foto: arq. pessoal)

     No Brasil, a existência de uma Constituição do Império, e sete Constituições na República, traduz a constante reformulação a que estamos submetidos, por regras escritas, com critérios de interpretação, conforme os anseios e valores sociais se transformam.

     Além disso, um povo instruído e politizado - ao contrário das populações dos primórdios dos tempos – deve ser o próprio agente de seu destino. No Código de Hamurabi o constante legislador – se é que havia revisão de leis – era ele próprio. No Direito moderno há, inclusive, mecanismos de participação popular na criação de leis – haja vista a iniciativa popular, o plebiscito e o referendo previstos em nossa Constituição Federal. Contudo, para isso, um perfil de valores tendente ao uniforme é preponderante para que, pelo menos, prevaleça a vontade da maioria na elaboração das regras da sociedade. Tal mecanismo inexistia quando da vigência do Código de Hamurabi.

     As regras contidas no Código de Hamurabi traduzem, à luz do desenvolvimento social e jurídico do nosso tempo, uma sociedade cruel, vingativa, punitiva – e totalmente entregue aos valores centrados na figura e nas crenças de um “imperador” onipotente, tido como o representante dos deuses na Terra, senhor de um povo fraco e entregue...

(O "Código de Hamurabi" em escrita cuneiforme no corpo da estela -detalhe- foto: arq. pessoal)

     Em um primeiro momento, a se pensar em “olho por olho, dente por dente”, poderíamos até acreditar na prevalência de um certo princípio de equidade. Contudo, as punições e direitos criados por essa lei também levavam em consideração a posição social de que estava envolvido em cada uma das situações descritas no texto do Código. Assim, no Código, a punição de um crime ocorrido entre escravos não seria a mesma quando um escravo realizasse algo contra seu senhor – o que fere gravemente o princípio da equidade preponderante nos códigos atuais.

     No código de Hamurabi não há nem mesmo a disposição quanto à organização do que se poderia chamar de “Estado”, na antiguidade, no que se refere à Babilônia; ou seja, não se disciplinava o funcionamento e a organização do que poderíamos chamar “Estado Babilônia” – mesmo porque ainda não havia uma noção do que viria a ser o Estado. Nos documentos legais de um país moderno, assim como na Constituição Federal do Brasil, a forma de governar, a descentralização do poder, a organização dos entes federados está totalmente prevista e regrada.

     O Código de Hamurabi apresenta, inclusive, no que tange a crimes e penas, punições que vão além do princípio “tal e qual” – ou seja, o princípio talião. O seu artigo 6º, por exemplo, pune com morte tanto o receptador quanto aquele que furta bens “dos Deuses ou da Corte”. Assim, em valores culturais do nosso tempo - em que a vida vale muito mais do que um bem material qualquer -, punir com morte vai muito além da punição com prisão, prevista em nosso Código Penal vigente para tal crime.

     É interessante notarmos também, no Código de Hamurabi, o regramento para o que é tratado no item IV como “das locações e regime geral dos fundos rústicos mútuo, locação de casas, doação em pagamento”. Nos dispositivos regrando o tema, a referência ao tipo de cultura é a de “trigo”, unicamente a de “trigo” – ao que o Código indica, parecia haver somente a cultura do “trigo”.

     No que tange à locação de imóvel, nas “Lacunas de Cinco Colunas”, há a previsão de o inquilino pagar ao proprietário o valor total de um ano da locação. Interessante notarmos que, se o proprietário pede o imóvel antes do prazo, este deverá restituir uma quota proporcional à soma que o inquilino lhe deu (item 2). Na lei do inquilinato em vigor o proprietário não tem o direito de reaver o imóvel alugado antes do prazo (lei 8245/91, art. 4º) e incorre em contravenção caso exija antecipadamente o aluguel.

     A igualdade entre homem e mulher, tampouco, é inexistente no Código de Hamurabi – o que é inadmissível para os códigos e leis atuais – pelo menos para os países ocidentais. O art. 110º diz que se uma “irmã de Deus” (o que se supõe ser uma freira), que não habita com criança, abrir ou entrar em uma taberna para beber, deverá ser queimada. Em nossa legislação deve prevalecer o direito de igualdade entre homem e mulher, conforme estabelecido na Constituição Federal; se neste dispositivo, esta mulher, hoje, transgredir alguma regra, esta regra será unicamente relativa às normas das organizações eclesiásticas – e, evidentemente, a punição com penas cruéis (tal como queimar alguém prevista no Código de Hamurabi), não á admissível.

