sexta-feira, 1 de março de 2013

A CHUVA - (ou PENSAMENTOS INÚTEIS QUE ME OCORRERAM COM A CHEGADA DE UMA NUVEM ESCURA)




("Chuva" - Baden Powell e Maurício Einhorn - de Pedro Camargo e Durval Ferreira, gravada pelo Baden em 1966)

A escuridão da noite ainda não tomou conta do ceu. Uma nuvem imensa e escura começa a cobrir a cidade. Veio do leste, com o vento. 

Do décimo-segundo andar fico olhando o prédio em frente. As luzes de alguns apartamentos se acendem. Um casal do décimo-primeiro que brincava com um bebê na varanda recolhe cadeiras, entra e fecha a porta de vidro. Alguns pássaros fazem voos arriscados. No vão entre dois edifícios vejo acesas as luzes da igreja.

Do outro lado da rua duas palmeiras enormes assobiam e sacodem suas folhas com a força do vento. Lá embaixo o portão do estacionamento bate. Não há pedestres nas calçadas. A vida se recolhe e se aquieta. A natureza se manifesta. 

Em casa as janelas estão fechadas. Fecho também o meu livro. Sentado na varanda vigio a cidade. Vêm os primeiros pingos de chuva. Em silêncio, antes de entrar, fico ouvindo o vento... e humildemente peço a Deus que a chuva, com suavidade, alimente as árvores e as plantas; que lave as ruas, os prédios e os carros. Peço também que proporcione uma noite de tranquilidade ao casal e ao bebê do décimo-primeiro andar. Peço por fim que ela, guardando a mim e a todos dentro de nossas casas, traga-nos uma noite de amor e de paz - com cheiro molhado de flores do campo.
 

("Uma nuvem imensa e escura começa a cobrir a cidade" - foto: arq. pessoal)


22jan2013

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