segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

DAS DIFERENÇAS


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Janine de Waleyne e Baden Powell - Violão Vadio
https://www.youtube.com/watch?v=pSNDeGi6h4I


"O importante e bonito no mundo é isto:
que as pessoas não estão sempre iguais,
ainda não foram terminadas,
mas que elas vão sempre mudando"
(Guimarães Rosa)


     Ouço com frequência a afirmação de que seria maravilhoso viver caso todos nós fôssemos iguais àquela pessoa apontada como sendo perfeita: iguais em pensamentos, iguais nas interpretações, iguais nas crenças, iguais nos gestos e atitudes, iguais nos valores e interesses. Até o Vinícius de Moraes já disse isso na letra de "Se todos fossem iguais a você". Mas ele mesmo já analisou a sua própria afirmação (não me lembro em qual entrevista) concluindo que se isso acontecesse tudo seria muito chato: uma mesmice, tudo previsível, um tédio danado.

"Operários" - Tarsila do Amaral, 1933
http://artefontedeconhecimento.blogspot.com.br/2010/07/operarios-de-tarsila-do-amaral.html

     Particularmente, creio que são as divergências que fazem com que eu consiga repensar frágeis certezas e, consequentemente, progredir. Tenho procurado aprender a valorizar mais a celebração das diferenças de interpretações sobre tudo o que me é apresentado.

     Através da livre manifestação do pensamento fica evidente a singularidade de cada um; só é livre o ser humano que pode pensar com absoluta liberdade. De nada vale o pensamento livre, a criação intelectual, científica, filosófica ou política, se não pudermos manifestar nossas ideias. Afinal, a convivência social só alcançou o estágio em que estamos porque os homens passaram uns aos outros as riquezas produzidas em seus pensamentos.


Cultural Differences in Facial Expressions
Diferenças culturais em expressões faciais
Fonte - http://www.commisceo-global.com/blog/cultural-differences-in-facial-expressions

     Nada é definitivo e absoluto. Quando outros emitem pontos de vista diferentes dos meus e me fecho em minhas convicções sem querer ouvi-los não ajo com sabedoria. É na aceitação e avaliação das diferenças sustentáveis que posso evoluir. A atitude de me enclausurar em minhas próprias certezas, além de criar barreiras enormes para minha integração, traduz um autoritarismo que me impede de reavaliar quaisquer entendimentos defeituosos que eu possa ter. Longe de querer um conflito de ideias ensejando um embate entre elas, objetivando como resultado final a proclamação de um vencedor e um vencido, o importante mesmo é perceber que a combinação de entendimentos divergentes contribui para minha própria melhora pessoal. Para mim, quem se tranca em suas certezas e convicções gera uma desconfiança brutal. Isso porque a convicção impossibilita a existência de alguma porta aberta para o diálogo, o entendimento e a reflexão.

     É um gesto de sabedoria, portanto, deixar de lado a crença de que a discordância gera afastamento. Ao contrário, partindo da compreensão de que cada um de nós tem sua própria formação, é a livre expressão do pensamento que diminui distâncias. Afinal, a vida é um eterno buscar de um amadurecimento significativo o bastante para nos fazer querer bem a quem quer que seja - apesar de eventuais diferenças de pensamento que possam existir. Assim em uma orquestra: apesar dos diferentes sons, cada instrumento tem a sua importância, sua função e sua beleza. Em harmonia, seus diálogos sonoros se respeitam... e encantam.


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