     No que tange às regras de família, o Direito brasileiro evoluiu a ponto de reconhecer a união estável, inclusive permitindo a adoção por casal homossexual. No Código de Hamurabi, o adultério pune a mulher e o seu companheiro, amarrando-os e lançando-os na água – salvo se o marido perdoar a sua mulher e o rei a seu escravo. Interessante observarmos que o código não trata da situação em que o marido comete o adultério – ilustrando assim a desigualdade de tratamento entre homem e mulher no Código Hamurabi.

     Há, inclusive, no Código de Hamurabi, no artigo 131, a situação em que o simples juramento em nome de Deus já configura prova de que uma mulher acusada de adultério pelo marido, mas sem qualquer elemento de prova, está perdoada. Já, há muito tempo, o Estado está separado da igreja. O Estado brasileiro é laico.

     Enfim, as diferenças entre os Códigos atuais e o Código de Hamurabi são enormes. Abolidas no Brasil, desde a escravidão, em 1888, que criava um tratamento desumano entre seres humanos, até a aplicação de penas cruéis; e sendo criados institutos modernos tais como o impeachment e os instrumentos de participação popular nas decisões do governo (iniciativa popular, referendo e plebiscito), o que se pode concluir é que o homem, como ser que evolui, desenvolveu o Estado, criou normas para coibir o abuso de poder por parte do Estado e de seus agentes, e do ano dois mil antes de Cristo até hoje, muito se caminhou em termos de evolução.

     Penso, por fim, como serão interpretadas as nossas regras de Direito pelos povos que vierem a estudá-las nos próximos milênios. Será considerado justo punir crime com prisão? Será justo punir civilmente alguém com a perda de bens? Só o tempo nos dirá... e não estaremos vivos para sabermos qual será a resposta para essas perguntas. 

sexta-feira, 15 de abril de 2016

UM POEMA SOBRE A TERRA


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(Vinícius e Toquinho, deles, "As cores de Abril")



Esta árvore,
 um poema sobre a terra.
Entre nós, uma cumplicidade:
nós nos vemos todos os dias.
Sua existência embeleza a cidade.

Mesmo quando não florida, 
a lembrança de suas cores alegra o meu dia.


Seu endereço: Avenida Independência, entre as Avenidas Nove de Julho e Prof. João Fiúsa.

(A árvore florida no mês de Abril - Foto: arq. pessoal)

quinta-feira, 14 de abril de 2016

BRASÍLIA E OS DESTINOS DA NAÇÃO


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(Martinho da Vila - "Aquerela brasileira", de Silas de Oliveira)


"Deste planalto central, desta solidão que em breve se transformará em cérebro das altas decisões nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã do meu país e antevejo esta alvorada com fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino." 
(Juscelino Kubitscheck)


Senhores Deputados, Senhores Senadores, Senhores Ministros do Supremo, Senhores Ministros de Estado, Senhora Presidente da República:

Em suas decisões, espelhem-se nos pioneiros que ergueram nossa capital...

("Monumento aos Candangos" - Praça dos Três Poderes, Brasília. foto: arq. pessoal)

Lembrem-se daqueles que de todas as formas possíveis de locomoção, com pureza de ideais, com simplicidade e determinação, chegaram ao planalto central para erguer "um novo Tempo", construir uma nova civilização...

Seu objeto de cobiça não era ouro ou diamantes... Seus anseios eram pela construção de uma cidade "muito branca e muito pura"...

pura em propósitos,
pura em graça,
pura em modelos de justiça e perfeição.

Que pudesse inaugurar um novo tempo, uma nova aurora, um novo país,

fundado em valores que dignificam o homem... 
construído na convivência harmônica entre seus habitantes,
servindo de farol a espalhar virtudes para toda a nação.

Senhores Deputados, Senhores Senadores, Senhores Ministros do Supremo, Senhores Ministros de Estado, Senhora Presidente da República:

Não quero que ninguém em nenhum lugar no mundo zombe de mim e do meu país. De seus gestos e de suas decisões espero, amanhã, poder voltar os olhos para a minha terra e sentir orgulho do que foi feito em nome dos pioneiros, em meu nome, em nome do povo brasileiro, em nome da obediência à ética e à moral na gestão das coisas públicas... Quero, então, com orgulho no peito, cabeça erguida e brilho nos olhos, poder afirmar em todos os cantos do planeta que no Brasil as instituições são respeitadas; que há aqui gente que trabalha e constrói com honestidade; que o meu país é tão rico em virtudes e valores dignificantes quanto o é em belezas e recursos naturais - os quais alimentam o mundo. 

