sexta-feira, 4 de maio de 2012

ADIÓS MUCHACHOS


(Louis Armstrong - fonte: http://jornalggn.com.br/noticia/classicos-de-louis-armstrong)

     "Adiós Muchachos" é um tango argentino com letra de César Felipe Vedani e música de Julio César Alberto Sanders. Esse tango fala de morte, de alguém que, doente, deixando a vida, despede-se de seus amigos. É um sofrimento danado - como é próprio do gênero.

     Quem primeiro o gravou foi Agustin Magaldi, em 1927*; no ano seguinte foi a vez de Carlos Gardel fazê-lo. Quase noventa nos já se passaram desde sua primeira gravação, e ainda hoje muitos artistas o interpretam e gravam.

     Eu não conhecia, até há pouco, a gravação que dele fez o Louis Armstrong. Pois foi justamente ouvindo e assistindo essa gravação que reforcei minha consideração pela universalidade da música, no sentido de integrar povos, costumes e tradições, irmanando e aproximando os homens. Por intermédio da música estendemos os braços, nos abraçamos, nos damos as mãos, cantamos, sorrimos e dançamos fraternalmente - independente de nacionalidade ou fronteira.

     Pois vejam só que "tempero": o grande Louis Armstrong, artista norte-americano de origens africanas, interpretando em um clube de Stuttgart, na Alemanha, em ritmo de jazz, um tango argentino!

     Só nos resta então ouvirmos a música, aumentarmos o som do vídeo, e, com o coração brasileiro, rendermos graças ao grande "Satchmo"**.  
 
(CLIQUE NA SETA PARA OUVIR E ASSISTIR)
("Adiós Muchachos", de Vedani/Sanderes - Louis Armstrong - Stuttgart, 1959 - fonte youtube)


Adiós Muchachos

Adios muchachos, compañeros de mi vida,
Barra querida de aquellos tiempos
Me toca a mi hoy emprender la retirada,
Debo alejarme de mi buena muchachada.
Adios muchachos, ya me voy y me resigno
Contra el destino nadie la talla
Se terminaron para mi todas las farras,
Mi cuerpo enfermo no resiste más

Acuden a mi mente
Recuerdos de otros tiempos,
De los bellos momentos
Que antaño disfrute,
Cerquita de mi madre,
Santa viejita,
Y de mi noviecita
Que tanto idolatre

Se acuerdan que era hermosa,
Mas linda que una diosa
Y que, ebrio yo de amor,
Le di mi corazón?
Mas el señor, celoso
De sus encantos,
Hundiendome en el llanto,
Me la llevo

Es dios el juez supremo.
No hay quien se le resista.
Ya estoy acostumbrado
Su ley a respetar,
Pues mi vida deshizo
Con sus mandatos
Al robarme a mi madre
Y a mi novia también

Dos lagrimas sinceras
Derramo en mi partida
Por la barra querida
Que nunca me olvido.
Y al darle, mis amigos,
El adiós postrero,
Les doy con toda mi alma,
Mi bendición

Adios muchachos, compañeros de mi vida,
Barra querida de aquellos tiempos
Me toca a mi hoy emprender la retirada,
Debo alejarme de mi buena muchachada
Adios muchachos, ya me voy y me resigno
Contra el destino nadie la talla
Se terminaron para mi todas las farras,
Mi cuerpo enfermo no resiste más
Adeus Rapazes

Adeus rapazes, companheiros de minha vida,
turma querida daqueles tempos.
Cabe a mim hoje empreender a retirada,
devo afastar-me de minha boa rapaziada,
Adeus rapazes, já me vou e me resigno.
Contra o destino ninguém argumenta.
Acabaram para mim todas as farras,
meu corpo enfermo não resiste mais.

Voltam a minha mente,
lembranças de outros tempos,
de belos momentos,
que então eu desfrutei,
juntinho de minha mãe,
minha santa velhinha,
e de minha noivinha
que tanto idolatrei.

Lembram que era formosa,
mais bela que uma deusa
e que, ébrio de amor,
lhe dei meu coração?
Porém o Senhor, ciumento
de seus encantos,
cobrindo-me de pranto,
a levou.

É Deus o juiz supremo.
Não há quem se lhe oponha.
Já estou acostumado
a respeitar sua lei,
pois minha vida se desfez
com seus mandatos
ao levar minha mãe
e minha noiva também.

Duas lágrimas sinceras
derramo em minha partida
pela turma querida
que nunca me esqueceu.
E ao dar-lhes, meus amigos,
o último adeus,
lhes dou com toda minha alma,
minha bênção.

Adeus rapazes, companheiros de minha vida,
turma querida daqueles tempos.
Cabe a mim hoje empreender a retirada,
devo afastar-me de minha boa rapaziada,
Adeus rapazes, já me vou e me resigno.
Contra o destino ninguém argumenta.
Acabaram para mim todas as farras,
meu corpo enfermo não resiste mais.


*conforme conta Héctor Ángel Benedetti, em “Las mejores letras de Tango”, 1ª Ed. – Buenos Aires: Booket, 2003
**Satchmo - apelido de Louis Armstrong. Vem de "Sack Mouth", ou "Satchel Mouth", que significam "boca de saco", ou  "boca de mochila".


2 comentários:

  1. Ah! Essa música está impregnada na minha mente, pois ouvi muito na infância e juventude em decorrência dos gostos dos meus pais e tios. Depois de algum tempo como acompanhante de violão, como por exemplo, o Barrinha. Mas, isso faz muito tempo e dou graças a Deus por ter passado por isso. Agora, com essa interpretação excepcional veio me grudar mais ainda a música no meu coração. Obrigado.

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    1. Obrigado, João, por compartilhar também suas vivências. Fico contente com isso. Grande abraço. ELIAS.

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