quinta-feira, 10 de outubro de 2013

CAMPO GRANDE E SEUS DESBRAVADORES


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(Zé do Campo e Camponês - "Campo Grande cidade morena", de Claudemir Rivarola - fonte: https://www.youtube.com/watch?v=AuXD1D3hLyQ)

Lá em Brasília, na Praça dos Três Poderes, há um belíssimo monumento em homenagem aos construtores da cidade: o Monumento aos Candangos.

Pois há também em Campo Grande, capital do Estado do Mato Grosso do Sul, um monumento de igual significado e importância que homenageia os primeiros habitantes daquela cidade. 

Projetado pelas artistas Marisa Oshiro Tibana e Neide Ono, e inaugurado em 1995, o monumento foi erguido ao lado do Horto-Florestal, bem na confluência dos córregos "Prosa" e "Segredo". Com peças fundidas em metal e  sobre uma parede vertical de granito preto, o "Monumento aos Desbravadores" é representado por um carro-de-boi - que foi o meio de locomoção utilizado pelos primeiros colonizadores da cidade, e que, portanto, vieram a ser seus primeiros habitantes.

("Monumento aos Desbravadores" - foto: arq. pessoal)

Dentre os muitos símbolos da cidade - a Morada dos Baís, o relógio da Afonso Pena, o Parque das Nações Indígenas, a Feira central -, o "Monumento aos Desbravadores" se destaca não só pelo que simboliza, mas também pelo valor artístico que traduz a genialidade humana. 

(Av. Afonso Pena, com Morada dos Baís ao fundo - foto: arq. pessoal)

Estive na praça do "Monumento aos Desbravadores" em uma tarde ensolarada, vindo do Mercado Municipal, depois de cruzar a pé o parque do Horto. Fiquei ali por um bom tempo olhando aquele trabalho e pensando nas coisas que buscava o colonizador mineiro José Antônio Pereira - aquele que primeiro chegou ali e se alojou, começando tudo do nada. Que braveza! Hoje com mais de 800 mil habitantes, e 114 anos de fundação, Campo Grande tem muitas praças, ruas e avenidas largas e bonitas - como as avenidas Afonso Pena e Mato Grosso. 

(Relógio Central, na Av. Afonso Pena - foto: arq. pessoal)

Para quem chega e vê Campo Grande do alto, (des)acomodado em uma poltrona de avião, a impressão que tem é de que a cidade surge de repente depois de muito chão desabitado a ser desbravado. Olhando a cidade, do alto, percebi que ela tem seus contornos, seu espaço bastante definido. Do alto e do nada, seus prédios, suas casas, suas ruas e suas muitas árvores vão surgindo no horizonte e tomando forma... 

Se o primeiro colonizador a chegar naquele local visse Campo Grande hoje - penso eu -, ficaria ao mesmo tempo assustado e orgulhoso por ter se alojado ali um dia, sem ter a noção de que aquele lugar seria transformado em uma bela cidade brasileira, habitada por gente de todas as raças e de todas as regiões do nosso imenso - e maravilhoso - país, inclusive mantendo uma forte relação com a cultura indígena. 

(Obra artística - "Índia Terena", na Feira Indígena da Pça Oshiro Takemori - foto: arq. pessoal)

Minha última noite ali não poderia ter sido mais emblemática do que é a simpatia de Campo Grande: fui recebido, junto com minha esposa Denise, na casa do meu primo Arnaldo e da sua esposa Eurinda - ele paulista, ela sul-mato-grossense. Ali, onde crescem no seu quintal uma jabuticabeira, uma mangueira, um pé de cravo e um de macadâmia, jantamos, bebemos, tocamos violão e falamos de fatos, pessoas e histórias que eu ainda não conhecia... e que trouxe para casa prá nunca mais esquecer.

  (Eurinda, Arnaldo e Denise, na varanda - Campo Grande, set/13 - foto: arq. pessoal)      

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