(CLIQUE NA SETA PARA OUVIR E ASSISTIR)
("Sinfonia da Alvorada" - Vinícius e Tom: trechos)

sábado, 9 de abril de 2016

OLHANDO PARA O CÉU


(CLIQUE NA SETA PARA OUVIR ENQUANTO LÊ)
("Sukiyaki" - 1963 - composta por Rokusuke Ei e Hachidai Nakamura)

     Em 1963 uma música japonesa ficou mundialmente conhecida...

     Hoje de manhã, ainda deitado, entrei no facebook e me deparei com uma reflexão do meu amigo F.R. Ele lamenta por não olharmos mais para o céu; por termos trocado as estrelas pelas informações contidas nos aparelhos celulares - em outras palavras, ele diz que ao invés de erguermos nossa cabeça nós a baixamos. Lembrando que os antigos encontravam seus caminhos mirando as estrelas, ele conta que ainda curte olhar para o céu. 

     Gostei da postagem... Talvez os caminhos mais significativos em nossas vidas sejam aqueles ditados pelo instinto, aqueles que não podem ser detectados pelos programas de celular. Parece-me que nossos caminhos passaram a ser direcionados apenas para o imediato; que têm sido ditados por programas de celular que, apesar de práticos, e por sua irracionalidade, não têm a capacidade humana de ir além...


étoile filante dans le ciel du Jura
(fonte: http://www.europe1.fr/sciences/les-plus-belles-photos-de-ciel-etoile-2193127)


     Meu amigo FR está certo. Talvez precisássemos olhar mais para o céu; talvez precisássemos identificar nele estrelas que pudessem nos ajudar a nos guiarmos pelos nossos instintos. Talvez, olhando para o céu, a gente consiga fazer com que nossos programas de celular transcendam, e que possamos programá-los melhor para para que nosso projeto de vida vá muito além de um futuro próximo e imediato...

     Em 1963 uma música japonesa ficou mundialmente conhecida... 

     E eu, menino, olhava para o céu...

     Com esse título ("Olhando para o céu") essa música foi vertida para o português. Em 1964 foi gravada aqui no Brasil pelo Trio Esperança... e fez muito sucesso. 

     Ao ler a reflexão do meu amigo lembrei-me dela - e lembrei-me de mim.

(CLIQUE NA SETA PARA OUVIR A VERSÃO EM PORTUGUÊS)
(Trio Esperança - "Olhando para o céu" - versão de Romeo Nunes para "Sukiyaki")


SUKIYAKI (tradução)

Eu ando olhando para cima
Para que as lágrimas não caiam
Relembrando aqueles dias de primavera
Mas esta noite estou só

Eu ando olhando para cima
Contando as estrelas com olhos lacrimejados
Relembrando aqueles dias de verão
Mas esta noite estou só

A felicidade esta além das nuvens
A felicidade esta acima do céu

Eu ando olhando para cima
Então as lágrimas não caem
Embora elas aumentem enquanto caminho
Por esta noite estou só
(assobio)
Relembrando aqueles dias de outono

Mas hoje noite estou só
A tristeza esta na sombra das estrelas
A tristeza esta a espreita na sombra da lua

Eu ando olhando para cima
Então as lágrimas não caem
Embora elas aumentem enquanto caminho
Por esta noite estou só
OLHANDO PARA O CÉU (versão)

Olhando para o Céu
Eu sigo a caminhar
Onde estará o meu amor em que estrela está
Todo este bem que eu perdi
E que em vão tento encontrar

Olhando para o céu
Estrelas me dirão que é bom sonhar
Ter alguém que sonhar faz bem
Que até nos céus fazem par
Os meus sonhos e os teus

Há no meu olhar uma lágrima triste
Que não quer deixar que eu me esqueça de alguém

E eu sigo a caminhar, tentando não chorar
Quero encontrar numa estrela esse alguém meu bem
Que eu tanto amei que se foi
E que um dia há de voltar

Há no meu olhar uma lágrima triste
Que não quer deixar que eu me esqueça de alguém

E eu sigo a caminhar, tentando não chorar
Quero encontrar numa estrela esse alguém meu bem
Que eu tanto amei que se foi
E que um dia há de voltar

E que um dia há de voltar