quarta-feira, 4 de setembro de 2013

CONFIDÊNCIAS DE UM VIOLÃO DEIXADO NO CANTO DA SALA


(CLIQUE NA SETA PARA OUVIR ENQUANTO LÊ)
("Round Midnight", de Thelonious Monk, no violão de Baden Powell)


Ao meu violão,
de pé, no canto da sala.


Estou no canto. De pé. Calado. Canto baixinho prá quem me observa, prá quem me estende o braço, prá quem me abraça, prá quem me aperta contra o peito. Mesmo calado também canto para quem atentamente me olha. Eu sou para conversar com os que me percebem, com os que afagam meu corpo, meu braço, minha cabeça, minhas cordas. Dialogo com os íntimos do silêncio. Mas me deito cativo, à mercê de quem me acalanta - ou agride. Os ruídos se sobrepõem ao meu canto silencioso. Sou amigo no equilíbrio; companheiro no desamparo. Estou presente. Quieto. Vou ficando. No canto. De pé. Esperando por um abraço, por um olhar atento que me desperte para cantar... 

  ("Dialogando" - foto jun/11: arq. pessoal)

Um comentário:

  1. O meu violão é tudo isso mesmo - no armário, esperando de mim apenas um toque...Parabéns pela linda reflexão do companheiro solitário

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