sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

TOM JOBIM: O ÚLTIMO DISCO


(Capa do disco "JOBIM - Antônio Brasileiro" - 1994. Fonte: 300discos.wordpress.com)


                                                                                                      Breve é o dia
                                                                                                      Breve é a vida
                                                                                                      De breves flores
                                                                                                      Na despedida
                                                                                                       (Tom Jobim)


     Dia 25 de janeiro é aniversário da cidade de São Paulo. Mas é também o dia do aniversário de nascimento de Tom Jobim. Se estivesse vivo, ele estaria fazendo hoje 86 anos.

     O primeiro momento em que me interessei em conhecer o Tom foi na década de 60 quando fui apresentado, pelo meu tio, ao LP "Vinícius e Caymmi no Zum Zum". Nesse disco, resultante de uma série de shows no Rio de Janeiro entre os anos de 1964 e 1965, depois da faixa de introdução "Bom dia Amigo" (cantada pelo Quarteto em Cy), o Vinícius de Moraes lê uma Carta por ele escrita na França e endereçada ao Tom - carta que nunca foi mandada - ele explicava. Lembro-me bem dessa Carta, inteirinha, de cor e salteada, por ter ouvido inúmeras vezes a gravação da sua leitura: 

        "Porto do Havre, sete de setembro de 1964: 
        "Tonzim" Querido: 
      Estou aqui num quarto de hotel, que dá para uma praça, que dá para toda  solidão do mundo. São dez horas da noite e não se vê viv'alma. Meu navio só sai amanhã à tarde e é impossível alguém estar mais triste do que eu. E como sempre, nessas horas, escrevo para você cartas que nunca mando. (...)". 

     Era assim que começava a Carta...

     Depois disso, com toda a história da Bossa-Nova, fui saboreando e pintando meu mundo com cada uma das canções dos discos solo do Tom - em especial "Wave" (1967), "Tide" (1970), "Matita Perê" (1973), "Terra Brasilis" (1980) e "Passarim" (1987).

     Mas um dos discos do Tom pelo qual tenho o maior carinho foi gravado com o Frank Sinatra: "Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim", álbum de 1967. Assim como aquele do Vinícius lendo a "Carta a Tom", ouvi e ainda hoje ouço esse disco com a mesma emoção de sempre. Aliás, tenho dois originais de cada um deles ("Vai que um quebra e depois não acho outro original para comprar!")

     É de 1974 "Elis & Tom", produzido por Aloysio de Oliveira, um outro álbum do Tom de que gosto muitíssimo e que foi resultante de uma bela parceria dele com a Elis Regina. Esse é um dos discos mais lindos que conheço - e dos mais importantes da MPB! E desse disco também tenho dois originais, pelo mesmo motivo que tenho dois do "Sinatra & Jobim" e do "Vinicius & Caymmi no Zum Zum".

     O Tom morreu em 11 de dezembro de 1994. Lembro-me bem das reportagens de televisão daquele dia a respeito de sua morte: gravei em fita VHS todos os programas e comentários que assisti, e os tenho guardados em uma gaveta aqui do meu escritório. Três dias depois de sua morte foi lançado "Antônio Brasileiro" - seu último disco solo. Eu não quis comprá-lo... eu não conseguia comprá-lo. Eu não queria que findasse aquela expectativa por uma música nova, uma gravação nova, algo do Tom que nem eu nem ninguém nunca tivesse ouvido: pois era o último disco, a última gravação, o ponto final! A partir dele não apareceria nenhuma música inédita composta ou arranjada pelo Tom. Por isso resisti por algum tempo à sua compra.  

     Passaram-se os anos. Em uma tarde de sábado, sozinho em casa, carente de música, não me contive: corri para uma loja e comprei o disco -  e passei o final de semana todo ouvindo a despedida do Tom. 

     Hoje me lembro do aniversário dele, presto a ele minhas homenagens, e o agradeço pelas muitas vezes que suas músicas deram o ritmo dos meus dias. 

 ("Te amo São Paulo" - homenagem de Tom Jobim a São Paulo - gravada pouco antes de sua morte, e utilizada como tema de campanha publicitária de um shopping center)
    

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