quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

CANTANDO COM O VINÍCIUS

(Foto: Vinícius de Moraes)


Foi pelas mãos de um de meus tios que, em 1975, fui pela primeira vez a um show musical. Lembro-me bem. Eu era ainda adolescente, estudante de cursinho pré-vestibular em Ribeirão Preto. O artista era, nada mais nada menos que o Vinícius de Moraes. Com ele no palco, o Toquinho e o Trio Mocotó.
A minha ansiedade era enorme. E tudo foi, de fato, memorável.
Em um ginásio de esportes, carregando um pequeno gravador, sentei-me ao lado de uma caixa de som e gravei o show inteiro. Naquela época estava para ser lançado o disco "Turbilhão". Naquela noite vi um Vinícius tomado de encantamento por tudo, transbordando poesia e encantando.
Em um determinado momento o Vinícius disse que estava muito contente, que aquela noite estava sendo para ele muito especial porque ali estava presente uma pessoa muito querida e especial na vida dele. Na sequência pediu para que todos nós da plateia cantássemos com ele EU SEI QUE VOU TE AMAR. E assim foi... Cantei também a música, a qual ele dedicou, sem mencionar o nome, a essa pessoa querida dele.
Terminado o show saí do ginásio de esportes maravilhado, deslumbrado. Mas saí também com a impressão de que ele, o Vinícius, durante o show, naquela noite, estava possuído por algum espírito coberto de amores.
Guardo aquela noite como sendo uma daquelas que transformam em virtude da densidade emocional que transmite.
Anos mais tarde ao ler "O Poeta da Paixão", do José Castello, no soneto de introdução à vida do Vinícius com a Martita, “Soneto de Marta”, o poeta datou: “Ribeirão Preto, 5/6/1975”. Portanto, de uma certa forma, também cantei com o Vinícius em homenagem a sua então companheira. E pude então constatar, cheio de lirismo, como ele mesmo teria dito, que ele realmente estava apaixonado. 


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