domingo, 20 de dezembro de 2015

A ÁRVORE


(CLIQUE NA SETA PARA OUVIR ENQUANTO LÊ)
("White Christmas" - de Irving Berlin)

     A árvore, quando devidamente cultivada, cresce, ganha força e se desenvolve. Daquela sementinha que foi um dia um simples anseio sobe um tronco, abrem-se galhos, dependuram-se folhas e pendem dela os frutos. 

     Em gratidão ela retribui com sombra, beleza e energia. A um leve sopro de vento suas folhas dançam em movimentos desiguais, como que procurando acenar com alegria para aquele que a observa.

     Depois de crescida, independente da nossa existência ou atenção, a árvore permanece assim, altiva, deslumbrante - e necessária.

(Ipê Amarelo na Rodovia Anhanguera - foto: arq. pessoal)

     As vezes, de uma forma simbólica, não partindo de uma semente viva, uma árvore cresce, dá folhas, flores e frutos: planta-se um tronco de madeira morta e a árvore vai se formando em folhas de papel-cartão com frutos que vão chegando a ela em forma de mensagens escritas. O número de galhos e de frutos se faz na mesma proporção da consideração que temos pelas pessoas que passam pela nossa vida. Como os frutos nos alimentam o corpo, as mensagens nos alimentam a alma.

     O tronco morto é a semente pela renovação da amizade. Viajando de um endereço a outro chegam cartões em todas as cores e tamanhos, contendo mensagens manuscritas que vão se instalando ali, naquele tronco que um dia foi apenas um anseio. As mensagens traduzem a estação da vida de cada um dos remetentes. E àquele tronco são atadas fitas de cetim que simbolizam os galhos. Ao longo deles vão pendendo cartões, mensagens, saudações, relatos, poesias, histórias de vida, esperança, votos de saúde e de um Natal feliz.


(Minha mãe e sua árvore de amigos e mensagens)

     Todos os anos, desde o início do mês de Dezembro, minha mãe planta em sua sala de estar uma árvore assim. A meus olhos, o tronco de madeira tem as dimensões de um tronco de mangueira; galhos de cetim, tantos quanto os de um velho e imponente flamboaiã, nele vão sendo implantados no correr dos dias. Essa árvore torna-se colorida pelos seus galhos e pelas suas folhas. Estas, acenando dezenas de mensagens de amizade enviadas a ela por vizinhos e amigos cultivados ao longo do tempo, são os frutos que produzem a energia que a nutre com anseios de vida. Cada cartão que chega a ela pelo correio é motivo de festa e um renascer de alegrias.

     Quisera eu plantar em minha casa uma árvore simbólica dessas. Ainda conservo a ilusão de que muitas seriam as folhas e os frutos que seriam implantados nela - pois tenho muitos amigos, todos imprescindíveis.

     Mas ando meio desleixado. Por sinal dos tempos minha árvore tem nascido e crescido virtualmente com apenas um ou dois cliques. É evidente que os cliques podem gerar um fruto e encantar. Oxalá eu me dispusesse a me organizar e enviar mensagens de Natal com letras manuscritas em folhas-cartão postadas no correio. Elas poderiam mostrar assim, pelo reflexo do tempo revelado em minha caligrafia, minhas verdades que vão além do texto. Estaria assim deixando que os meus filhos, meus amigos, e os filhos de meus amigos percebessem o prazer da amizade ao verem e lerem mensagens expostas nas árvores montadas dessa forma. 

     Comprei algumas dezenas de cartões de Natal pensando em escrever mensagens e enviá-los pelo correio. Não escrevi nenhuma. Ficaram em branco. Cheguei... bom... acho que chegamos a um tempo em que não enviamos mais cartões. Substituímos um delicado costume antigo pela agilidade padronizada da tecnologia, e guardamos somente para nós mesmos as mensagens eletrônicas enviadas e recebidas...


(Ipê-roxo com seus anseios na Rodovia Anhanguera - foto: arq. pessoal)  

     Mas... "peraí"... Estou achando esse meu papo muito retrógrado! Não gosto de lamúrias. Não quero ficar aqui resistindo à praticidade das coisas. Gosto, utilizo, e fico maravilhado com tudo o que a tecnologia proporciona. Só lamento nunca ter plantado em minha sala de estar, na época do Natal, uma árvore de amizades e mensagens.

     Hoje, acomodado com a agilidade nas comunicações, fico pensando nos meus parentes e amigos. E enquanto clico mensagens, vou escrevendo à caneta o nome de cada um deles em uma folha do meu caderno. 

     Com isso espero que, neste Natal, todos aqueles a quem quero bem estejam felizes; que, aquecidos por abraços familiares, estejam se fartando de saúde.

     Desejo, enfim, um Feliz Natal a todos! E, muito especialmente, àqueles que por intermédio dos muitos cartões que penderam dos galhos das árvores cultivadas nos Natais pela minha mãe ao longo dos anos me mostraram o delicioso sabor do fruto da amizade.

(Flamboaiã em Araguari/MG - foto: arq. pessoal)

4 comentários:

  1. Lindo. Mas retrata as transformações que passamos dos hábitos natalinos, se perdendo, infelizmente, coisas encantadoras e significativas de nossa infância junto a nossos avós e pais. Feliz Natal querido casal. Boas Festas!

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    1. Pois é... as transformações acontecem com muita rapidez... obrigado, João, mais uma vez. Grande abraço.

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  2. Natal é quando se dispõe, todos os dias, a renascer e deixar que Deus penetre em sua alma.
    Você é a decoração de Natal quando suas virtudes são cores que flutuam sua vida.
    Você é o sino de Natal quando chama, congrega reúne.
    A música de Natal é você quando consegue também sua harmonia interior.
    O cartão de Natal é você quando a bondade está escrita no gesto de amor de suas mãos.
    Você é a noite de Natal quando consciente, humilde, longe de ruídos e de grandes celebrações, em silêncio recebe o salvador do mundo.
    Um muito Feliz Natal a todos de sua família e a todos que procuram assemelhar-se com este Natal.

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    1. Mas que bom, Beguinho, receber sua visita no blog e poder ler essa sua belíssima mensagem. Muito obrigado, fiquei muito contente. Um grande abraço a você e à família. Elias.

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